"Corrupção foi institucionalizada com o aval da nossa legislação", critica Wolney Martins
Parlamentar constituinte, Wolney Martins de Araújo nasceu em Catalão (GO), iniciou sua carreira política como deputado estadual pelo PPB, na 9ª Legislatura, de 1979-1983, período no qual também se licenciou do cargo, em março de 1980, para então assumir a Prefeitura Municipal de Anápolis. Formado pela Faculdade de Direito Direito de Anápolis (Fada), com especialização em Direito Processual Penal, foi um dos representantes do PDS na Assembleia Estadual Constituinte, período que ele se refere como “os bons tempos”.
Alinhado com a direita, Wolney considera que o regime militar era necessário para dar ao País caminhos diferentes do comunismo e que, além de ter conseguido este feito, naquele período possibilitou também dar desenvolvimento econômico e social ao Brasil. “Os presidentes militares daquele momento foram responsáveis, inclusive, por entregar o Brasil de volta à democracia como sendo a 8ª economia mundial”, destaca ao refutar a ideia de que houve ditadura no País. “Tenho muito orgulho de ter participado, pertencido e apoiado aquele sistema”, reafirma.
Ao falar sobre seu relacionamento com os demais deputados constituintes, inclusive aqueles que eram de pensamento contrário ao seu posicionamento de direita, Wolney Martins conta que a convivência era consideravelmente boa. “Eu gostava muito do Atos Magno, que era um esquerdista convicto, mas que também gostava de criar gado, de fazendas e não era radical, e sim, um intelectual, um homem de bem. Por várias sessões extraordinárias da Alego [Assembleia Legislativa de Goiás], a gente sentava e conversava e me recordo dele me dizer que não sabia se, com a centralização que ele já observava naquela época no Partido dos Trabalhadores, se eles [os integrantes do partido] seriam capazes de governar”, conta o constituinte ao lembrar também de Eurico Barbosa, ao qual se refere como “o canarinho”, pela sua capacidade de oratória.
Sobre o fato de não ter participado de nenhuma comissão da Assembleia Constituinte, o ex-deputado conta que suas contribuições se davam muito mais no aspecto executivo. “Eu nunca fui de muito microfone, sempre gostei principalmente dessa parte administrativa, tanto que no meu primeiro mandato me afastei do Legislativo goiano para ser prefeito de Anápolis, apesar da oposição ferrenha que saberia que eu enfrentaria por lá”, observa Wolney Martins.
O desempenho de Solon Amaral, relator da Constituição Estadual, também é lembrado pelo parlamentar constituinte ao ressaltar a opinião unânime que os demais pares tinham sobre ele, fato que, segundo Wolney Martins, dava a Solon Amaral o posto natural de condutor do processo da Constituição Estadual. “Era um homem culto, um exímio articulador o qual eu admirava profundamente”, expõe o ex-deputado ao lamentar a morte acidental do mesmo.
Wolney Martins acredita que o texto final promulgado foi resultado de um bom trabalho, embalado pelas diretrizes da recém estabelecida Constituição Federal. “A Constituição de 88 foi importante, porém, considero muito avançada para a época. E nesse sentido, considero assim também a de Goiás. Acredito que foi feito o que era possível”, aponta.
O parlamentar cita que o sentimento nacional, naquele período de elaboração da Constituição Federal, estava focado principalmente no aspecto democrático e não havia, portanto, a mesma preocupação com outros assuntos, como a corrupção, por exemplo. “Era um momento em que há muitos anos não se via desvios de conduta e, nesse sentido, os presidentes militares mesmo governaram por anos, realizaram obras milionárias, e não se enriqueceram com isso. Então a verdade é que após o fim desse regime os governos foram institucionalizando a corrupção com o aval da nossa legislação, ao ponto de chegarmos onde estamos hoje”, explica.
Por fim, o ex-deputado considera então que a liberdade concedida no texto da Constituição Estadual e, principalmente no da Constituição Federal, foi utilizada por alguns políticos, muitas das vezes, mais para o benefício próprio do que para o bem da população. Isso, segundo Wolney Martins, poderia ter sido diferente, mas não era previsível.