Comissão Mista aprova projeto que implanta educação a distância no ensino médio da rede pública
Os deputados membros da Comissão Mista acabam de aprovar o projeto de nº 2571/20, de autoria do Governo, que institui, na Secretaria de Educação, o programa Goias Tec - Ensino Médio ao Alcance de Todos. Votaram contra os deputados Adriana Accorsi (PT), Delegado Eduardo Prado (DC), Helio de Sousa (PSDB), Talles Barreto (PSDB), Major Araújo (PSL), Virmondes Cruvinel (Cidadania) e Lêda Borges (PSDB)
Durante discussão da matéria, o deputado Delegado Humberto Teófilo (PSL) afirmou que propôs duas alternativas para implantação do projeto. Uma delas é oferecer um intérprete de libras para ajudar portadores de deficiência. A outra é concluir as obras de escolas estaduais, que estão inacabadas, antes da implantação do novo método de ensino nas mesmas. “É o mínimo que o estado pode fazer. Portadores de deficiências não terão auxílio necessário. O Estado está violando o estatuto dessas pessoas. E ainda querem implantar o sistema em locais onde sequer conseguiram concluir a construção da escola. Se já temos deficiências no ensino presencial, imaginem a distância”, salientou.
Bruno Peixoto (MDB) informou a Humberto Teófilo que aproveitou seu voto em separado. “Eu inclui o seu artigo no meu. Incluímos o intérprete de libras em nosso relatório”, afirmou Bruno.
O deputado Virmondes Cruvinel (Cidadania) ressaltou a necessidade de promover mais discussões sobre a matéria. Sua proposta é realizar uma audiência pública, com participação do Conselho Estadual de Educação e também do Sindicato dos Professores para responder algumas dúvidas. “EAD é diferente do que está sendo proposta agora, que é um sistema temporário devido à pandemia. Proporcionar educação é essencial. Mas, talvez, antes de apresentar o projeto, seja preciso garantir o ensino presencial em todo o estado. O governo está calado quanto a isso. Temos primeiro também que investir nos servidores da educação”, pontuou.
Lêda Borges afirmou que apresentou voto em separado pela rejeição integral do projeto. “Sou contra ensino a distância na educação básica. Esta é uma matéria que precisa ser amplamente discutida. Este projeto é para o governo dizer que está fazendo alguma coisa diferente. Temos é que concluir as escolas, colocar professores qualificados e ampliar as vagas no ensino fundamental”, ressaltou.
O deputado Delegado Eduardo Prado também se manifestou contra a matéria e ressaltou a necessidade de discutí-la melhor. Ele elogiou a iniciativa do Delegado Humberto Teófilo de propor o auxílio de um intéprete de libras nas aulas online. “Na UEG estão realizando aulas, mas não estão incluindo as pessoas surdas. Elas não estão tendo amparo. Fiz vários requerimentos ao governador pedindo providências, mas ele não me respondeu”, disse.
O deputado Cairo Salim (Pros) se manifestou favorável à matéria e ressaltou que parlamentares não estão contra o projeto, mas sim contra a tecnologia. “Vamos valorizar as boas ideias, o que vai modernizar a educação no nosso estado. Se as escolas presenciais fossem tão boas, não teríamos um número tão grande de analfabetos funcionais que frequentaram estas instituições”, observou.
O deputado Karlos Cabral (PDT) também se manifestou contra a matéria e sugeriu a suspensão da tramitação da mesma para que seja melhor discutida. “Não dá para implantar educação a distância em Goiás, sem saber o que os alunos e professores pensam a respeito do assunto”.