Parlamentares de vários partidos apresentam projetos para oferecer mais garantias para mulheres vítimas de violência
Matérias em trâmite no Legislativo goiano visam proporcionar maior garantias às mulheres vítimas de violência. Na pauta da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) dessa semana, estão os processos de autoria dos parlamentares Rubens Marques (Pros), Major Araújo (PSL) e Iso Moreira (DEM), protocolados respectivamente com os nºs 1991/20, 1995/20 e 2021/20.
Marques defende o direito de preferência das mulheres vítimas de violência doméstica à matrícula e a transferência dos filhos, ou de crianças e adolescentes sob sua guarda, nas escolas da Rede Estadual de Ensino de Goiás. “As mulheres vítimas de violência doméstica, principalmente, as que se encontram com medidas protetivas, tendem a sair de sua região, bairro ou cidade de origem, a fim de se afastarem do agressor. Com isso, as crianças acabam perdendo a vaga na escola onde estão matriculadas, ficando sujeitas, inclusive à perda de ano escolar”, explica.
Para o deputado, é de extrema importância este amparo por parte do poder público, a fim de que essas crianças, filhas das vítimas, tenham realmente prioridade para dar continuidade aos seus estudos.
Proteção armada
Já a propositura de Araújo, visa criar uma bolsa, no valor de R$ 2 mil, repassados em parcela única, para aquisição de arma de fogo de uso permitido, para a mulher vítima de violência.
Na redação da matéria, requisitos como comprovação de saúde psicológica e psiquiátrica, não possuir registro de passagem pela política pela prática de crime, além de preparo para manusear arma e habilitação em tiro, ministrado gratuitamente, pelo Estado, são alguns dos critérios para obter o benefício.
“A quantidade de crimes perpetrados contra a mulher, em decorrência da sua condição de desigualdade física, de maior fragilidade feminina, causa espanto e sensibiliza toda a sociedade goiana, que clama por medidas legais que contribua de fato para a minimização desses crimes”, assinala o parlamentar.
Araújo acentua que em muitos dos casos noticiados pela imprensa e comprovados por registros, as mulheres são perseguidas, agredidas, espancadas, mutiladas, queimadas e até assassinadas com registro na polícia e com medidas de segurança consigo. “Isso demonstra que todos os aparatos existentes ajudam, contudo, não resolvem esse grave problema”, enuncia.
Para o legislador, a matéria apresentada tem o objetivo de somar aos mecanismos já existentes, “proporcionando à mulher que está em iminente risco de sofrer feminicídio, meio material para que ela própria, como última e única alternativa efetive, diante da falha de todos os instrumentos legais, sua defesa própria, consoante permissivo legal”, garante Major.
A proposta apresentada por Moreira, tem o intuito de estabelecer o dia 9 de março, como Dia Estadual de Combate ao Feminicídio. O parlamentar justifica a escolha da data por se tratar do mesmo dia em que foi sancionada a Lei 13.104/15, que trata sobre o Feminicídio. O parlamentar enuncia, com base nos dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o assassinato de duas mulheres a cada duas horas no Brasil. “Isso implica no percentual de 4,3 mortes em cada grupo de 100 mil pessoas do sexo feminino”, assinala o democrata.