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Dia Nacional da Consciência Negra

21 de Novembro de 2019 às 22:05
Crédito: Sérgio Rocha
Dia Nacional da Consciência Negra
Sessão especial em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra
Em comemoração à data, a Casa concedeu medalhas e Certificados de Mérito a personalidades que contribuíram para a luta do povo negro. Por iniciativa da deputada Adriana Accorsi, o evento foi realizado nesta quinta-feira, 21.

Por iniciativa da deputada Delegada Adriana Accorsi (PT), a Assembleia Legislativa realizou sessão especial dedicada ao Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro. Na ocasião, foram entregues o Certificado de Honra ao Mérito Legislativo e a Medalha do Mérito Legislativo Pedro Ludovico Teixeira a personalidades que se destacaram e contribuíram para a luta do povo negro em Goiás, entre elas, a advogada Marinete da Silva, mãe da vereadora Marielle Franco. O evento teve lugar no Plenário Getulino Artiaga, na noite desta quinta-feira, 21.

Fazem parte da mesa diretiva, além da parlamentar que preside a sessão: o secretário municipal de Direitos Humanos e Políticas Afirmativas, Filemon Pereira Miguel, representando o prefeito Iris Rezende (MDB); o defensor público do Estado de Goiás e membro da Comissão de Igualdade Étnico Racial da Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos, Salomão Rodrigues da Silva Neto. E ainda, os três homenageados com a Medalha do Mérito Legislativo: Eliana Regina da Silva Turchetti; Marinete da Silva e Valdecy Ferreira Batista.

Adriana Accorsi proferiu o primeiro discurso da tribuna, registrando da sua satisfação em homenagear mulheres e homens que lutam contra a discriminação, o preconceito, o racismo, e que promovem, com seus trabalhos, a luta do povo negro no Estado de Goiás, fortalecendo a busca pela igualdade.

“Durante esta semana de arte negra que promovemos aqui na Assembleia Legislativa, tem sido preciso ressaltar a luta contra o preconceito. Como diria Marielle Franco, vereadora do Rio de Janeiro silenciada a tiros no ano passado, "o corpo negro é elemento central na reprodução de desigualdades. Está nos cárceres repletos, nas favelas e periferias designadas como moradias". Marielle foi executada, mas está presente em cada um de nós que luta pelo fim dessa desigualdade”, destacou Adriana Accorsi.

Ainda, a parlamentar lembrou que, nesta semana, houve episódios de racismo em Goiás, que ganharam as manchetes dos jornais. O primeiro, apontou a deputada, partiu de um radialista esportivo que se sentiu no direito de ir às redes sociais cometer o crime de injúria racial contra a jornalista Maria Júlia Coutinho, a Maju Coutinho. “Não satisfeito, ainda escancarou sua homofobia contra nosso talentoso apresentador do Jornal Anhanguera segunda edição, Matheus Ribeiro. Nossa solidariedade também ao Matheus”, emendou.

Por fim, Adriana Accorsi enfatizou a necessidade de se discutir a luta pela existência do negro do século 21 no Brasil. Segundo ela, dados do IBGE alertam que a taxa de homicídios contra jovens negros ou pardos foi de 98,5% em 2017, ou seja, de cada 100 mortos no Brasil ano retrasado, 98 eram negros ou pardos. “A população negra é a maior vítima de homicídios no Brasil”, apontou.

Na opinião dela, está no comando do País um presidente racista, homofóbico, retrógrado, que vem promovendo um desmonte do Estado, retirando direitos fundamentais com as reformas trabalhista e previdenciária, e através de medidas provisórias e de projetos que só aumentam a desigualdade social. “A arbitrariedade é a marca deste governo que incita o ódio. Ódio ao diferente. O ódio ao povo negro. Ódio aos LGBTQIA+. À massa trabalhadora. À mulher independente. Aos pobres”, concluiu.

