Presidente e diretores da Enel-GO participam de reunião da CCJ para prestar esclarecimentos aos deputados
Os titulares da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJ) da Assembleia Legislativa de Goiás receberam membros da diretoria da Enel-GO durante a reunião híbrida desta terça-feira, 16. Sob a coordenação do deputado Humberto Aidar (MDB), o presidente da Enel-GO, José Nunes de Almeida; o diretor de Relações Institucionais, Humberto Eustáquio; o diretor Institucional, André Gustavo Rosa; o diretor de Mercado, Nelson Assunção; o diretor de Sustentabilidade, Adriano Faria; e o diretor Técnico, José Luiz Salas, responderam a questionamentos e prestaram esclarecimentos acerca da atuação da companhia em Goiás.
Ao iniciar sua fala, o presidente José Nunes apresentou um vídeo institucional no qual a população, produtores rurais e políticos relataram a melhoria da prestação do serviço de energia elétrica, com a recuperação de redes, troca de transformadores, além do alto investimento financeiro que a empresa tem feito para melhorar a qualidade de vida nos municípios no campo.
Ao fim da apresentação, Nunes fez um breve relato das atividades da Enel em Goiás e pediu ao diretor técnico, José Luiz Salas para explanar sobre a infraestrutura da Enel-GO. “Fizemos uma transformação profunda do sistema elétrico de Goiás de acordo com um plano de investimento superior a R$ 5 bilhões, 232% se comparado com os investimentos feitos nos últimos 15 anos tanto pelo Estado, quanto pelo Governo Federal”.
José Luiz ressaltou, ainda, que a companhia trabalha sobre três eixos. O primeiro é de investimento para aumentar a capacidade do sistema; segundo, flexibilidade ao sistema com automação e melhoramento; e por último, gerar confiabilidade ao sistema por meio de manutenção. “Goiás é o único estado que tem oito subestações móveis para resolver quedas de forma rápida e eficiente. Quando a Enel assumiu a Celg, havia 26 postos de atendimento avançado, hoje temos 60 postos. Diminuímos o tempo de atendimento em 25% e aumentamos mais de 80% das equipes em campo. Eram pouco mais de 7 mil colaboradores, hoje são mais de 15 mil funcionários diretos e indiretos”, afirmou Salas.
Na sequência, o diretor de Mercado, Nelson Assunção, destacou que a Enel tem 240 pontos de atendimento no estado e cinco unidades móveis para atender demandas extras e que oferece diversos canais de atendimento digitais e de call center, a exemplo do canal exclusivo ao produtor rural via WhatsApp e APP porteira. “Dos 240 pontos de atendimento, 70 são lojas próprias. Em relação às reclamações, o volume de reclamações tem se mantido abaixo ao registrado anteriormente nos postos de trabalho”, enfatizou.
Para encerrar a explanação institucional, Adriano Faria falou sobre sustentabilidade. De acordo com ele, a Enel já trocou mais de 260 lâmpadas comuns por novas com tecnologia LED, beneficiou mais de 12 mil famílias com troca de geladeiras, instalou mais de 5,5 mil chuveiros eficientes para famílias de baixa renda e mais 41 mil famílias foram beneficiadas pelo programa Luz Solidária, que garante desconto de até 50% na troca de eletrodomésticos.
Questionamentos
O deputado Amauri Ribeiro (Patriota) foi o primeiro parlamentar inscrito a sabatinar os diretores da Enel. Durante sua participação, Amauri apresentou vídeos de produtores rurais descontentes com os serviços oferecidos e relatou que há registros de falta de energia por até cinco dias. “A Enel não tem mão de obra suficiente para atender o cidadão. Não adianta falar de investimento se a manutenção da rede elétrica não é feita. O quadro técnico dos prestadores de serviço foi desfeito. Profissionais que conheciam as áreas rurais foram substituídos por técnicos de outros estados, mas eles não conhecem a região. Isso atrasa o atendimento e deixa o contribuinte no escuro por até cinco dias”, comentou Amauri.
Para encerrar, o patriota disparou: “Essa melhoria que foi apresentada aqui não chega ao consumidor. O atendimento não funciona e nós pagamos um preço alto por essa energia. Nós queremos respeito, queremos resultado, com serviço de qualidade ao consumidor final. Que todo esse investimento que foi mostrado aqui seja visto pelo cidadão, especialmente, ao homem do campo. Não dá mais para continuar como está. A Enel precisa respeitar o consumidor goiano”, completou.
O Delegado Humberto Teófilo (sem partido), questionou a motivação das constantes quedas de energia em Goiás, especialmente em período chuvoso e da demora na análise de requerimentos de ressarcimento de prejuízos (queima de equipamentos) por queda de energia.
