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As incertezas continuam em 2008

03 de Janeiro de 2008 às 17:45
Déficit do Estado, tentativas de manutenção de coligação e campanha municipal de 2008, são temas abordados em artigo do deputado Wagner Guimarães, PMDB, publicado na edição do dia 03 de janeiro de 2008, no jornal "Diário da Manhã".

Acredito que a paralisação quase glacial do governo em 2007 – ano em que medidas quentes e emergenciais deveriam ter sido tomadas para estancar o déficit do Estado e possibilitar a retomada dos benefícios sociais e da capacidade de investimento – trará repercussões desastrosas para a base aliada em 2008.

O governo nega a necessidade de antecipar o gasto de tempo e fosfato nas articulações para as campanhas municipais e corre o risco de rachar de vez a jangada do Tempo Novo, e ver afundar as bandas do PP e do PSDB, uma para cada lado.

A questão real nem é tanto o governo negar a posição central na campanha 2008: ele dificilmente terá condições políticas de ocupar este espaço, como sugeriu o senador Marconi Perillo, ao atribuir ao governador essa responsabilidade. Todo o atraso administrativo de 2007 deverá ser recuperado em 2008, cujas medidas surtirão desgastes inevitáveis e a conseqüente dificuldade de dispensar atenção às eleições.

A não ser que da reforma administrativa, de tão ponderada, saia o tão sonhado trunfo político para os núcleos que polarizam a base. Mas, historicamente, reformas administrativas, ainda mais nas dimensões de que necessitam Goiás, têm gerado mais desgastes que resultados positivos no âmbito político. A não ser, ainda, que desta reengenharia apenas um grupo político saia fortalecido, no caso o PP, o que não é nem um pouco improvável.

O controle da máquina administrativa, que tanto facilita eleições, pouca vantagem garantirá a quem dele espera lucro em Goiás. Além dos problemas na implantação da reforma, uma alteração na legislação eleitoral que proíbe às administrações públicas a criação e ampliação de programas sociais, além da distribuição gratuita de bens e benefícios desde o primeiro dia do ano de eleições, promete complicar ainda mais o Estado. Estas restrições, previstas no Brasil desde 1997, passavam a valer apenas três meses antes do dia da votação. A alteração que vigora desde a última terça-feira foi aprovada pelo Congresso em 2006.

A campanha de 2008 já começa difícil não só para os detentores de cargos comissionados no Executivo, mas respinga incertezas na sociedade goiana. O funcionalismo público estatal estremece há meses com a ameaça da lâmina no pescoço, e a população, que tanto apertou o cinto em 2007, principalmente os desassistidos dos programas sociais e carentes de estrutura pública (dependentes da educação estadual, por exemplo), não tem garantias para sequer manter esperanças de melhorias no ano novo.

O Governo deve arrumar a casa e resgatar credibilidade investindo, ou na reconstrução de sua base política, ou na retomada do pulso de desenvolvimento. Não vejo possibilidade de dispensar atenção aos dois lados. A não ser, como já disse, que haja palanques de apoio a candidatos distintos às eleições municipais: uns para Alcides, outros para Marconi. É pagar para ver os dois líderes no mesmo tablado, sustentados pelo equilíbrio nas contas do Estado. Acho difícil.

Wagner Guimarães é deputado estadual, 2º vice-presidente da Assembléia Legislativa e 2º vice-presidente do PMDB.(wagnerguimaraes@assembleia.go.gov.br)

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