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Saúde mental e trabalho

02 de Dezembro de 2019 às 11:48
Crédito: Carlos Costa
Saúde mental e trabalho
Debate sobre saúde mental dos docentes e dos profissionais de segurança pública
Comissão de Educação, Cultura e Esporte da Alego debateu o tema específico aos professores, na manhã desta segunda-feira. À tarde o debate tem sequência discutindo a saúde mental dos profissionais da segurança pública.

A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) realizou audiência pública na manhã desta segunda-feira, 2, no auditório Solon Amaral, para debater o tema: saúde mental e estresse dos profissionais da educação. O encontro foi presidido pelo deputado Coronel Adailton (Progressistas), vice-presidente da Comissão de Educação Cultura e Esporte da Alego.

“É um assunto pertinente e é importante que o debate seja transformado em ações, para que saia do papel atitudes para melhorar a condição de trabalho e de vida dos docentes. Sabemos que o trabalho dos educadores, professores é estressante, porque não para no fim das 30 ou 40 horas semanais”, afirmou Coronel Adailton. Ele espera que as propostas apresentadas sejam convertidas rapidamente em ações para solucionar esse grave problema na área da educação.

Além do parlamentar, compuseram a mesa dos trabalhos: Wadson Arantes Gama, presidente do Conselho Regional de Psicologia da 9ª Região; psicóloga Jackeliny Dias da Silva,  mestrado pela Universidade Federal de Goiás (UFG); professora Adriana Sadoyama, escritora e orientadora do Mestrado da UFG; e Jaqueline Rocha Cornetti Vale, gerente de Segurança e Saúde do Servidor, representante da Secretaria Estadual de Educação (Seduce).

Primeiro convidado a fazer uso da palavra, Wadson Arantes expôs a importância do investimento na saúde mental dos professores. “Tratar desses profissionais não é gasto, mas, sim, investimento, sobretudo na qualidade do futuro da sociedade. E está na hora de fazermos o enfrentamento do adoecimento dos professores; de assumirmos a importância desses professores e do sofrimento mental, que não é culpa do sujeito, mas do sistema no qual esse sujeito está inserido”.

Em seguida, Jackeliny Dias fez uma exposição de sua pesquisa de mestrado, pela UFG, que mostra o adoecimento docente relacionado ao estresse. Realizada na cidade de Catalão, em oito escolas estaduais, a pesquisa foi feita com aproximadamente 200 participantes. Ela afirmou que o trabalho mostrou que 80% dos entrevistados estavam sob alguma das fases do estresse. Destes, 53% afirmaram que o estresse era oriundo do trabalho. “Os números mostram um percentual muito alto de estresse nesses profissionais que se encontram em estado de adoecimento”, afirmou.

Depois, a professora Adriana Sadoyama deu continuidade à exposição, mostrando dados que confirmam o impacto do adoecimento dos profissionais da educação. Alguns números mostrados revelam que 60% dos professores de Goiás sofrem de ansiedade e estresse; 66% de fraqueza, incapacidade ou medo de trabalhar e 87% acreditam que os problemas físicos são causados por estresse do trabalho. “O relatório da Organização Mundial de Saúde, na declaração Alma-Ata, mostrou que 60% dos professores de Goiás estão em processo de adoecimento mental devido ao estresse. O sintoma principal é a exaustão expressa pelos professores”, frisou.

Segundo a professora, esses problemas causam impacto direto na gestão das escolas e no ambiente educacional, causando inclusive prejuízos financeiros devido ao afastamento de professores de suas atividades. “Sugerimos que seja feito um mapeamento em Goiás para termos maiores indicadores, a fim de que possam ser elaborados programas específicos de prevenção e fortalecimento do profissional de educação, além da gestão, criar uma cultura de qualidade de vida para esses professores”, sugeriu.

Representante da Seduce, Jaqueline Rocha Vale também falou durante a audiência pública que discute a saúde mental dos professores, que aconteceu nesta manhã. Ela afirmou que o mapeamento de dados concretos são de extrema importância para que ações de soluções sejam feitas de forma afirmativa. “Falar de educação mexe com a minha memória afetiva, pois meu coração pulsa pedagogia, a educação me fez ser quem sou. Eu estou muito satisfeita em poder contribuir para que cresçamos nesse aspecto. Estamos trabalhando para melhorar as condições de trabalho dos profissionais da educação, não apenas dos nossos prédios, mas também da qualidade de vida dos profissionais”, disse.

E, após um debate que considerou proveitoso, sobretudo na união de forças do Executivo e Legislativo para enfrentar e solucionar esses problemas, o deputado Coronel Adailton declarou encerrada a audiência pública. O parlamentar lembrou que a iniciativa terá sequência no período da tarde, a partir das 14 horas, para debater a saúde mental dos profissionais da segurança pública.

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