O presidente da Enel, José Nunes disse que entende a indignação dos parlamentares e que tem consciência no muito que tem a ser feito na zona rural e ressaltou que muito já foi feito. “O nível de atendimento melhorou, mas sabemos da complexidade do meio rural de Goiás. Quanto à redução de mão de obra, afirmou que houve aumento de 80% no número de profissionais contratados e estruturou 24 centros de treinamento para aperfeiçoar a mão de obra. Não nos poupe das demandas para que possamos resolver as reclamações”, salientou.
Quanto às adversidades climáticas, José Nunes disse que no período de chuva a Enel ainda precisa evoluir. Quanto à religação de urgência, precisa ser avaliada. Quanto aos canais de atendimento ao produtor rural, trabalhamos para expandir o acesso de reclamações ao produtor para ter controle do atendimento.
Em relação ao ressarcimento de danos, José Luiz esclareceu que: “Este é um setor fiscalizado e nosso prazo de resposta está dentro do planejado, porém há casos que precisam ser avaliados com maior critério. Isso leva um tempo maior e dá a impressão que não é cumprido. Este ano, fechamos com 99.8% das solicitações atendidas dentro do prazo, em 2020 fechamos em 99.9%”, completou.
Atendimento no interior
No decorrer da reunião, o deputado Rafael Gouveia (progressistas), falou da necessidade de garantir a estabilidade energética e o restabelecimento da rede elétrica em caráter emergencial e citou uma queda geral de energia na cidade de Heitoraí. “Tenho uma propriedade rural em Heitoraí e um dia desses ficamos mais de 24 horas sem energia. Entramos em contato com a Enel e fomos informados que foi por conta da queda de um poste. Não dá para entender porque uma cidade inteira fica sem energia e leva mais de 24 dias para trocar um poste”, ponderou. O parlamentar disse, ainda, que a prestadora de serviços que atende o município está instalada na cidade de Iporá, há mais de 200 quilômetros de Heitoraí. “Com essa logística é impossível de socorrer o cidadão a tempo. Hoje mesmo a região está sem energia. É uma demora muito grande para restabelecer a rede elétrica”, disse Rafael.
José Luiz, falou que um dos grandes problemas da zona rural é o sistema de alimentação da linha instalada inicialmente, a exemplo de Heitoraí, mas estamos trabalhando para levar novas linhas para sustentar o sistema em momentos de falha. Quando se fala em equipes, em 2019, tínhamos 560 equipes, hoje temos mais de 1300 equipes. Sobre os eletricistas capacitados, qualificamos mais de 4 mil profissionais. Vieram profissionais de outros estados porque não encontramos pessoas qualificadas aqui.
Coronel Adailton (Progressistas) enfatizou que o serviço tem que chegar na ponta, no interior, na zona rural, especialmente aos pequenos e novos bairros. O parlamentar citou como exemplo Planalmira, distrito de Abadiânia. “O bairro de Eubiópolis tem 10 padrões de energia para atender mais de 200 moradias. É um emaranhado de fios que leva risco à população e isso acontece em vários outros lugares. Precisa expandir as redes urbanas para melhor atender essa gente que vive nos bairros periféricos. O sistema não está funcionando e a Enel não reconhece o problema”.
Já o deputado Alysson Lima (Solidariedade), lembrou que integrou a CPI da Enel da Casa e que acompanhou de perto a relação da empresa com o consumidor e que desde então a impressão é negativa. “Em 2019 já tínhamos uma impressão negativa em relação à empresa e da forma como a Enel trata o consumidor. Conheço o dono de um lava-jato na Castelo Branco há 15 anos, pela inconstância da energia, solicitou uma auditoria da Enel porque a conta dele passou de dois mil reais para três mil. Depois da inspeção, a conta de energia dele foi para R$ 180 mil. Essa conta está sub judice há quase dois anos. E provavelmente ele vai perder porque o presidente da OAB-GO é o advogado da Enel. Embora não seja ilegal, é imoral. O call center não funciona. O que vocês mostraram aqui é folclórico”, comentou.
José Nunes respondeu aos questionamentos dos parlamentares afirmando que a Enel é uma empresa do setor elétrico e atua em todos os segmentos com o propósito de fazer o melhor trabalho possível em Goiás. “Entendo quando vocês dizem que não chegou na ponta, mas chegaremos lá. Teremos em Goiás um destaque como uma das melhores distribuidoras, o caminho é árduo, mas chegaremos lá”, afirmou.
Para finalizar, o presidente da Enel disse: “Que este é um momento difícil, mas ressaltou que todas as críticas serão analisadas e muitas delas serão um motivo de evolução”, finalizou José Nunes.