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Comissão de Educação debate, em audiência virtual, retomada responsável das aulas do ensino infantil em Goiás

03 de Junho de 2020 às 16:40
Crédito: Hellenn Reis
Comissão de Educação debate, em audiência virtual, retomada responsável das aulas do ensino infantil em Goiás
Comissão de Educação, Cultura e Esportes

O presidente da Comissão de Educação, Cultura e Esportes da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), deputado Talles Barreto (PSDB), presidiu na tarde desta quarta-feira, 3, reunião remota para debater a retomada responsável das atividades dos estabelecimentos educacionais de ensino infantil do estado.

Participaram do debate o presidente do Conselho Estadual de Educação (CEE), Flávio Roberto de Castro; a presidente do Conselho Municipal de Educação de Aparecida de Goiânia, Doralice de França Santos; a presidente do Conselho Municipal de Educação de Goiânia, Acácia Aparecida Bringel; o presidente do Conselho de Diretores das Escolas Municipais e CMEIs de Goiânia (Condir), Diego Monteiro Silva.

Além deles, também integraram o debate o representante do Poder Executivo, professor Weverton Júnior Guimarães; representante de Pais do Ensino Fundamental e Educação Infantil do Município de Goiânia, Jhonatan de Macedo Sousa; representante do Movimento Comunitário, Dilma Vieira da Silva Mattos e o representante da Associação das Instituições de Ensino Privadas de Goiás, Paulo Henrique Pedrosa.

Os deputados Coronel Adailton (PP), Karlos Cabral (PDT), Tião Caroço (PSDB), Cairo Salim (Pros), Lêda Borges (PSDB), Helio de Sousa (PSDB), Bruno Peixoto (MDB), Lucas Calil (PSD), Vinicius Cirqueira (Pros) também fizeram diversas colocações durante o debate virtual.

O presidente da Comissão de Educação, Talles Barreto (PSDB), já iniciou a reunião afirmando que é preciso bom senso e equilíbrio para conseguir atender tanto às normas de isolamento pessoal, quanto às escolas que estão fechando as portas por falta de recursos financeiros.

“Cada situação é uma situação. Estamos à disposição para todas as discussões. Vamos ter que chegar a um denominador comum. Muitos pais estão deixando seus filhos com as mães crecheiras ou com vizinhos. Tenho convicção de que poderíamos buscar com segurança o retorno dessas atividades, para que os pais possam trabalhar e botar comida dentro de suas casas. O mundo será outro após a pandemia e vamos ter que nos reinventar”, sustentou o peessedebista.   

O presidente do Conselho Estadual de Educação (CEE), Flávio Roberto de Castro, afirmou que o segmento educacional está cumprindo o isolamento 100% e aproveitou o momento para elucidar as ações que o CEE está tomando durante a pandemia. “O CEE soltou a primeira resolução do Brasil aprovando o Regime Especial de Aulas Não-Presenciais. É muito mais que um EAD. O grande desafio é fazer com que o sistema educativo não pare”, disse.

Ele explicou ainda que as aulas remotas vão contar como dias letivos, mas que o desafio se encontra em conseguir dar continuidade ao ano letivo e em chegar a uma conclusão sobre como será realizada, de forma segura, a volta às aulas. “Provavelmente vamos voltar essas aulas de forma híbrida. Não será possível que todos os alunos retornem ao mesmo tempo. Haverá uma série de protocolos em relação ao distanciamento. Temos que fazer um trabalho forte também para preservar a saúde mental dos alunos”, esclareceu Flávio Roberto.

Já a presidente do Conselho Municipal de Educação de Goiânia, Acácia Aparecida Bringel, explicou que a competência que cabe ao conselho é quanto à orientação e à regulação das normas para a educação infantil privada e pública de Goiânia. “Temos 526 instituições privadas de educação infantil. Estamos divulgando norma que veio das Secretaria de Saúde municipal e estadual. Até o dia 30 de julho, estamos com a suspensão das aulas presenciais. Além disso, montamos um Comitê para acertar a melhor forma possível para retorno das aulas presenciais. Isso tudo observando a situação do estado em relação à pandemia”, disse.  

