"A natureza de uma Assembleia é de conflitos, mas não havia isso na Constituição", conta Eurico Barbosa
Líder da bancada do PMDB na Assembleia Estadual Constituinte (AEC), Eurico Barbosa diz que o grande desafio dos parlamentares goianos era reconstruir o estado. Nascido no dia 3 do mês 3 do ano de 1933, em Morrinhos (GO), com 86 anos atualmente, o deputado constituinte pelo PMDB é também advogado, escritor, com nove livros lançados no mercado editorial. Ele iniciou sua carreira política como vereador de sua cidade natal, em 1959. Foi deputado estadual por cinco mandatos.
Ele destaca que durante sua carreira política viveu uma fase agitada e muito turbulenta da política nacional, e quando veio para a Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), o ambiente continuou dessa forma até seu último mandato. “Em 1960, foi eleito Jânio Quadros, um político muito carismático, mas que traiu seu carisma com a renúncia da Presidência da República. Com isso tomou posse João Goulart que, por sua vez, não tinha apoio de um setor das Forças Armadas. Então, daquela época até minha última legislatura, que finalizou em 1991, vivi várias situações de grandes mudanças no País”, ressalta Eurico Barbosa.
Eurico Barbosa teve o mandato cassado no dia 13 de março de 1969, bem como seus direitos políticos por dez anos. Durante a cassação, ele aproveitou para aperfeiçoar a carreira jurídica. “Já havia a expectativa de que isso aconteceria, por decorrência da adoção do Ato Institucional nº 5, o qual estava eliminando todas lideranças políticas nos estados. Então, quando suspenderam meus direitos, fui obrigado a ir para o interior de Goiás exercer a advocacia, onde fiquei até 1982, quando voltei para a política”, conta.
Nesse período, foram criados os novos partidos nacionais, relembra Eurico. “Deu-se início em 1980 à redemocratização do País, e com isso foram criados os partidos políticos. Fiz parte deste retorno e tive mais dois mandatos na Alego, dentre eles, durante a Assembleia Constituinte, onde atuei como representante do povo e líder da bancada do PMDB”, declara o parlamentar.
Ao falar do trabalho desenvolvido durante a Constituinte Estadual, Eurico Barbosa cita que a missão era reconstruir aquilo que foi perdido em decorrência do regime militar. “Eram legislações impostas que foram sendo implementadas com princípios autoritários. Após a elaboração da nova Constituição Federal, que vinha para oferecer um ambiente mais democrático, nossa missão era adaptar à realidade do nosso Estado os princípios da Carta Federal, e a Assembleia Constituinte fez exatamente isto: dedicou-se a esse trabalho.”
O ex-parlamentar lembra ainda do trabalho realizado por Solon Amaral que, segundo ele, foi o cérebro da Constituição Estadual. “O resultado do nosso trabalho foi uma legislação de alto nível. A natureza de uma Assembleia Legislativa é de conflitos partidários, porém na elaboração da nossa Constituição, não havia nada disso. Essa harmonia em prol do estado muito se deve ao modo de conduzir o processo que foi implementado aqui na Casa pelo deputado Solon Amaral, um jurista, constitucionalista e de cultura geral muito ampla”, recorda.
Eurico Barbosa, atualmente, se dedica a paixão pela literatura para contar suas experiências políticas e histórias vivenciadas ao longe de seus 86 anos. “Quando deixei a política, iniciei um projeto para concretizar meus ideais literários. Quando fui para o Tribunal de Contas do Estado, resolvi transformar em livro toda a história da qual fui testemunha e protagonista. Esse trabalho iniciou com o livro Confissões de Generais. De lá para cá tenho outras oito obras publicadas e uma que está em fase final de produção e que resultará no meu décimo livro”.
O deputado constituinte acredita que sua missão será a de contribuir para a história e as estruturas institucionais. “Na minha pequena expressão intelectual, enquanto vida eu tiver, estarei escrevendo e publicando”, finaliza.