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Audiência proposta por Karlos Cabral mescla homenagem à discussão sobre a baixa qualidade da educação no País

15 de Outubro de 2019 às 21:26
Crédito: Maykon Cardoso
Audiência proposta por Karlos Cabral mescla homenagem à discussão sobre a baixa qualidade da educação no País
Audiência pública em homenagem ao Dia do Professor
Por iniciativa do deputado Karlos Cabral (PDT), foi realizada na noite desta terça-feira, 15, uma audiência pública em homenagem ao Dia dos Professores. No auditório Costa Lima lotado, o parlamentar recebeu dezenas de docentes que desempenham o ofício nos diversos níveis de ensino e em várias regiões do estado. Também prestigiaram o evento familiares dos homenageados. 
 
Declarada aberta a audiência, Karlos cumprimentou nominalmente os componentes da mesa diretiva do evento, a saber, a pró-reitora de Extensão e Cultura da Universidade Federal de Goiás (UFG), Lucilene Maria de Sousa; o reitor do IFGoiano,  Vicente Pereira de Almeida; o reitor da UniAnhanguera, Jovenir Sebastião; o reitor da UniRV, Sebastião Lázaro Pereira; a professora e vereadora por Goiânia, Dra Cristina Lopes; a diretora-geral da UFG de Catalão, Roselma Luquesi, o representante dos professores da rede pública em Goiás, José Joaquim Gomes Neto e o professor da Faculdade de Direito da UFG e doutorando em Ciências da Saúde, Heberson Alcântara. 
 
Em seguida, cada componente da mesa teve a oportunidade de também fazer seus cumprimentos. A vereadora Dra Cristina parabenizou o deputado pela iniciativa de realizar a homenagem em formato de audiência pública. "É dever do Legislativo ouvir as pessoas", considerou a vereadora. 
 
Já a pró-reitora da UFG, Lucilene Maria, enfatizou a desvalorização do profissional da educação. "Em tempos tão sombrios, somos nós que vamos mostrar o verdadeiro valor dessa profissão. Nós somos responsáveis pela transformação. Que continuemos a nossa luta na busca pelo respeito e principalmente por uma nação em que possamos fazer mudança social", conclamou a representante da UFG.  
 
Sebastião Lázaro, falando em nome da UniRV e do Conselho Estadual de Educação, no qual é conselheiro, destacou a importância de que, apesar dos conflitos e desafios cotidianos, os professores continuem sua missão. "Não é escola com partido, sem partido. Essa discussão é inócua. O que precisamos é fazer nossa parte e continuar educando e transformando vidas", estimulou o reitor da UniRV. 
 
Já o reitor da UniAnhaguera, Jovenir Sebastião, compartilhou um pouco da sua experiência de mais de 50 anos na docência. "Tenho 83 anos de idade e 57 como docente. Aqui, nos Estados Unidos e na Coreia do Sul. A Coreia era um país pobre, que saiu de uma guerra terrível na qual mais de 6 milhões de pessoas morreram e conseguiu, por meio da educação, ter a melhor mão de obra do mundo e uma economia forte. Esse processo de educação, que começou na década de 50, na base educacional, mudou a história daquele país". O reitor apresentou, ainda, o dado de que atualmente 63% dos sul-coreanos vão para a universidade e opinou que essa mudança deve começar na educação infantil e no ensino básico. 
 
Heberson Alcântara chamou de cabo de guerra a disputa político-partidária que envolve a educação brasileira. "Projetos de Estado, onde um sucede o outro independente de ideologias, infelizmente não acontecem no Brasil. Temos que participar desse projeto de nação ampliando o diálogo com a base da sociedade para que toda a sociedade compreenda a importância da educação para ela mesma", propôs o professor. 
 
