Debates de parlamentares na sessão desta quarta-feira, 11, adiam para quinta-feira a votação da Ordem do Dia
A sessão ordinária dessa quarta-feira, 11, teve a votação da sua Ordem do Dia prejudicada pelas discussões parlamentares, durante a apreciação do projeto de lei nº 2715/19, de autoria do deputado Helio de Sousa (PSDB).
A matéria, que não entrou em fase de votação, por decurso de prazo, altera a Lei nº 16.140, de 02 de outubro de 2007, que dispõe sobre o Sistema Único de Saúde - SUS, as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização, regulamentação, fiscalização e o controle dos serviços correspondentes.
Após as discussões, o presidente em exercício, deputado Álvaro Guimarães (DEM), encerrou a sessão e transferiu a pauta da Ordem do Dia para a sessão de amanhã.
Discussões
Primeiro a subir na tribuna, o deputado Henrique Arantes (MDB) criticou o Governo por não tomar as providências necessárias para que o estádio Serra Dourada funcione adequadamente. Segundo ele, o local foi construído durante o governo de Leolídio Caiado e sempre sediou jogos, que vão da terceira divisão à seleção brasileira. “O estádio está sem condições de receber jogos porque não tem iluminação de led. Agora, como é que a gente vai receber o Flamengo, o Corinthians? Será humilhante ter de levar jogos de Goiânia para Brasília”, salientou.
Henrique Arantes comentou também sobre a pandemia de coronavírus, que está assustando o mundo. Segundo ele, não há motivos para pânico. “Temos que agir com responsabilidade. Aqui em Goiás não há ainda uma pandemia. Assisti algumas entrevistas de médicos especialistas e eles falam que a chance de haver mutação do vírus e ele se tornar algo fora do controle é nenhuma. Com a gripe espanhola, gripe aviária e gripe suína foi do mesmo jeito”, assinalou.
Segundo a discursar na Ordem do Dia, o deputado Cláudio Meirelles (PTC) disse que o governador Ronaldo Caiado (DEM) “se recusa a pagar o piso salarial dos professores e agora gasta R$ 1,2 milhão para comprar vinhos e sucos”. “Acima de qualquer questionamento, ele prometeu R$ 1 milhão para Inhumas e depois voltou atrás, mesmo com vídeos e áudios mostrando a sua promessa. Foi-se o tempo em que Caiado era um homem de uma palavra só”, completou.
Cláudio disse que Caiado também prometeu acabar com o preço de combustível mais caro do Brasil, reduzindo ICMS dos combustíveis, da energia elétrica e acabando com a bitributação. “Essa cadeira do Palácio das Esmeraldas contamina mais que o coronavírus; na oposição o Caiado era um e agora é outro”, afirmou.
Cláudio também criticou o temperamento do governador, dizendo que ele "não tem humildade alguma e sobra arrogância". Ele também parabenizou o deputado Delegado Humberto Teófilo (PSL), por agora estar na oposição. “Bem-vindo ao paraíso, porque aqui temos razão”, disse Cláudio. Por fim, ele reclamou que algumas regras não são cumpridas no plenário da Casa, como por exemplo votar projetos enquanto há vetos trancando a pauta.
Já o deputado Alysson Lima (Solidariedade) subiu à tribuna para fazer um desabafo e mostrar descontentamento com os colegas diante do baixo índice de aprovação de seus projetos.
No que ele classificou como uma tentativa de “despertar a consciência do coletivo”, Alysson ressaltou que sempre defende os projetos de iniciativa parlamentar, mas considera que suas matérias não têm a mesma receptividade por fazer parte da oposição.
“Dos quase 60 projetos que apresentei aqui apenas um foi aprovado, mas foi tratorado com o veto do Caiado depois. Como pode eu aqui defender projetos de todos os deputados enquanto os colegas ficam preocupados com as diretrizes do Governo e deixam de lado o projeto de um par pela tal da conveniência? ”, questionou.
Em seguida, o deputado Talles Barreto (PSDB) criticou a logística aplicada na pauta de votação e disse que a assessoria está contrariando o Regimento Interno. “Não podemos votar matérias antes de votar os vetos, muito menos votar vetos em bloco”, afirmou.
Na sequência, o deputado tucano citou Henrique Arantes (MDB), e descordou do posicionamento do colega em relação ao Coronavírus. “Deputado Henrique, discordo do posicionamento do senhor, porque o Coronavírus está deixando o mundo em pânico. A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou pandemia”, afirmou.
Em aparte, o deputado Alysson Lima (Solidariedade) informou que o governador Ronaldo Caiado (DEM) havia convocado reunião emergencial com os Poderes e profissionais da saúde, para tratar de medidas em relação à prevenção ao vírus.
Talles Barreto enfatizou que não se trata de falar dos 3% de pessoas mortas com a infecção. "Estamos falando dos mais de 10 mil brasileiros contaminados. Estamos falando de uma estrutura de saúde que não temos. É uma questão mundial”, completou.
Henrique Arantes pediu a palavra para dizer que a prevenção é uma das formas mais eficientes para barrar o vírus e reafirmou o receio de se instalar pânico na sociedade. “Insisto que não podemos criar pânico, porque há outras doenças que matam muito mais. O ideal é manter a higiene das mãos e evitar contato físico. É perigoso, mas não podemos instalar pânico”, contra-argumentou.
Talles citou o Paraguai como exemplo de compromisso social para barrar o vírus. O país tem um caso confirmado e está fechando as fronteiras para não alastrar a epidemia na sociedade. “O Paraguai está errado, ou nós estamos errados? Tem mais de mil casos suspeitos, 35 confirmados no Brasil”, justificou.
O parlamentar encerrou seu discurso parabenizando o governador pela iniciativa e demonstrou preocupação com aglomerado de pessoas. “Se o Caiado tomou essa medida é porque tem informações e sabe que precisa tomar providências”. E completou: “O surto vai chegar aqui, e qual medida iremos tomar? A saúde está abandonada, os cais estão largados. Nós temos que alertar como parlamentares e representantes de nossas regiões”, finalizou.