Eduardo Prado e Adriana Accorsi defendem pit-dogs como patrimônio estadual
Os deputados Delegado Eduardo Prado (sem partido) e Delegada Adriana Accorsi (PT) querem proteger os estabelecimentos comerciais denominados popularmente de pit-dogs como patrimônio goiano. Tramita na Casa, habilitados à distribuição, na Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ), os processos de nº 2018/20 e 2028/20, dos respectivos parlamentares.
Prado, em sua justificativa, assinala que o objetivo é registrar os pit-dogs (quiosques de lanches) como patrimônio histórico e cultural do estado, com a respectiva inscrição no livro de tombamento. “A alimentação é também uma abordagem para conhecer e entender a cultura e história da população brasileira. São Paulo tem a pizza e a coxinha. Curitiba, os tradicionais cachorros quentes, com uma ou duas vinas (como são chamadas as salsichas). Já em Goiânia, os pit-dogs - quiosques montados em praças que fazem sanduíches preparados na hora - são um dos principais símbolos da culinária de rua”, explica.
O parlamentar lembra que, há mais de 50 anos, os lanches feitos nesses locais ganharam o coração da população por serem bons, rápidos e baratos. "Sua história e originalidade compõem a identidade cultural do Estado de Goiás. Portanto, o tombamento tem o objetivo de reconhecer o valor histórico e cultural dos pit-dogs, transformando-os em patrimônio oficial público, conservando e protegendo”, pontua.
“Quando um bem é tombado, ele é inscrito em livro público, tornando, assim, de interesse social, sujeito a regime especial, ficando protegida contra destruição, deterioração ou utilização inadequada”, avalia o deputado, lembrando ainda que a preservação dos bens impede, principalmente, a sua destruição. "Portanto, aquele que ameaçar destruir um bem tombado estará sujeito a processo judicial, que poderá definir multas, medidas compensatórias, ou até a reconstrução do bem, como se encontrava na data do tombamento, de acordo com a sentença final do processo.”
Por sua vez, Adriana argumenta que o período tem sido crítico para proprietários de pit-dogs, que se veem ameaçados pela abertura de licitação, proposta por ação movida pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO), em que os conhecidos food trucks, principalmente vindos de outros Estados, ocupem os locais das tradicionais lanchonetes goianas e que, por isso, se perca parte da cultura de Goiás.
Hoje, são 1.602 pit-dogs em Goiânia e mais de 2.500 no estado de Goiás registrados no Sindicato de Proprietários de Pit-Dogs em Goiânia (Sinopitdog). A parlamentar prossegue ao relembrar a história das lanchonetes que há mais de cinco décadas ocupam praças e avenidas. Segundo ela, a terminologia pit-dog foi reivindicada como uma invenção goiana.
Mas de onde surgiu o nome pit-dog? Alguns acham que tem a ver com hot-dog, o cachorro quente americanizado, considerado o irmão do sanduíche. Já outros apostam na similaridade com a expressão pit stop, parada presente em corridas automobilísticas. “Na verdade, essa palavra é presente nos usos e costumes da população goianiense por gerações”, salienta a deputada
A petista defende que o objetivo é garantir o direito de milhares de cidadãos que tiram dos pit-dogs o sustento de suas famílias, e ainda, assegurar o lazer e o costume dos goianienses, ao regulamentar o tombamento dos estabelecientos em Goiás.
“Podemos citar algumas razões pelas quais os pit-dogs são um patrimônio cultural e gastronômico do Estado, pois são lugares totalmente democráticos, frequentados por todas as classes sociais; seus produtos são comercializados por um excelente custo-benefício; proporcionam um momento de lazer para as famílias, em pleno ar livre. Durante décadas fazem parte dos usos e costumes da população. São comércios que estão há décadas no mesmo ponto e já se incorporaram à paisagem, aos hábitos dos goianienses. O pit-dog faz parte de nossa constituição cultural.”