Ícone alego digital Ícone alego digital

CPI da Enel

18 de Outubro de 2019 às 09:00
Crédito: Sérgio Rocha
CPI da Enel
Reunião da CPI na sede da ENEL
Integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga problema no fornecimento de energia se reúnem com dirigentes da empresa italiana para negociar soluções para queixas mais frequentes dos consumidores.

Na noite dessa quinta-feira, 17, parlamentares que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Enel se reuniram com representantes da empresa a fim de cobrar soluções para as reclamações sobre a rede elétrica em Goiás, que frequentemente têm chegado aos deputados.

O presidente da CPI, deputado Henrique Arantes (MDB), o relator, deputado Cairo Salim (Pros), e o deputado Amilton Filho (Solidariedade) entregaram ao presidente da Enel em Goiás, José Luís Salas, um ofício contendo o relatório das atividades da comissão. O documento lista as maiores queixas apresentadas à CPI por meio de audiências públicas referentes a diversos municípios goianos.

A reunião foi realizada na presidência da Enel e contou também com a presença do diretor de Relações Institucionais, José Nunes de Almeida, além de vários assessores do corpo técnico da empresa. Eles apresentaram aos parlamentares um panorama das principais obras realizadas e a concluir nas regionais Uruaçu, Iporá, Rio Verde, Formosa, Anápolis, Luziânia, Morrinhos e Goiânia e região Metropolitana. 

Durante mais de duas horas, os parlamentares conversaram sobre os resultados concretos esperados pela CPI. “Ninguém aqui é contra a privatização. Ninguém aqui é contra uma empresa de fora assumir a prestação desse serviço em Goiás. O que queremos é que os investimentos sejam ampliados para que haja melhorias concretas no fornecimento de energia, que tem recebido muitas críticas e denúncias em várias regiões", apontou Cairo Salim.

Cobrança dos parlamentares

O diretor de Relações Institucionais, José Nunes de Almeida, disse que a empresa entende o papel fiscalizatório dos parlamentares e que, na visão da Enel, o acordo celebrado junto ao Governo do estado já é resultante dos esforços da CPI. O Termo de Ajustamento de Conduta que foi firmado contém o plano da empresa para investimentos e melhorias na operação para os próximos três anos. Entre outras diretrizes, o acordo antecipa em quatro anos os investimentos que, no contrato inicial, estavam previstos para serem realizado até 2026.

O deputado Amilton Filho considerou como vago o acordo que, segundo ele, não consegue mensurar questões práticas. "Falta especificação das metas para cada região e principalmente prazo para cada avanço", criticou o parlamentar. Representante da região de Anápolis, Amilton também fez questionamentos sobre as obras da subestação Santana, que vai atender o município, e sobre as melhorias na rede elétrica necessárias à ampliação do Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia).

Após as cobranças, o parlamentar foi convidado a visitar as obras de Santana que, segundo o presidente José Luis Salas, já se encontram com mais de 80% dos serviços concluídos. 

Henrique Arantes relatou que uma das principais críticas da população ao trabalho da Enel é o atendimento. O presidente Salas reconheceu que nos meses de fevereiro e março houve uma falha no Call Center da empresa, que fez com que os clientes não conseguissem ser atendidos por um funcionário. Contudo, de acordo com o presidente, a questão foi resolvida em abril, quando também a empresa dobrou a quantidade de atendentes. 

O presidente da CPI também perguntou o que a Enel pretende fazer para melhorar os índices de ligação de energia nas propriedades rurais do estado, visto que há uma demanda reprimida em 67% das propriedades rurais do norte goiano e 33% da área rural do sul do estado. Salas apontou dificuldades para o atendimento dessa demanda, mas ressaltou que enquanto a Celg fazia 500 dessas ligações por ano, a Enel atualmente já consegue fazer 1.700 no mesmo período. Ele acrescentou que neste mês de outubro será concluída a licitação para materiais, equipamentos e todos os insumos necessários para que até 2022 seja possível realizar 10 mil ligações anuais. 

Os parlamentares solicitaram, ainda, que a empresa proíba que os cortes de energia por falta de pagamento ocorram às sextas-feiras e em vésperas de feriados, momentos em que os consumidores acabam ficando vários dias sem a possibilidade de pagar as contas em atraso para ter o pronto restabelecimento do serviço. 

Reclamações da Enel

Os dirigentes da Enel aproveitaram o encontro para demonstrar as dificuldades da empresa. O presidente Salas detalhou a intensidade da falta de mão de obra qualificada e de centros de formação de eletricistas em Goiás. A empresa afirma que já investiu 3 milhões de reais em ações de treinamento, incluindo parcerias com o Senai e construção de Centros de Formação. Mesmo assim o déficit de profissionais permanece preocupante e tem sido necessário trazer eletricistas de outros estados, como Maranhão e Pará. 


José Luis Salas também reclamou das condições em que se encontravam as instalações da Celg. "Havia um subinvestimento de mais de dez anos, o que impacta muito negativamente a capacidade de todo o sistema. Para corrigir esse atraso, estamos desenvolvendo ações para alcançar a estabilidade, a modernização, paralelamente ampliando para ter flexibilidade e aumento da capacidade. Essa grande quantidade de obras prejudica a operação do sistema, mas é necessária", explicou. 

Salas exemplificou que a subestação de Anápolis foi construída em 1974 com deficiências técnicas que hoje impactam drasticamente a qualidade do serviço. "No incidente do último sábado, um pássaro pousou e causou um curto. Sem ter para onde escoar a falha, transformadores foram queimados e o problema, que poderia ser simples e pontual se estendeu drasticamente pela falta da malha de terra. Essa subestação já deu o que tinha que dar", lamentou o presidente. 

Por fim, Salas lembrou que a Enel foi a única empresa a se apresentar para a compra da Celg. "A Enel foi a única que acreditou na segurança jurídica de Goiás e na capacidade de desenvolvimento desse estado que hoje é a nona economia do Brasil. Para continuar atuando, precisamos que seja restabelecida essa segurança jurídica", solicitou o presidente da Enel em referência às leis aprovadas pela Alego que alteram os créditos suplementares acordados no contrato da venda da Celg.

O presidente da CPI acolheu a reclamação dizendo que o diálogo está aberto para essa negociação. Ao fim da reunião, Henrique Arantes avaliou positivamente o encontro e se mostrou confiante quanto aos resultados práticos que podem ser obtidos nas negociações da CPI junto à Enel. Uma nova reunião ficou marcada para a manhã de quinta-feira, 31.  

Compartilhar

Nós usamos cookies para melhorar sua experiência de navegação no portal. Ao utilizar você concorda com a política de monitoramento de cookies. Para ter mais informações sobre como isso é feito, acesse nossa política de privacidade. Se você concorda, clique em ESTOU CIENTE.