Durante o debate, a representante do Movimento Comunitário, Dilma Vieira da Silva Mattos, destacou em sua fala a situação dos pais e mães que voltaram a trabalhar e não têm com quem deixar os filhos já que as escolas e creches estão fechadas. “Nossas preocupações são em relação, principalmente, às crianças de baixa renda. Temos debatido muito esse assunto com os conselhos tutelares. O que nós vamos fazer nesse contingente de pais e mães que precisam trabalhar e estão deixando suas crianças, de zero a cinco anos, em espaços domésticos com mães crecheiras?”, salientou.

Na oportunidade, o representante da Associação das Instituições de Ensino Privadas de Goiás, Paulo Henrique Pedrosa, informou que a associação compreende, hoje, 526 instituições particulares e que estão sofrendo pressão muito grande por parte dos pais das crianças. “Temos sofrido muita pressão por parte dos pais que solicitam nosso retorno, pois a maioria fica em tempo integral em nossas escolas e os pais voltaram a trabalhar e estão em situação complicada, já que não têm onde deixar os filhos”, explicou.

Paulo Henrique disse ainda que a associação está preocupada com a forma que o retorno presencial vai ocorrer. “Hoje, temos vários colegas que já encerraram as atividades, pois muitos pais não têm realizado o pagamento das mensalidades. Nas escolas de educação infantil 80% é folha de pagamento, porque a cada cinco crianças temos um funcionário. São crianças e precisam de atenção especial”, afirma.

Representante do Poder Executivo, professor Weverton Júnior Guimarães, durante sua fala, salientou a necessidade de retorno das escolas pois muitas estão fechando as portas por não terem como pagar seus funcionários. “A maioria das escolas de educação infantil em Goiânia são pequenas e não tem uma margem de lucro de 30%, conforme solicita o projeto que estão debatendo aqui. Se essas escolas quebrarem, serão mais de 32 mil crianças sem escola. Gostaria que todos colocassem a mão na consciência e pensassem em todos os fatores da cadeia educacional”, destacou.

Em sua fala, a presidente do Conselho Municipal de Educação de Aparecida de Goiânia, Doralice de França Santos, concordou com Weverton Júnior e contou que a situação no município muito se assemelha com a vivida em Goiânia. “Em Aparecida, tenho sentido na pele a mesma problemática que vocês têm vivido aí. Muitas escolas não têm a mínima condição de continuar caminhando sem uma ajuda. Estamos com grande número de unidades pequenas que já fecharam as portas. Como será no pós-pandemia? Como vamos resolver? Temos que pensar em tudo”.

A deputada estadual Lêda Borges (PSDB) defendeu, durante a audiência pública, que o governo de Goiás entre com linhas de crédito para os colégios particulares, dando-lhes suporte financeiro. “Acho que as aulas não devem voltar agora pois estamos entrando no pico da pandemia e precisamos pensar na saúde desses alunos. Sou contra ao Ensino Médio à distância. Serei uma voz na Assembleia contrária a esse projeto do Poder Executivo que está tentando passar esse tipo de ensino para EAD”, sustentou ainda.

Já o deputado Coronel Adailton (PP) aproveitou seu momento de fala para parabenizar os professores de Goiás. “Nossos professores, principalmente da rede estadual, notadamente das escolas militares, estão se desdobrando ao máximo, mais do que faziam antes, para oferecer o melhor do ensino a distância aos seus alunos. Parabenizo aqui todos eles. Vamos caminhar juntos para encontrar a melhor solução para os dois lados”, destacou.

Tião Caroço (PSDB), durante seu momento de participação, afirmou que é preciso resolver esse embate, por meio do diálogo tanto da rede privada quanto da rede pública. “Dinheiro se recupera no decorrer do tempo, mas com a educação não se pode perder tempo. É muito importante esse debate. É complexo. Temos que fazer um longo estudo e um projeto que seja viável para os dois lados. Ronaldo Caiado está dedicando o melhor empenho possível para resolver essa situação em Goiás”, finalizou.

O presidente da Comissão, Talles Barreto, encerrou a audiência afirmando que vai agendar encontros presenciais com os representantes que participaram da reunião, para chegarem a um acordo comum entre as partes para o retorno seguro e responsável das aulas em Goiás.

A reunião remota foi transmitida pela TV Alego, canal 8 da Net, 61.2 sinal aberto ou pelo YouTube.

Agência Assembleia de Notícias
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