Agradecimento

O defensor público Salomão Rodrigues da Silva Neto usou a tribuna para abordar o racismo estrutural que ele percebe na prática de seu exercício profissional. "Na minha atuação como defensor público, não é raro perceber, na dura prática, a realidade da desigualdade racial também vivida aqui no Estado de Goiás. Os corpos negros, especialmente os jovens, são o perfil mais frequente das vítimas de homicídio, são as principais vítimas da ação letal das forças de Segurança Pública e a parcela predominante da população carcerária. Goiás possui uma das maiores taxas de homicídio de mulheres negras.  Além disso, negros e negras são os que mais sofrem com a deficiência estatal nos serviços básicos e, portanto, estão mais propensos a terem violados seus direitos fundamentais à saúde, à educação, ao transporte, entre tantos outros. Essa parcela da população goiana é essencialmente o perfil dos assistidos da Defensoria Pública. São, em sua maioria, negros em situação de vulnerabilidade socioeconômica construída pelo passado escravocrata brasileiro e que ainda produz diariamente novas escravidões", relatou. 

Salomão também enalteceu as iniciativas da deputada Delegada Adriana Accorsi em promover o Dia da Consciência Negra. "Os acontecimentos que aqui ocorrem nesta semana, por iniciativa da nobre deputada, revelam uma postura antirracista e abolicionista, que deve ser levada a cabo por toda a sociedade brasileira, ainda tão marcada pelo racismo estrutural", elogiou o defensor, que concluiu seu pronunciamento elencando as ações da Defensoria Pública goiana em prol da igualdade étnico-racial no País. 

A advogada Marinete da Silva, mãe da vereadora Marielle Franco, ocupou a tribuna em nome dos homenageados da sessão especial em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra. Marinete falou da honra e orgulho que sente em receber comenda da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás, frisando a importância de solenidades como esta como uma forma de comunicar e conscientizar, sempre, que racismo é crime, precisa ser combatido e denunciado.

“Minha filha teve sua vida ceifada no exercício do seu trabalho como parlamentar. E, por isso, aqui nesta Casa de Leis, eu me vejo na obrigação de clamar por justiça, pela minha filha e por todas as mulheres que sofrem violência no Brasil. Meu coração de mãe fica acalentado ao ver as homenagens à Marielle. É preciso combater o racismo e o preconceito no nosso País. Estou muito grata e honrada por essa homenagem. Marielle presente sempre”, finalizou.

Homenageados com o Certificado de Honra ao Mérito Legislativo

Adelma Martins da Silva
Aldair Dias de Sousa
Alexandre de Oliveira
Aparecido Ferreira da Silva
Carlos Augusto dos Santos Alves
Cecília Maria Vieira
Daíza Souza Santos Ferreira
Daniela Cristina Fernandes França
Deuzilia Pereira da Cruz Cruvinel
Dilmo Luis Vieira
Edelzuita dos Santos Souza
Eduardo Dias dos Santos
Elton Pereira de Brito
Erotides Ferreira de Morais Porfírio
Francislene Teles Almeida Cardoso
Fúlvio Félix Silva
Iaracélia Leal de Souza
Iêda Leal de Souza
Isabel Cristine Dias dos Santos
Ivana Claudia Leal de Souza
Janira Sodré Miranda
Jordana Luz Avelar
José Soares Gomes
Karla Leal Amorim
Leandro Rodrigues dos Santos
Lidia Maria do Nascimento
Lucilene Vitório
Luiz Lopes Machado
Maria Mendes Pereira da Silva
Marlene Aparecida Gonçalves
Marta Ivone de Oliveira Ferreira
Maxcilene Elias Luciano
Maximira Alves Luciano
Nádia Beatriz Martins Garcia Pereira
Nirce Pereira dos Santos
Paulo Renato Vitória
Sandro Paulo de Almeida
Scheilla de Moura Alves
Thayná Janaina Soares Nazareth
Umbelina Félix Silva
Valdise Ângela de Abreu
Valéria Eurípedes Sousa Santos Oliveira
Wilton John dos Santos Silva

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