1ª sessão ordinária de 2020
A sessão ordinária dessa terça-feira, 18, foi marcada por diversos discursos de parlamentares, durante a votação da Ordem do Dia, que contava com uma pauta de 33 processos legislativos, todos do Executivo, sendo 29 vetos integrais e 4 parciais. Em sua maioria da oposição, as falas foram relacionadas ao discurso do governador Ronaldo Caiada (DEM), na sessão solene de instalação do segundo ano da 19ª Legislatura, na tarde de ontem.
Outro fato que chamou a atenção foi a mudança para a bancada da oposição ao Governo, dos deputados Major Araújo (PSL), Delegado Humberto Teófilo (PSL) e delegado Eduardo Prado (PV), insatisfeitos com a política de Caiado e o tratamento do mesmo para os parlamentares.
Discussões
Todos os parlamentares que subiram à tribuna nessa tarde, o fizeram durante a fase de discussão de matéria, mais especificamente, durante a apreciação ao veto da Governadoria do Estado ao projeto de lei nº 5693/18, de autoria do ex-deputado José Vitti. A votação do projeto ficou prejudicada por decurso de prazo e será votada na sessão de amanhã.
Primeiro a discursar na Ordem do Dia, o deputado Major Araújo (PSL) disse que ontem, ficou sufocado com o discurso do governador que, para ele, negou posições que defendeu durante a campanha política. O deputado criticou Caiado por prometer redução da alíquota do ICMS do combustível e agora ficar com outro discurso. “Não tem coisa mais cínica do que não assumir posição, o Caiado precisa assumir uma posição em vez de ficar em cima do muro nesse e em outros assuntos”, criticou Major Araújo.
Major Araújo disse que, na campanha, Caiado disse o tempo todo que iria valorizar os professores e os policiais e chegou “dando um pontapé” nos policiais e nos funcionários públicos de uma forma geral. “Em vez de valorizar a saúde, ele só quer valorizar os médicos, que são seus colegas de profissão, o resto dos servidores da saúde que se lasquem, eu e Caiado condenamos esse esquema de Organização Social e agora o Caiado mudou de ideia, enquanto eu fico com a mesma opinião da campanha, Caiado está ampliando a farra das OS em vez de podar, essa é a verdade”, finalizou.
A deputada Lêda Borges (PSDB) foi a segunda a subir na tribuna e também usou seu tempo para fazer críticas ao pronunciamento do Governador Ronaldo Caiado, na abertura dos trabalhos legislativos. “Aguardávamos um discurso conciliador de reconhecimento à importância do Legislativo para o superávit do Estado superior a R$ 6 milhões em 2019. Porém, mais uma vez, ouvimos um discurso hostil, ameaçador e prepotente do Chefe do Executivo”, lamentou.
Em contraposição ao balanço positivo do Governador em relação a educação e a saúde, a parlamentar questionou investimentos. “A educação está ótima com escolas fechadas, professores ganhando menos e nenhuma nova escola inaugurada?” ironizou. Em relação a saúde, Lêda cobrou a conclusão das obras do hospital de Águas Lindas e a retomada do processo de liberação de área pública para construção do hospital regional do entorno sul em Valparaíso. “Há um processo em andamento que precisa ser retomado”, pontuou.
Para finalizar seu pronunciamento a deputada questionou a aplicabilidade e execução de programas sociais e criticou a forma como Caiado se referiu às forças de segurança. “A minha polícia, meus policiais, meus homens. Essa fala demonstra o machismo do Governador que esqueceu de todas as mulheres que compõe as forças de segurança”, concluiu.
Ainda durante a votação do veto o deputado Alysson Lima (sem partido) direcionou duras críticas ao governador por seu discurso da tribuna, ontem. O parlamentar repudiou a mensagem do Chefe do Poder Executivo, considerada por ele irônica e desrespeitosa para com os integrantes da oposição.
“O Governador cometeu um erro gravíssimo ao vir aqui dizer que a oposição está aplaudindo suas decisões. Respeite o trabalho de um deputado estadual, o senhor tripudiou conosco aqui. Pintou um cenário de investimento e crescimento da economia enquanto a secretária informou que o Estado está fazendo menos de 1% do orçamento, o que é apenas um insumo. Alguém está mentindo, o Governador ou a secretária. Promover a transparência não é fazer política antropológica”, disse Alysson que conclamou os deputados da base a derrubar os vetos do Governo que trazem prejuízo à população como a questão dos pedágios.