Roselma Luquesi, que enalteceu a iniciativa do deputado Karlos Cabral e destacou a relevância da interiorização das universidades públicas, encerrou sua fala com uma reverência física aos professores. O representante dos docentes da rede pública de Goiás, José Joaquim Gomes Neto, ressaltou as pautas que são consideradas mais urgentes pela categoria, a exemplo da discussão de retrocessos como o encerramento do Fundeb, o descumprimento do piso nacional e o fim da aposentadoria especial. Nesse ponto, José Joaquim enfatizou a alta frequência com que professores são acometidos por transtornos psiquiátricos derivados do grau de exigência e dos muitos percalços enfrentados no exercício do magistério. 
 
Vicente Pereira, que discursou em nome dos homenageados, iniciou sua fala cumprimentando seus ex-alunos presentes na solenidade que também escolheram a carreira docente. Reitor do Instituto Federal Goiano em segundo mandato, Vicente reiterou os desafios da profissão, mas manteve um tom otimista em sua fala. “Somos grandes responsáveis pela melhoria da educação das gerações atuais e futuras. Pela homenagem que hoje recebemos, o sentimento que nos preenche é gratidão. Feliz dia dos professores”, agradeceu. 
 
O deputado Karlos Cabral foi o último a fazer uso da palavra. Ele compartilhou sua trajetória de mudança social por meio da educação, visto que sua família, de poucos recursos e origem rural, decidiu se mudar para a cidade e investir todos os esforços na educação dos sete filhos. O parlamentar opinou que a falta de qualidade da educação no país é um projeto político que quer transformar o Brasil em uma nação de operários que não pensem e conclamou os professores a lutar contra essa realidade. 
 
O parlamentar, que também exerceu a docência, trouxe dados sobre a falta de prestígio do profissional da educação perante a opinião pública. "Pesquisa publicada em novembro de 2018 pela instituição inglesa Varkey Foundation aponta o Brasil na última posição, entre 35 países, no ranking de prestígio de docentes. Segundo a pesquisa, o brasileiro vê a profissão de professor como muito trabalho, baixos salários, falta de respeito dos alunos e um dos piores sistemas educacionais do mundo. O Brasil lidera um outro ranking mundial, o de agressões contra docentes. Segundo pesquisa feita pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), 12,5% dos professores ouvidos afirmaram ser vítimas de agressões por parte de alunos, que vão desde a agressão verbal, passando por discriminação, bullyng, furto/roubo e até agressão física. Tal violência impacta drasticamente na saúde física e emocional dos nossos professores e das nossas professoras. Uma outra pesquisa divulgada pela globonews apurou que no ano de 2016 mais de 50 mil professores apresentaram algum tipo de transtorno psiquiátrico, desde moderado a grave, um número quase 100% maior que o ano de 2015, quando 25.800 professores manifestaram o quadro", elencou Karlos Cabral. Ele usou os dados como gancho para discutir o veto presidencial ao projeto de lei, aprovado na Câmara dos Deputados, que tornava obrigatórios atendimentos de psicologia e serviço social nas escolas da rede pública de educação.
 
"Esperamos uma forte mobilização de toda classe política e da educação para que o veto integral seja derrubado no Congresso Nacional, a fim de reverter este triste retrocesso.  No estado de Goiás também temos a oportunidade de garantir avanços no atendimento psicológico nas escolas. Tramita nesta Casa o projeto 3408/17, de minha autoria, que obriga justamente a existência dos serviços de psicologia, serviço social e também de fonoaudiologia nas escolas da rede pública estadual de ensino. O projeto já está apto para votação no Plenário da Assembleia, para em seguida ser enviado para apreciação do governador Ronaldo Caiado. Neste sentido já solicito carinhosamente o empenho de todos e todas vocês, junto aos demais parlamentares e ao Governo, para que Goiás, neste ponto, dê um bom exemplo para o restante do país", convocou.
 
Karlos Cabral finalizou sua fala agradecendo a presença de todos e em seguida foram entregues Certificados de Honra ao Mérito pelos relevantes serviços prestados por cada docente homenageado. 
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