Parlamentares buscam reconhecimento para manifestações culturais em Goiás
As manifestações culturais são um tema que tem merecido a atenção dos parlamentares goianos. Tramitam na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) os processos nº 7254/19, de autoria do deputado Delegado Humberto Teófilo (PSL), e o de nº 5718/19, do tucano Diego Sorgatto. As matérias tratam respectivamente de declarar a gastronomia e cultura do Festival Italiano de Nova Veneza e do reconhecimento da Festa do Divino Espírito Santo, que acontece no município de Cristalina, como patrimônio cultural. As proposituras tramitam na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) com parecer favorável à aprovação.
Segundo Sorgatto, “as manifestações populares de natureza folclórica e religiosa do município de Cristalina e, por extensão, do povo goiano, são por demais conhecidas como relevantes no processo histórico e cultural do Estado de Goiás”, ressalta. O parlamentar ainda defende que tais mostras são primordialmente fundamentais em raízes tradicionais preservadas de geração em geração, estendendo-se, portanto, ao longo de muitos anos como comportamento identificador de uma trajetória rica assentada em hábitos e costumes que se somam em atos e ações culturais e de religiosidade.
Para o legislador, é importante registrar que a cultura, em suas mais variadas formas, deve ser encarada como um dos símbolos da identificação de um povo, de uma comunidade, de um país. “Na visão antropológica é um instrumento que se reflete as relações individuais e comunitárias. Num sentido mais amplo, a cultura é um conjunto de práticas sociais, educacionais, econômicas, políticas, religiosas, intelectuais, artísticas, dentre outras, que definem o caráter de um povo forjando a sua história”, ressalta.
Diante do exposto, o deputado salienta ainda que “a Festa do Divino Espírito Santo é um culto ao Espírito Santo, em suas diversas manifestações, e uma das mais antigas e difundidas práticas do catolicismo popular que se enraizou na cultura cristalinense”.
Na visão do parlamentar, o Poder Público e a sociedade num todo devem se unir em prol da proteção e valorização das manifestações culturais populares, seguindo os princípios norteados pela Constituição Federal. Nesse sentido, dispõe que "o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais", finaliza.
Festival Italiano
Humberto Teófilo, ao defender a proposta de reconhecimento do Festival Italiano de Nova Veneza, ressalta a história da vinda dos italianos que formaram o vilarejo em Goiás, no início do século 20. “As dificuldades da I Guerra Mundial na sobrevivência do europeu despertaram nesse povo o sonho de fazer a vida na América. No Brasil, o fim da escravidão dos negros abriu oportunidade para trabalhadores experientes e detentores de técnicas mais avançadas”, diz o parlamentar.
Segundo o deputado, foi esse o contexto que atraiu João, Cesário e Joaquim Stival, que saíram da região de Treviso, Itália, para São Paulo, no ano de 1911, onde trabalhariam em lavoura de café. "Pouco tempo após se instalar, descobriram que em Goiás havia terras boas e com valor acessível”, conta, relembrando que, em 1924, esses pioneiros adquiriram 362 alqueires de uma propriedade rural na região de Nova Veneza e instalaram-se com a família e amigos. Posteriormente, outras famílias italianas migraram para a região e o lugar ficou conhecido como "Colônia dos Italianos." Em 1958, a colônia tornou-se município, batizado de Nova Veneza.
O parlamentar situa que o município é localizado a aproximadamente 40 km da capital e com 10 mil habitantes. “O local abriga memórias que compõem a história da ocupação italiana do Brasil”. Com cerca de 60% dos moradores do município de descendência italiana, o Festival Italiano de Nova Veneza surgiu para enaltecer valorizar sua origem e costumes, resgatando, assim, a gastronomia e cultura.
O evento gastronômico é enriquecido com manifestações culturais, incluindo músicas, danças típicas, apresentações de corais, lançamento de livros literários, cinema italiano (em parceria com a Embaixada Italiana), entre outras. “Diante disso, temos que o patrimônio, seja material ou imaterial, é o reflexo da identidade de um povo. Representa tudo o que deve ser preservado, tombado, registrado, revitalizado, ou seja, tudo o que não deve ser esquecido, procurando sempre mantê-lo em movimento, vivo e presente”, reconhece.
Ao finalizar, Teófilo ressalta que a festividade, realizada há 16 anos, já ultrapassa um público de 110 mil pessoas, e é reconhecida como um dos maiores festivais temáticos do País, o que a torna obrigatória no calendário anual do município.