Defensor Público ressalta existência do racismo estrutural no País
Durante a sessão especial em homenagem ao Dia Nacional da Consciência Negra, o defensor público Salomão Rodrigues da Silva Neto usou a tribuna para debater sobre o racismo estrutural que ele percebe na prática de seu exercício profissional. "Na minha atuação como defensor público, não é raro perceber, na dura prática, a realidade da desigualdade racial também vivida aqui no Estado de Goiás. Os corpos negros, especialmente os jovens, são o perfil mais frequente das vítimas de homicídio, são as principais vítimas da ação letal das forças de Segurança Pública e a parcela predominante da população carcerária. Goiás possui uma das maiores taxas de homicídio de mulheres negras. Além disso, negros e negras são os que mais sofrem com a deficiência estatal nos serviços básicos e, portanto, estão mais propensos a terem violados seus direitos fundamentais à saúde, à educação, ao transporte, entre tantos outros. Essa parcela da população goiana é essencialmente o perfil dos assistidos da Defensoria Pública. São, em sua maioria, negros em situação de vulnerabilidade socioeconômica construída pelo passado escravocrata brasileiro e que ainda produz diariamente novas escravidões", relatou o defensor.
Salomão também enalteceu as iniciativas da deputada Delegada Adriana Accorsi (PT) em promover o Dia da Consciência Negra. "Os acontecimentos que aqui ocorrem nesta semana, por iniciativa da nobre deputada, revelam uma postura antirracista e abolicionista, que deve ser levada a cabo por toda a sociedade brasileira, ainda tão marcada pelo racismo estrutural", elogiou o defensor, que concluiu seu pronunciamento elencando as ações da Defensoria Pública goiana em prol da igualdade étnico-racial no País.
Por iniciativa da parlamentar petista, serão entregues, na solenidade desta quinta-feira, 21, o Certificado de Honra ao Mérito Legislativo e a Medalha do Mérito Legislativo Pedro Ludovico Teixeira a personalidades que se destacaram e contribuíram para a luta do povo negro.