As incertezas continuam em 2008
Acredito que a paralisação quase glacial do governo em 2007 – ano em que medidas quentes e emergenciais deveriam ter sido tomadas para estancar o déficit do Estado e possibilitar a retomada dos benefícios sociais e da capacidade de investimento – trará repercussões desastrosas para a base aliada em 2008.
O governo nega a necessidade de antecipar o gasto de tempo e fosfato nas articulações para as campanhas municipais e corre o risco de rachar de vez a jangada do Tempo Novo, e ver afundar as bandas do PP e do PSDB, uma para cada lado.
A questão real nem é tanto o governo negar a posição central na campanha 2008: ele dificilmente terá condições políticas de ocupar este espaço, como sugeriu o senador Marconi Perillo, ao atribuir ao governador essa responsabilidade. Todo o atraso administrativo de 2007 deverá ser recuperado em 2008, cujas medidas surtirão desgastes inevitáveis e a conseqüente dificuldade de dispensar atenção às eleições.
A não ser que da reforma administrativa, de tão ponderada, saia o tão sonhado trunfo político para os núcleos que polarizam a base. Mas, historicamente, reformas administrativas, ainda mais nas dimensões de que necessitam Goiás, têm gerado mais desgastes que resultados positivos no âmbito político. A não ser, ainda, que desta reengenharia apenas um grupo político saia fortalecido, no caso o PP, o que não é nem um pouco improvável.
O controle da máquina administrativa, que tanto facilita eleições, pouca vantagem garantirá a quem dele espera lucro em Goiás. Além dos problemas na implantação da reforma, uma alteração na legislação eleitoral que proíbe às administrações públicas a criação e ampliação de programas sociais, além da distribuição gratuita de bens e benefícios desde o primeiro dia do ano de eleições, promete complicar ainda mais o Estado. Estas restrições, previstas no Brasil desde 1997, passavam a valer apenas três meses antes do dia da votação. A alteração que vigora desde a última terça-feira foi aprovada pelo Congresso em 2006.
A campanha de 2008 já começa difícil não só para os detentores de cargos comissionados no Executivo, mas respinga incertezas na sociedade goiana. O funcionalismo público estatal estremece há meses com a ameaça da lâmina no pescoço, e a população, que tanto apertou o cinto em 2007, principalmente os desassistidos dos programas sociais e carentes de estrutura pública (dependentes da educação estadual, por exemplo), não tem garantias para sequer manter esperanças de melhorias no ano novo.
O Governo deve arrumar a casa e resgatar credibilidade investindo, ou na reconstrução de sua base política, ou na retomada do pulso de desenvolvimento. Não vejo possibilidade de dispensar atenção aos dois lados. A não ser, como já disse, que haja palanques de apoio a candidatos distintos às eleições municipais: uns para Alcides, outros para Marconi. É pagar para ver os dois líderes no mesmo tablado, sustentados pelo equilíbrio nas contas do Estado. Acho difícil.
Wagner Guimarães é deputado estadual, 2º vice-presidente da Assembléia Legislativa e 2º vice-presidente do PMDB.(wagnerguimaraes@assembleia.go.gov.br)