Repatriados em Anápolis
O município de Anápolis atraiu olhares do mundo inteiro desde que aceitou o chamado do governo federal para abrigar, na Base Aérea da cidade, o grupo de 34 pessoas que estavam em Wuhan, na China, epicentro da epidemia do novo coronavírus.
Desde o anúncio da escolha da cidade goiana para abrigar os repatriados durante 18 dias, o assunto tem causado polêmica e dividido opiniões.
Uma nota do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Sandro Mabel, criticou o Governo goiano por aceitar que a quarentena dos repatriados fosse realizada em Anápolis. Mabel acredita que o estado pode ser prejudicado com impacto negativo na economia.
Na Assembleia Legislativa, dois deputados que representam o município discordam desse posicionamento. Amilton Filho (Solidariedade) lembra que Anápolis não se candidatou para receber os repatriados, mas, ao ser escolhida, cumpriu seu papel em estender a mão aos brasileiros. “Não podemos fugir da luta e negar a ajudar os brasileiros. Temos que fazer nosso papel garantindo o máximo de segurança para todos”.
O parlamentar conta que esteve na Base Aérea, acompanhou as vistorias e conversou com ministros para entender o protocolo de segurança e garantir que todas as medidas necessárias estavam sendo tomadas.
Coronel Adailton (Progressistas), outro parlamentar que representa a cidade, comunga da mesma opinião. “É uma questão humanitária. Eu sou militar, conheci a farda na própria Base Aérea onde servi, e para mim, não ajudar esses brasileiros seria a mesma coisa que deixar para trás um irmão ferido na guerra”, comparou.
Para o deputado, as críticas são fruto de desinformação e maldade. “Algumas pessoas mal esclarecidas ou que tratam do assunto com maldade não entendem que na Base Aérea é o local menos provável de transmissão do vírus por ser um local extremamente controlado, ao contrário dos aeroportos internacionais, por exemplo”.
Os parlamentares elogiaram a estrutura montada para receber os brasileiros, garantindo a segurança de todos. “Quartos apropriados para famílias com crianças, monitoramento 24 horas por dia, aeronaves de alerta prontas para deslocarem para o Hospital das Forças Armadas, mas temos confiança de que não será necessário”, pontuou Adailton. A Agência Assembleia de Notícias não conseguiu contato com o deputado Antônio Gomide (PT), que já foi prefeito de Anápolis.
Os repatriados chegaram em Anápolis na madrugada do último domingo, 9, onde devem permanecer até dia 27.