Saúde do servidor no contexto da pandemia foi tema de palestra promovida pela Escola do Legislativo nesta 5ª-feira, 13
Saúde Mental do Servidor no Contexto da Pandemia de Coronavírus. Esse foi o tema que a psicóloga Eunice Sousa e Silva, colaboradora da Casa, proferiu na manhã desta quinta-feira, 13, em palestra online . A atividade foi promovida por meio do EaD Legislativo Conecta, da Escola do Legislativo.
Milena Costa, chefe da seção pedagógica da Escola, ao dar início à palestra ressaltou pontos que seriam abordados pela profissional em saúde mental. “Temos grupos que estão há mais de um ano sem vir à Casa, tendo que lidar com teletrabalho e com crianças”, afirmou.
Eunice iniciou falando dos problemas causados pela pandemia, marcada por um longo período de isolamento; afastamento da convivência com equipe de trabalho, amigos e familiares; além de, em muitos casos, a perda de pessoas próximas e a dor de milhares de famílias. “A mudança da rotina ainda trouxe uma sobrecarga das tarefas domésticas, incerteza quanto ao futuro, crise econômica que afeta a maioria da população brasileira, tudo isso tem afetado a saúde mental dos servidores.”
A psicóloga explicou que saúde mental é o estado de bem-estar no qual o indivíduo realiza suas próprias atividades; é a pessoa estar bem com o trabalho. Ela falou do contexto dos servidores da Casa, que podem ser considerados como mostra de todas as pessoas do país que estão convivendo com os desafios e incertezas provocados pela pandemia.
Dentre os impactos sociais e econômicos, a profissional abordou sentimentos como raiva e luto. O excesso de trabalho, com sobrecarga da jornada, principalmente por parte das mulheres, que exercem suas atividades laborais presencialmente e em teletrabalho, junto com as atividades domésticas, e ainda a preocupação com o próprio sustento e da família.
Como consequências, o isolamento social provocou o aumento dos casos de violência doméstica, ansiedade, depressão, luto, síndrome do pânico, e ainda, aumento dos fatores de risco para o suicídio. Ao falar do luto, ela explicou como lidar com essa situação: "inconscientemente estamos todos passando por ele. O luto precisa ser acolhido e vivenciado. Após três meses, se não reagir bem, é preciso procurar ajuda de psicólogo ou psiquiatra”, acentuou.
Impactos
Eunice, que é especialista em Dessensibilização e Reprocessamento através do Movimento dos Olhos (EMDR), técnica terapêutica que ajuda na cura de traumas, ressaltou que o isolamento social trouxe medo. “Quando pensamos nessa doença e no contágio, surge o medo de se contaminar, da internação, da morte, da perda da fonte de renda, de amigos e familiares”, orientou.
Ela disse que o medo nos ajuda, faz parte, mas quando em excesso, o cérebro produz hormônio de estresse (cortisol). "Nosso corpo fica rígido, nos causa ansiedade. Com isso, surgem fobias, síndrome de Burnout, doenças cardiovasculares, problemas neurológicos, alteração do sono, concentração nas tarefas diárias ou aparecimento de pensamentos intrusivos."
Outro ponto abordado pela profissional é o aumento do uso de medicação, sem falar no aumento do uso de drogas lícitas e ilícitas. Lembrou que, antes da pandemia, alguns pacientes já tomavam medicamento controlado. Agora aumentou o uso. Problemas emocionais que já existiam antes, como depressão, síndrome de pânico e fobias, foram potencializados.
A orientação é buscar fontes seguras de informação a fim de evitar as fake news, e ainda, manter uma rotina para o horário de trabalho e de realização de atividades físicas, sem esquecer do lazer e convívio familiar com aqueles que estão em casa, principalmente com as crianças, a fim de que fiquem mais confortáveis. Ensinar as crianças a ter cuidado, mas sem as deixar em situações de ansiedade e estresse. “Passeios em áreas verdes, ler histórias, cantar, dançar e realizar atividades lúdicas, também são uma forma de auxiliar na manutenção da saúde emocional”, disse Eunice.
Da mesma forma, ensina que os idosos da família também podem receber atenção a distância, por meio do uso da tecnologia como chamadas de vídeo.
Dentre as estratégias, está manter o foco em você, no seu lado bom, e compreender que está em ambiente seguro. “Buscar o autocontrole, se autorregular”, orientou a psicóloga, ressaltando a prática de exercícios físicos, de respiração e meditação como suporte para melhorar as condições emocionais. "Além disso, focar nos comportamentos preventivos como uso de máscaras e higienização das mãos."
O evento foi uma parceria entre as Diretorias de Saúde e Meio Ambiente do Trabalho e de Gestão de Pessoas da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).