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"Um tempo depois entendi que a medida era necessária", avalia Altamir Mendonça sobre divisão do estado

18 de Outubro de 2019 às 12:15
Crédito: Agência de Notícias
"Um tempo depois entendi que a medida era necessária", avalia Altamir Mendonça sobre divisão do estado
Ex-deputado constituinte Altamir Mendonça

Altamir Mendonça é advogado formado pela Faculdade de Direito de Anápolis (Fada) em 1978, serventuário da Justiça e agropecuarista. Natural de Pirenópolis (GO), iniciou sua carreira política como vereador pela UDN na Câmara Municipal de Pirenópolis, de 1960-1964.

O ex-deputado pelo PFL acredita que o trabalho executado pela Assembleia Estadual Constituinte (AEC) como um serviço que influencia o estilo de vida dos goianos até hoje. “Tivemos um papel preponderante na história da Assembleia. Foram momentos de grandes decisões e discussões promovidas por grandes oradores e juristas. Foi realmente empolgante aquele momento e guardo tudo na memória”.

Em relação aos pares que compunham o parlamento naquele período, Altamir Mendonça define os colegas como "cidadãos brilhantes". “Não tivemos mais oradores e democratas como naquela época. Os discursos, o conhecimento e a honestidade acima de tudo, são incomparáveis. Tenho orgulho de ter pertencido a esse grupo tão determinado em fazer o melhor pelo nosso Estado."

O constituinte considera o texto final irretocável, mas pontua a necessidade de atualizações. “Não há nada o que pudesse ser acrescentado. Lógico que o mundo vai mudando e para isto existem as emendas. Mas naquele momento fizemos um trabalho baseado em demandas que foram levantadas com muitas audiências e viagens por todo Estado. Enfim, tudo foi feito por meio de um trabalho onde ouvimos todo mundo."

Ele conta que a rotina na Assembleia durante a Constituinte era intensa durante o período matutino e que muitas vezes os trabalhos se estendiam também para o restante do dia. “E não havia, naquele tempo, o conforto que existe atualmente. Eu mesmo possuía para o trabalho parlamentar, basicamente, uma secretária, um motorista e uma máquina de escrever. Então não tínhamos esse aparato que os gabinetes hoje possuem, mas dávamos conta do recado”, conta.

Ao falar sobre Solon Amaral, relator da Constituição Estadual, o deputado constituinte conta que era gratificante ver toda sua competência sendo oferecida em prol do povo goiano. “Um grande deputado. Senti demais sua morte em decorrência de um acidente automobilístico. Foi uma grande perda para a sociedade. Era um advogado completo e que foi fundamental na elaboração da nossa Constituição Estadual."

Quanto aos acontecimentos provenientes da movimentação que ocorria pela necessidade de adaptar a Constituição Estadual às novas diretrizes oriundas da promulgação da Constituição Federal, Altamir Mendonça destaca que, em uma primeira análise da proposta, foi contra a divisão do Estado de Goiás para criação de uma nova unidade federativa - Tocantins. Para ele, era inadmissível partir o Estado ao meio.

Ele lembra de ocasiões que teve com Siqueira Campos (ex-deputado federal e governador do Tocantins), para debater o tema. “Com isso, um tempo depois pude entender que a medida era necessária. Gastávamos 90% da arrecadação que tinha origem na parte sul do Estado na parte norte e, ainda assim, os investimentos eram precários. Não dávamos conta de levar energia, estradas, escolas, entre outros. Com a partilha permitimos que ambas regiões se desenvolvessem."

Altamir Mendonça fala também sobre o chefe do Executivo da época, Henrique Santillo, com quem tinha relação de amizade. “Estudamos juntos no colégio secundário em Anápolis. Naquela época, como toda sua família, Henrique Santillo era um 'chegante' [sic] na cidade e a situação financeira de sua família não era boa. Lembro que tivemos algumas situações onde pude ajudá-lo a vender batata, mandioca e abóbora no Mercado Municipal de Anápolis."

Altamir reitera que Henrique Santillo era extremamente competente e que soube conduzir o governo com imparcialidade partidária. “Era o primeiro aluno da nossa classe, fez um curso de medicina brilhante, foi para São Paulo e quando voltou já foi se filiando ao MDB de onde nunca saiu. Apesar de termos então seguido a carreira política em partidos diferentes, não houve uma situação sequer em que não fui atendido. Era uma grande pessoa”, relata.

Ao falar sobre a realidade atual do País, o ex-parlamentar cita as dificuldades financeiras e políticas existentes atualmente. “Eu achava que depois do governo Fernando Henrique Cardoso, um presidente muito preparado, não haveria nada que nos tirasse de uma direção de desenvolvimento." 

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