Ícone alego digital Ícone alego digital

Saúde mental e trabalho

02 de Dezembro de 2019 às 18:35
Crédito: Carlos Costa
Saúde mental e trabalho
Debate sobre saúde mental dos docentes e dos profissionais de segurança pública
Saúde mental dos profissionais da segurança pública foi o tema da audiência pública realizada nesta segunda-feira, 2, na Alego, de iniciativa do deputado Coronel Adailton, vice-presidente da Comissão de Educação.

O tema “Saúde mental dos profissionais da segurança pública” esteve em debate durante audiência pública realizada na tarde desta segunda-feira, 2, no auditório Costa Lima da Assembleia Legislativa. Pela manhã, temática semelhante foi abordada, mas com foco em profissionais da educação. A iniciativa foi do vice-presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esporte, deputado Coronel Adailton (Progressistas).

No evento do período vespertino, a mesa dos trabalhos, que foi presidida pelo parlamentar, também foi composta pelas seguintes autoridades: presidente da Associação dos Oficiais da Polícia e do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (Assof-GO), coronel Anésio Barbosa; comandante do Hospital da Polícia Militar (HPM), coronel Paulo Inácio; neuropsicóloga e diretora da Divisão de Proteção à Saúde do Servidor da Polícia Civil, Eliane Beppu; representante da Diretoria-Geral de Administração Penitenciária, Ana Maria Távora; e a representante da Guarda Civil Metropolitana de Goiânia, Patrício dos Anjos.

As palestras e intervenções ficaram por conta do psicólogo e pesquisador Bruno Marinho, que é mestre e doutor em ciências, com formação em neurociências; da tenente-coronel Miriam Bueno, representante do Departamento de Psicologia da Saúde Mental dos profissionais de Segurança Pública da Polícia Militar de Goiás (PM-GO); da neuropsicóloga Eliane Beppu; e da psicóloga com experiência em psicologia jurídica Paloma Câmara, que abordou um caso prático exitoso realizado em uma unidade prisional de segurança máxima no estado da Paraíba.  

Ao fazer balanço das audiências públicas, Coronel Adailton ressaltou que índices alarmantes divulgados pela imprensa sobre problemas relacionados à saúde mental de profissionais das áreas de educação e segurança pública e, também, a convivência com os mesmos, chamaram a atenção dele para a necessidade de uma discussão na Alego.

Conforme o deputado, a finalidade é aproveitar as contribuições geradas com o debate para que a Assembleia, em parceria com universidades e sociedade civil, pensem políticas públicas que colaborem para a saúde mental dos servidores dessas duas classes. “Temos que enfrentar esse problema. Precisamos encontrar soluções para tratar a saúde mental dos nossos profissionais de educação e de segurança pública, pois assim estaremos tratando, indiretamente, a saúde mental da população do estado de Goiás, pois são duas áreas que representam grande parte da sociedade goiana”, disse.

Intervenções

De acordo com dados trazidos pelo psicólogo e pesquisador Bruno Marinho, estima-se que a depressão atinja 4,4% da população mundial. Na América Latina, a segunda maior prevalência da doença ocorre no Brasil, correspondendo a 5,8% da população, ou seja 11,5 milhões de pessoas. Segundo Marinho, o Brasil também sofre uma epidemia de ansiedade: 9,3% da pulação tem a doença, o que corresponde a um total de 18,6 milhões de pessoas.

O palestrante também apresentou um estudo realizado pelo portal de notícias G1. Com os dados da transparência pública, a reportagem mostrou um levantamento de como anda a saúde mental dos policiais militares em todo o Brasil, com foco principal naqueles que trabalham diretamente com conflito. Descobriu-se que pelo menos 43 PMs são afastados por dia por transtornos psiquiátricos.  

“O estado mental afeta o desempenho no trabalho. As forças policiais têm um grave problema que é a pressão mesmo fora do trabalho. Ele não deixa de ser policial e convive com essa pressão 24 horas por dia”, mostrou. Marinho apresentou, ainda, um programa voltado para a saúde mental das forças policiais, com foco em resiliência, controle de estresse e qualidade de vida, para prevenção de estresse e adoecimento ocupacional.

Por sua vez, a tenente-coronel Miriam Bueno explicou a relação entre a identidade policial e os problemas que os profissionais sofrem no dia a dia para lidar com a pressão do trabalho. “O sofrimento pode virar uma patologia, quando não há espaço para a escuta e o tratamento, isso vira uma doença pior. Há uma relação de preconceito também, muita pressão sobre os policiais que não podem ter fraquezas e acabam não expondo o problema”, argumentou.

Na perspectiva da tenente-coronel, a relação entre o adoecimento físico e psíquico é facilmente identificada. “Pensar em saúde mental é uma questão de toda a Polícia Militar e Civil. Todos têm que ajudar a desenvolver estratégias para combater esse quadro”, afirmou.

Para a neuropsicóloga Eliane Beppu, é dever do profissional cuidar da saúde do colega. Entretanto, ao analisar os números, ela identifica um grande problema de medo e preconceito na busca por ajuda profissional. “Por mais que a gente vá nas unidades e traga os servidores para as unidades de tratamento, há uma enorme resistência na busca por ajuda. Essa é uma das maiores barreiras que temos que sobrepor, precisamos encorajar esse servidor a procurar ajuda”, ressaltou.

Compartilhar

Nós usamos cookies para melhorar sua experiência de navegação no portal. Ao utilizar você concorda com a política de monitoramento de cookies. Para ter mais informações sobre como isso é feito, acesse nossa política de privacidade. Se você concorda, clique em ESTOU CIENTE.