O deputado também deu boas-vindas aos colegas Major Araújo e Humberto Teófilo, ambos do PSL, que passam a integrar a bancada de oposição este ano e disse ainda que os dois parlamentares vão somar muito por suas posições firmes. “Vocês foram usados pelo Governador o ano todo e depois foram injustiçados”, acrescentou, lembrando que na votação da reforma da Previdência já era esperado que até deputados da base poderiam se opor à alguns pontos propostos pelo Executivo.
Em seguida, o deputado Cláudio Meirelles (PDT) pediu a palavra para também desejar boas-vindas aos deputados Major Araújo (PSL), Delegado Humberto Teófilo (PSL) e Delegado Eduardo Prado (PV) que deixaram a base do governo Caiado para integrar o time de oposição ao governo.
“Tenho certeza que esses três deputados vão enriquecer muito os debates desta Casa”, considerou o parlamentar. Posteriormente, Cláudio rememorou a lealdade que o trio teve enquanto ainda compunha a base do governador. “Eles votaram 99% dos projetos do Governo. Assumiram desgastes e mesmo assim ajudaram o governador. Agora, cobrar que eles votem contra si, aí não tem jeito. Um é militar, dois são delegados, todos servidores públicos. Amanhã eles podem deixar de ser deputados e voltarem para suas pastas. Poderiam, neste caso, ser perseguidos pelos colegas, além de ficarem marcados pela história. O Governo deveria ter no mínimo compreensão”, lamentou.
Por fim, Meirelles disse que ao final de seu Governo, Caiado não poderá sequer andar pelas ruas de Goiás. “Ele brigou com todo mundo e certamente será xingado. Eu até orava por ele, mas ele não merece nem oração", pontuou antes de deixar a tribuna.
O último discurso da Ordem do Dia foi proferido pelo deputado Henrique Arantes (MDB), que também usou a tribuna para criticar o governador Ronaldo Caiado, e definiu o chefe do Executivo goiano como monarca absolutista. “Ontem, nós vimos o Governador trazer uma mensagem de guerra. Ele é um monarca absolutista, aquele que detém o poder para resolver tudo”, disparou.
Henrique Arantes ponderou a necessidade do exercício da democracia e chamou a atenção dos pares para fazer uso do poder que tem nas mãos. “Ele trata o Estado como propriedade. Ao dizer “minha polícia”, Caiado age como absolutista, não como democrata”, e continuou: “se tivéssemos unidade neste Parlamento, conseguiríamos colocá-lo em seu lugar. Porque somos detentores do Poder legítimo”, completou.
Para finalizar, o parlamentar disse: “não dá para admitir a hipocrisia e o falso moralismo do Governador. Ele que sempre criticou a perseguição e conchavos tem pesado a mão sobre quem tem convicções diferentes da dele. Não tem conteúdo é superficialista, assim como é o seu Governo”, finalizou.
Homenagem
Ainda no início da sessão, por solicitação do deputado Diego Sorgatto (PSDB), os deputados fizeram um minuto de silêncio em razão do falecimento do fotógrafo Yocihar Maeda (Maedinha). Servidor da Agência de Notícias da Alego, Maeda integrava o quadro de fotógrafos da Agência Assembleia de Notícias desde 1999 e iria, agora, entrar no gozo de sua aposentadoria.
Meda faleceu no dia 27 de janeiro, aos 67 anos de idade. Ele esteve internado no Hospital Araújo Jorge para tratamento de um câncer na bexiga. Maedinha deixou viúva Núbia Maeda de Sousa e duas filhas: Vanessa e Fernanda, além de dois netos Davi, de 9 anos; e Bento, de 1 ano.
Ao propor a homenagem, o deputado Diego Sorgatto lembrou a trajetória do funcionário, que sempre atendeu com presteza e dedicação todos os parlamentares, diretores e servidores do Poder Legislativo. "Onde o Maedinha se encontrava, era uma referência aos colegas de profissão e um profissional respeitado por todos os parlamentares".