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Prevenção ao suicídio

11 de Setembro de 2019 às 12:50
Crédito: Sérgio Rocha
Prevenção ao suicídio
Campanha Setembro Amarelo - Deixe a Vida Florescer
Alego deu prosseguimento à campanha Setembro Amarelo, com palestras e mesa-redonda, na manhã desta 4ª-feira, 11. Objetivo é chamar a atenção para a valorização da vida e prevenção ao autoextermínio. À tarde, haverá uma audiência pública.

Na manhã desta quarta-feira, 11, a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) realizou extensa programação da campanha Setembro Amarelo, no salão Nobre da Casa, entre às 8h30 e 11h30. O objetivo da campanha é chamar a atenção para a valorização da vida e prevenção ao suicídio, que, conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), faz uma vítima no mundo a cada 40 segundos, e é a segunda causa de morte entre jovens até 30 anos. O assunto, que ainda é um tabu social, foi abordado por especialistas em palestras e mesa-redonda. No período verpertino haverá uma audiência pública comandada pelo deputado Thiago Albernaz (SD).

Setembro Amarelo é uma realização da Diretoria de Saúde e Meio Ambiente do Trabalho da Alego, visando oferecer informações sobre o tema para os trabalhadores do Legislativo. Conforme salientou o diretor Marcos Antônio Nogueira, assim como na sociedade em geral, muitos servidores da Casa sofrem com problemas depressivos, além de enfrentarem problemas com os filhos por causa de suicídio. “Temos constatado a gravidade do problema entre nossos funcionários e seus filhos. É um tema vivo aqui dentro”, explicou.

Psiquiatra pós-graduado em dependência química, Luís Gonzalo Gómez Barreto foi o primeiro a fazer uso da palavra. Ele discorreu sobre Transtornos Psiquiátricos e Suicídio, e afirmou que os fatores são diversos, além de salientar a importância do “Não!”, na formação das crianças, para que estas aprendam a lidar com as frustrações, e sua importância na formação da personalidade da pessoa. “Elas não são treinadas a lidar com a frustração. É preciso dar oportunidade para seu crescimento”, orientou.

Gonzalo salientou ainda que a criança precisa ser criança e que é importante que a pessoa viva cada fase da vida em seu tempo, como: namoro, noivado, casamento, filhos, para uma vida mais saudável.

O especialista também pontuou que os transtornos mentais, dentre eles a depressão, são os responsáveis por números que variam entre 80% e 100% dos casos de suicídio. Gonzalo abordou ainda que o comportamento pode ser responsabilizado pela modificação da estrutura do DNA.

Prevenção e acompanhamento

A segunda palestra teve como tema “Jovem, não morra no Golden Gate”, ministrada pela escritora, psicopedagoga e psicanalista especialista em prevenção ao suicídio Clara Dawn. Um dos pontos abordados por ela se refere à falta de capacidade, principalmente dos adolescentes, de lidar com as frustrações. Ela também recomendou que a saúde mental seja vista como prioridade desde a infância. “Nós trabalhamos a prevenção desde o ventre materno. E temos a família como base para fazermos esse trabalho”, salientou. “Também é preciso o respeito à dor provocada pela depressão”, afirmou.

Clara falou da necessidade de os pais acompanharem mais de perto o que as crianças assistem na TV, o que leem e o que acessam na internet. Disse que esse acompanhamento deve seguir por toda a vida. “A internet facilita a ocorrência de cyberbullying, que provoca muita dor psíquica e os jovens acabam por optar pelo autoextermínio, por não saberem lidar com essa dor.”

A psicanalista também cobrou a importância de se investir em políticas públicas voltadas à saúde mental, principalmente, no ambiente escolar, com o acesso a profissionais multidisciplinares, como psicólogos e pscicopedagogos para acompanharem os casos.

Ao final, Clara compartilhou uma experiência pessoal com a perda de um filho, aos 19 anos, Arthur Miranda, que sofria de esquizofrenia potencializada pelo uso de substâncias alucinógenas. Diante da própria experiência, a especialista alertou para o risco de tais substâncias como coadjuvantes da prática do suicídio.

A terceira e última palestra teve como tema “Prevenção ao Suicídio”. Representantes do Centro de Valorização da Vida (CVV), Maria de Jesus e Manoel Messias de Jesus, falaram sobre o trabalho desenvolvido pelos voluntários da entidade. “As pessoas precisam ser ouvidas por pessoas com os corações abertos”, salientou.

Maria informou que a maioria das pessoas busca ajuda do CVV com profunda dor na alma. “A pessoa se sente excluída. Precisamos ajudar a não desistir”, reiterou.

Manoel contou que a demanda pelo atendimento voluntário realizado pela instituição, por meio do telefone 188, por e-mail ou pessoalmente, tem superado a quantidade de atendentes. Além disso, apontou que apesar de o atendimento alcançar cerca de 10 mil pessoas por dia, mais de 5 mil não conseguem ser ouvidas por falta de atendentes.

Por isso, convidou aos presentes para participar do curso que terá início no próximo dia 21, às 13 horas, no Instituto Federal de Goiás (IFG), situado à rua 75, 46, setor Central; ou ainda por meio do e-mail: goiania@cvv.org.br ou o Whatsapp (62) 3223-4041. Manoel salientou que o trabalho de quatro horas semanais a favor do próximo também traz resultados a quem o pratica.

Ao final das palestras, o público pôde participar de uma mesa-redonda, na qual receberam orientações mais detalhadas a respeito do que fazer para auxiliar um paciente antes que este consuma o suicídio.

Novas atividades

A Alego prossegue com as programações da campanha de conscientização e prevenção ao suicídio, com mais palestras em parceria com a Clínica Revitale, no Auditório Costa Lima, do Palácio Alfredo Nasser. A primeira palestra será dia 18, das 15h30 às 16h30, ministrada pelo psicólogo Júlio César Martins de Moura, que irá abordar questionamentos e riscos relacionados ao suicídio.

O segundo evento será no dia 25, das 15h30 às 16h30, com três convidados de diferentes vertentes religiosas: um espírita, um católico e um evangélico. A abordagem será sobre suicídio e religiosidade, com a visão de cada segmento.

“Os índices de suicídio estão muito altos, principalmente entre os jovens, por isso precisamos atuar na prevenção desse mal, que tem como maior causa a depressão”, finaliza o titular da Diretoria de Saúde e Meio Ambiente do Trabalho da Alego, Marcos Antônio Nogueira.

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