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Relator pede que inclusão do festival de Nova Veneza como patrimônio cultural seja analisado pela Secretaria e Conselho de Cultura

13 de Fevereiro de 2020 às 15:25

O projeto de lei nº 7254/19, de autoria do deputado Delegado Humberto Teófilo (PSL), que visa declarar como patrimônio imaterial cultural a gastronomia e cultura do Festival Italiano de Nova Veneza, deverá ser encaminhado para análise e manifestação da Secretaria de Estado de Cultura e do Conselho Estadual de Cultura para posterior prosseguimento, ou não, da matéria na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego). Isto é o que pede o parecer sobre a matéria apresentado pelo deputado Amilton Filho (SD).

O relatório já foi colocado em votação em dezembro, mas teve sua apreciação prejudicada por ter recebido pedido de vista da deputada Lêda Borges (PSDB). O mesmo deverá agora ser colocado em votação, para apreciação dos integrantes da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), na segunda quinzena deste mês de fevereiro.

O festival italiano de Nova Veneza é rico em manifestações culturais, incluindo músicas, danças típicas, apresentações de corais, lançamento de livros literários e cinema italiano. De acordo com o Teófilo, cerca de 60% dos moradores têm descendência italiana, e o festival foi criado justamente para enaltecer e valorizar a cultura dos moradores, resgatando, inclusive, a gastronomia.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) define como patrimônio as práticas, representações, expressões, conhecimentos e técnicas, junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados, e que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem a arte integrante de seu patrimônio cultural. Nesse sentido, através da proposta, a festa gastronômica de Nova Veneza, que é realizada há 16 anos, constituindo-se numa das maiores da região Centro-Oeste, e um dos maiores festivais temáticos do País, pode ser incluída na categoria de patrimônio cultural imaterial, tornando a data obrigatória no calendário anual do município. Na justificativa da matéria, o deputado afirma que um público superior a 110 mil pessoas participa da festa gastronômica.

Para se tornar lei, a matéria precisaria, além de receber o aval das Comissões da Casa, ser aprovada em dois turnos em Plenário e, posteriormente, receber a sanção do Governador.

História

Com mais de 10 mil habitantes, e situada a 40 quilômetros de Goiânia, Nova Veneza abriga memórias que compõem a história da ocupação italiana do Brasil. Na justificativa do projeto, Humberto Teófilo também destaca que as dificuldades da I Guerra Mundial fizeram com que muitos europeus deixassem o continente em busca de paz e trabalho.

Delegado Humberto Teófilo salienta que, com o fim da escravidão no Brasil, surgiram oportunidades para trabalhadores experientes e detentores de técnicas mais avançadas. “Foi esse contexto que atraiu João, Cesário e Joaquim Stival, que saíram da região de Treviso, na Itália, para São Paulo, no ano de 1911, onde trabalhariam em lavoura de café.” Pouco tempo depois, segundo afirma o deputado, os italianos descobriram que em Goiás havia terras boas e com valor acessível. Então, em 1924, adquiriram 362 alqueires de uma propriedade rural na região de Nova Veneza e instalaram-se com a família e amigos. Posteriormente, outras famílias italianas migraram para a região e o lugar ficou conhecido como "Colônia dos Italianos". Em 1958, a colônia tornou-se município, batizado de Nova Veneza.

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