Transferência da Capital
Em pronunciamento durante a instalação dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário na cidade de Goiás, o presidente do Parlamento goiano, deputado Lissauer Vieira (PSB), manifestou sua preocupação com os municípios goianos no atual contexto de dificuldades financeiras. O discurso do parlamentar reforçou a necessidade de esforços conjuntos entre as esferas públicas para que a marcha de desenvolvimento seja retomada positivamente, oferecendo melhor qualidade de vida para todos os goianos.
A solenidade formal de transferência dos Poderes para a antiga capital de Goiás, por meio de um termo de instalação, contou com a presença do governador Ronaldo Caiado (DEM), do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Walter Carlos Lemes, e dos presidentes dos Tribunais de Contas do Estado e dos Municípios, respectivamente, Celmar Rech e Joaquim de Castro.
Além do presidente Lissauer Vieira, estiveram presentes os deputados Delegado Eduardo Prado (PV), Dr. Antonio (DEM), Amauri Ribeiro (Patriotas), Rafael Gouveia (DC), Vinícius Cirqueira (PROS) e Karlos Cabral (PDT). A instalação da capital na antiga Vila Boa foi testemunhada por secretários de Estado, diretores, juízes, promotores, procuradores, lideranças políticas, autoridades públicas e pessoas comuns, que observaram com curiosidade a movimentação do pacato centro histórico.
Lissauer Vieira aproveitou o discurso da prefeita de Goiás, Selma Bastos (PT), que pediu apoio do governo para resolver problemas locais, para reforçar o posicionamento municipalista para alavancar o desenvolvimento do estado. De acordo com ele, as dificuldades financeiras são perceptíveis nos municípios em razão de sua proximidade com as pessoas.
“As prefeituras têm enfrentado momentos de dificuldades e angústia nessa crise que atravessa o país. Os primeiros a sofrerem as consequências são justamente os municípios, os mais próximos da população. Sabemos de todas as dificuldades enfrentadas pelos prefeitos, mas há pessoas que pensam na população”, afirmou o presidente.
Agenda cheia
A agenda de atividades previstas durante a transferência dos poderes para a cidade de Goiás foi intensa. Nesta quinta-feira, 25, o presidente da Assembleia Legislativa participou, após a solenidade na Praça do Coreto, da assinatura de termo de convênio do Estado de Goiás com o Hospital Dom Pedro de Alcântara — a mais antiga unidade de saúde em funcionamento no em Goiás. O hospital enfrentava dificuldades havia anos e chegou a ser paralisado durante um tempo.
“Tivemos várias agendas ao longo do dia, junto a todos os órgãos públicos que foram transferidos para a cidade de Goiás. Foi um dia de comemoração e festividade, mas também de muito trabalho. Assinamos uma parceria e um convênio com o hospital da cidade e, à noite, teremos a entrega de Medalhas do Mérito Anhanguera. A vinda dos poderes para Goiás é importante para as tradições e relembrar o passado, mas especialmente para planejar o futuro”, afirmou o presidente.
Lissauer Vieira disse que os agentes públicos precisam agir com responsabilidade e diálogo para equacionar os efeitos da crise econômico-financeira sobre a população. Para o chefe do Poder Legislativo, os poderes precisam atuar em harmonia, respeitada a independência de cada um, para que as pessoas voltem a sorrir.
“A tradição e a história são importantes, por isso devem ser resgatadas e relembradas. Mas precisamos planejar o futuro. Goiás atravessa uma crise econômico-financeira muito grande. Nós, agentes públicos, precisamos agir com responsabilidade e buscar o diálogo necessário para retomar o desenvolvimento e fazer os ajustes necessários para o estado crescer e a população voltar a sorrir”, afirmou o presidente.
Instalação
Um palco instalado na parte superior da Praça do Coreto, em frente ao Palácio Conde dos Arcos, aguardava a chegada das autoridades para a assinatura do termo de transferência dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário para a cidade de Goiás. Algumas pessoas foram aos poucos se ajeitando entre as ruas de pedra da maneira como dava, procurando a sombra de alguma árvore para fugir do sol.
A solenidade foi aberta com a passagem em revista da tropa pelo governador Ronaldo Caiado. Postado em frente ao Palácio Conde dos Arcos, num palanque improvisado. A procissão de membros da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros descia no sentido Museu da Boa Morte – Cruz do Anhanguera.
Após dez minutos de revista, o governador seguiu ao lado dos chefes dos Poderes Legislativo e Judiciário para o hasteamento do pavilhão, onde foram cantados o Hino Nacional e o Hino de Goiás, regidos pelo capitão Elias Correia da Veiga – filho da terra e regente da Banda da Polícia Militar do Estado de Goiás. Pouco mais tarde, após os pronunciamentos das autoridades, seria cortado logo abaixo daquele ponto um bolo em comemoração do aniversário de 292 anos da antiga Vila Boa.
Cora Coralina
Presidente do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, o desembargador Walter Carlos Lemes citou em seu pronunciamento um episódio no qual um chefe do Poder Judiciário, em evento na Bahia, encerrou seu discurso com versos de Cora Coralina. O jurista disse que ficou emocionado ao perceber a poesia da doceira da Casa Velha da Ponte reverberar pelo país com uma mensagem bonita que, ao seu modo, expressa muito do que se convencionou por goianidade.
“Essa linda tradição, que se perpetua ao longo dos anos, remonta ao exercício pleno da cidadania. Encanta-me muito quando o presidente do Tribunal de Justiça da Bahia, Gesivaldo Britto, citou Cora Coralina ao encerrar seu discurso durante um encontro jurídico. Fiquei muito honrado com esse momento. Goiás é nossa eterna cidade e, mais uma vez, a tornamos capital, enaltecendo assim a sua cultura e as suas tradições”, afirmou.
A tradição de transferir os poderes do Estado para a cidade de Goiás começou em 1983, por meio da Lei nº 9.314/1983, sancionada pelo então governador Iris Rezende, que criou a figura da capital simbólica de Goiás. Em discurso, o governador Ronaldo Caiado, visivelmente emocionado, referendou o gesto de instalação dos poderes ao citar sua ligação sentimental com a antiga Vila Boa.
Ronaldo Caiado é o primeiro governador de sua família a transferir simbolicamente a sede dos poderes para a antiga Vila Boa. Antes dele, o único Caiado a ocupar o mais alto cargo do Poder Executivo após a criação de Goiânia havia sido seu tio, Leonino. Diante do público, o governador relatou peraltices da infância e prometeu empenho para valorizar o município.
“Muitas das autoridades que aqui estão nasceram ou viveram aqui. Eu tive a oportunidade de ser batizado nessa querida cidade de Goiás. É uma cidade que nos faz refletir e consegue manter viva a sua história. Ela nos impõe deveres de manter viva a tradição, a dignidade, a transparência, o amor ao próximo e a ética. Vocês não imaginam a carga de emoção ao passar a tropa em revista. Não imaginam quantas vezes desci essa rua até a Praça do Coreto. Na minha adolescência, nós, jovens, circulávamos a praça em sentido anti-horário —e as moças, em sentido horário. Era a maneira de começarmos nosso dia a dia e conversarmos com nossas amigas”, lembrou o governador, arrancando risadas dos presentes quando a primeira-dama, Gracinha Caiado, em gesto de brincadeira, apontou-lhe o dedo indicador.