Tiãozinho cobra ação do Governo em defesa do rebanho bovino
Tiãozinho Costa (PTdoB) cobra ação do Governo em defesa do rebanho bovino. Para ele, o problema é maior do que se imagina.
"Se o governador Alcides Rodrigues não envolver todos os órgãos estaduais ligados ao setor agropecuário no processo de vistoria das fazendas que exportam carne para a União Européia, a meta de fiscalização não chegará a 40%", alerta o presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembléia, Tiãozinho Costa, que diz estar preocupado com a possibilidade de as 2.750 propriedades goianas serem banidas da lista de exportadores para a União Européia (EU).
O Estado tem prazo até o até o dia 29 para entregar relatório da vistoria ao Ministério da Agricultura, que por sua vez deverá apresentar à UE o resultado da inspeção nas seis mil propriedades rurais em todo o país. A partir de fevereiro, animais provenientes das fazendas não listadas não poderão ser abatidos para exportação.
As restrições impostas pela UE à carne brasileira foram anunciadas ao Governo brasileiro em 19 de dezembro, com base em falhas no funcionamento do sistema de rastreabilidade de animais, o Sistema Brasileiro de Certificação de Origem Bovina e Bubalina (SISBOV).
Para Tiãozinho Costa, o Governo de Goiás ainda não avaliou bem o alcance das medidas da União Européia, que podem prejudicar sensivelmente a economia goiana. Para o deputado, o Governo “está preocupado demais com a reforma administrativa, não obsevando a importância que o momento requer para a pecuária no Estado".
O deputado tem audiência hoje à tarde com o secretário de Agricultura, Leonardo Veloso. A partir de amanhã, ele pretende acompanhar o trabalho de vistoria da Agrodefesa. Ontem estavam previstas fiscalizações em duas propriedades próximas a Goiânia. A equipe vai conferir o número de animais, relatório de vacinação, notas fiscais de compra dos animais e planilha de identificação do gado, entre outras informações.
O Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Reinhold Stephanes, lamentou a decisão anunciada pela União Européia de restringir o número de propriedades habilitadas no Brasil para o fornecimento de carne aos países do bloco econômico, por considerar a carne brasileira de ótima qualidade.
FARSA
Em audiência realizada na Câmara dos Deputados, no início de dezembro do ano passado, o deputado federal Ronaldo Caiado (DEM-GO) avaliou que a chamada "rastreabilidade" não garante controle sanitário. Ele classificou o Sistema Brasileiro de Certificação de Origem Bovina e Bubalina (SISBOV) como uma farsa imposta aos agricultores brasileiros, porque, na opinião dele, não assegura ao consumidor que ele está comprando uma carne com o controle sanitário adequado.
Caiado informou ainda ter uma gravação em que um integrante de uma empresa de serviços de rastreamento e certificação de gado cobra, de um produtor, quatro vezes mais do que o valor pedido em uma situação regular para fornecer um brinco de identificação de animal com data anterior à real. Isso porque, para poder ter a carne exportada para a União Européia, o animal deve estar há pelo menos 90 dias em área habilitada pelo bloco e há 40 dias na mesma propriedade.
O deputado afirmou que, por causa dessa situação, o setor caminha para a clandestinidade. Na sua avaliação, a União Européia faz exigências impossíveis de serem cumpridas por produtores brasileiros. Ele ressaltou que a exportação de carne brasileira para União Européia corresponde a menos de 10% do consumo interno no Brasil.