CPI da Enel
Na noite dessa quinta-feira, 17, parlamentares que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Enel se reuniram com representantes da empresa a fim de cobrar soluções para as reclamações sobre a rede elétrica em Goiás, que frequentemente têm chegado aos deputados.
O presidente da CPI, deputado Henrique Arantes (MDB), o relator, deputado Cairo Salim (Pros), e o deputado Amilton Filho (Solidariedade) entregaram ao presidente da Enel em Goiás, José Luís Salas, um ofício contendo o relatório das atividades da comissão. O documento lista as maiores queixas apresentadas à CPI por meio de audiências públicas referentes a diversos municípios goianos.
A reunião foi realizada na presidência da Enel e contou também com a presença do diretor de Relações Institucionais, José Nunes de Almeida, além de vários assessores do corpo técnico da empresa. Eles apresentaram aos parlamentares um panorama das principais obras realizadas e a concluir nas regionais Uruaçu, Iporá, Rio Verde, Formosa, Anápolis, Luziânia, Morrinhos e Goiânia e região Metropolitana.
Durante mais de duas horas, os parlamentares conversaram sobre os resultados concretos esperados pela CPI. “Ninguém aqui é contra a privatização. Ninguém aqui é contra uma empresa de fora assumir a prestação desse serviço em Goiás. O que queremos é que os investimentos sejam ampliados para que haja melhorias concretas no fornecimento de energia, que tem recebido muitas críticas e denúncias em várias regiões", apontou Cairo Salim.
Cobrança dos parlamentares
O diretor de Relações Institucionais, José Nunes de Almeida, disse que a empresa entende o papel fiscalizatório dos parlamentares e que, na visão da Enel, o acordo celebrado junto ao Governo do estado já é resultante dos esforços da CPI. O Termo de Ajustamento de Conduta que foi firmado contém o plano da empresa para investimentos e melhorias na operação para os próximos três anos. Entre outras diretrizes, o acordo antecipa em quatro anos os investimentos que, no contrato inicial, estavam previstos para serem realizado até 2026.
O deputado Amilton Filho considerou como vago o acordo que, segundo ele, não consegue mensurar questões práticas. "Falta especificação das metas para cada região e principalmente prazo para cada avanço", criticou o parlamentar. Representante da região de Anápolis, Amilton também fez questionamentos sobre as obras da subestação Santana, que vai atender o município, e sobre as melhorias na rede elétrica necessárias à ampliação do Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia).
Após as cobranças, o parlamentar foi convidado a visitar as obras de Santana que, segundo o presidente José Luis Salas, já se encontram com mais de 80% dos serviços concluídos.
Henrique Arantes relatou que uma das principais críticas da população ao trabalho da Enel é o atendimento. O presidente Salas reconheceu que nos meses de fevereiro e março houve uma falha no Call Center da empresa, que fez com que os clientes não conseguissem ser atendidos por um funcionário. Contudo, de acordo com o presidente, a questão foi resolvida em abril, quando também a empresa dobrou a quantidade de atendentes.
O presidente da CPI também perguntou o que a Enel pretende fazer para melhorar os índices de ligação de energia nas propriedades rurais do estado, visto que há uma demanda reprimida em 67% das propriedades rurais do norte goiano e 33% da área rural do sul do estado. Salas apontou dificuldades para o atendimento dessa demanda, mas ressaltou que enquanto a Celg fazia 500 dessas ligações por ano, a Enel atualmente já consegue fazer 1.700 no mesmo período. Ele acrescentou que neste mês de outubro será concluída a licitação para materiais, equipamentos e todos os insumos necessários para que até 2022 seja possível realizar 10 mil ligações anuais.
Os parlamentares solicitaram, ainda, que a empresa proíba que os cortes de energia por falta de pagamento ocorram às sextas-feiras e em vésperas de feriados, momentos em que os consumidores acabam ficando vários dias sem a possibilidade de pagar as contas em atraso para ter o pronto restabelecimento do serviço.
Reclamações da Enel
Os dirigentes da Enel aproveitaram o encontro para demonstrar as dificuldades da empresa. O presidente Salas detalhou a intensidade da falta de mão de obra qualificada e de centros de formação de eletricistas em Goiás. A empresa afirma que já investiu 3 milhões de reais em ações de treinamento, incluindo parcerias com o Senai e construção de Centros de Formação. Mesmo assim o déficit de profissionais permanece preocupante e tem sido necessário trazer eletricistas de outros estados, como Maranhão e Pará.
José Luis Salas também reclamou das condições em que se encontravam as instalações da Celg. "Havia um subinvestimento de mais de dez anos, o que impacta muito negativamente a capacidade de todo o sistema. Para corrigir esse atraso, estamos desenvolvendo ações para alcançar a estabilidade, a modernização, paralelamente ampliando para ter flexibilidade e aumento da capacidade. Essa grande quantidade de obras prejudica a operação do sistema, mas é necessária", explicou.
Salas exemplificou que a subestação de Anápolis foi construída em 1974 com deficiências técnicas que hoje impactam drasticamente a qualidade do serviço. "No incidente do último sábado, um pássaro pousou e causou um curto. Sem ter para onde escoar a falha, transformadores foram queimados e o problema, que poderia ser simples e pontual se estendeu drasticamente pela falta da malha de terra. Essa subestação já deu o que tinha que dar", lamentou o presidente.
Por fim, Salas lembrou que a Enel foi a única empresa a se apresentar para a compra da Celg. "A Enel foi a única que acreditou na segurança jurídica de Goiás e na capacidade de desenvolvimento desse estado que hoje é a nona economia do Brasil. Para continuar atuando, precisamos que seja restabelecida essa segurança jurídica", solicitou o presidente da Enel em referência às leis aprovadas pela Alego que alteram os créditos suplementares acordados no contrato da venda da Celg.
O presidente da CPI acolheu a reclamação dizendo que o diálogo está aberto para essa negociação. Ao fim da reunião, Henrique Arantes avaliou positivamente o encontro e se mostrou confiante quanto aos resultados práticos que podem ser obtidos nas negociações da CPI junto à Enel. Uma nova reunião ficou marcada para a manhã de quinta-feira, 31.