Leitura para todos
A Escola do Legislativo apresentou, na tarde desta sexta-feira, 29, o dispositivo com tecnologia assistiva, recentemente adquirido pelo Parlamento, para possibilitar o acesso das pessoas com deficiência visual ou dificuldade de leitura aos conteúdos escritos disponíveis em bibliotecas públicas.
A aquisição do dispositivo de visão artificial faz parte do projeto “Leitura para todos”, uma iniciativa da Mesa Diretora da Alego, presidida pelo deputado Lissauer Vieira (PSB), e que é planejada e executada pela Diretoria de Planejamento Estratégico, em conjunto com a Escola do Legislativo, comandadas por André Ariza e Teófilo Luiz, respectivamente.
De acordo com Ariza, o equipamento ficará disponível para ser utilizado na sala de leitura da Escola do Legislativo e, a princípio, atenderá a servidores e a Associação dos Deficientes Visuais do Estado de Goiás (Adveg). Vale lembrar que, em junho deste ano, Alego e Adveg assinaram um termo de cooperação técnica visando o intercâmbio de informações e experiências entre elas.
Ariza ressalta ainda que, além de ser pioneira em Goiás na implementação do projeto, a Assembleia quer ser uma disseminadora da iniciativa e levá-la de forma efetiva aos municípios goianos. “A nossa finalidade é resgatar a cultura da leitura e, também contribuir ainda mais para a inclusão do deficiente visual na sociedade. Um dos nossos objetivos é sensibilizar os deputados para que, por meio das emendas parlamentares,levem o dispositivo às bibliotecas públicas do estado”.
Após testar o equipamento, o presidente da Associação dos Deficientes Visuais do Estado de Goiás (Adveg), Aldenor Carneiro dos Santos, relatou sua experiência à Agência Assembleia de Notícias. “Já conhecia, pois sou bastante interessado em tecnologia. Gostei muito de usar o aparelho e acho que ele pode contribuir bastante com as diferentes atividades. Penso que ainda é comercializado a um custo muito elevado para a realidade dos brasileiros. No entanto, reconhecendo sua importância, espero que o poder público possa contribuir para viabilizar o acesso a este equipamento fantástico”, declarou.
Outra a testar o produto foi a auxiliar de biblioteca, Ana Luiza Alves da Cunha. Ela, que também possui parte de sua visão comprometida, carrega uma lupa na bolsa e recorre ao instrumento para ler, ainda que com dificuldade. “O óculos é muito bom. Seria muito importante no meu dia a dia, já que costumo ter dificuldade para ler placas nas ruas ou fachadas de lojas e restaurantes. Espero que as pessoas possam usá-lo para estudar para concursos, ler a nossa Constituição e fazer outras atividades”, disse.
Tecnologia israelense
O nome técnico do óculos recém-adquirido é OrCam MyEye 2.0. Ele se resume a um dispositivo portátil de visão artificial que permite que pessoas com deficiência visual compreendam textos, identifiquem objetos e reconheçam faces por meio de feedback de áudio, descrevendo o que não conseguem ver.
A tecnologia, criada por uma empresa israelense, tem o objetivo de auxiliar pessoas com deficiência visual, déficit de atenção e dislexia. O dispositivo, que consiste em uma pequena câmera acoplada às hastes dos óculos, também possui reconhecimento automático em tempo real de códigos de barras, cores e cédulas de dinheiro, além de informar a hora sempre que o usuário fizer o gesto de olhar para pulso, como se estivesse com um relógio.
O equipamento lê textos em qualquer superfície, como tela de celular e jornais, e funciona totalmente off-line, ou seja, não precisa estar conectado à internet. O dispositivo custa, em média, R$ 19.900,00 no Brasil.