Presidente da Enel admite problemas no fornecimento de energia e tira dúvidas dos legisladores estaduais
O presidente da Enel, José Nunes, respondeu a questionamentos de integrantes da Comissão de Constituição, Justiça e Redação, relacionados com as instabilidades na prestação do serviço de energia elétrica no estado de Goiás, mais especificamente em relação ao atendimento ao consumidor e prejuízos causados ao produtor rural pelas interrupções no fornecimento. Os deputados Amauri Ribeiro, Delegado Humberto Teófilo, Rafael Gouveia, Wagner Neto, Coronel Adailton, Alysson Lima, Talles Barreto, e Amilton Filho encaminharam seus questionamentos ao representante da empresa.
Nas palavras de José Nunes, a Enel compreende a indignação dos parlamentares e tem consciência que já avançou muito, com investimentos, mas que ainda há muito a ser feito no meio rural. “Do que temos ouvido de declarações de alguns prefeitos é que o serviço chegou até a ponta e melhorou, sabemos que há muito ainda a se fazer, e sabemos da complexidade da zona rural de Goiás”, comentou.
Sobre as perguntas relacionadas com uma suposta redução da mão de obra pela empresa, o presidente explicou que nesse momento já trabalhou com muitas empresas parceiras e que houve uma expansão de 80% no número de profissionais contratados. “Estruturamos 24 centros de treinamento no sentido de buscar o aperfeiçoamento da mão de obra. Sabemos que existe uma comparação com quando tínhamos menos de 1 milhão de consumidores e com três milhões de consumidores não é mais possível essa facilidade e celeridade no atendimento”, admitiu.
Sobre a expectativa dos usuários, ele esclareceu que a pessoa do call center, ao contrário do que se imagina, não é a que imediatamente resolve o problema. O atendente distribui para um centro de controle que delega as manutenções de todas as demandas de serviço. ”Concordo com os deputados de que existem locais lá na ponta onde não chega o atendimento. Sei o quanto os senhores nos demandam, são importantes suas demandas e agradeço. Aos nossos institucionais que estão aqui façam chegar esses pedidos”, completou.
Em relação às interferências climáticas, José Nunes afirmou que sempre existiram, mas que atualmente estão muito mais severas que em anos anteriores. “Nesse período de chuvas não estamos satisfeitos com o que está acontecendo. Mas atravessamos um período de queimadas que, comparado com anos anteriores, detectamos em nossos indicadores que evoluímos e isso não é muito percebido. Temos consciência que nessa temporada de chuva temos muito o que avançar, temos trabalhado com o maior número de equipes e vamos chegar lá".
Os parlamentares perguntaram sobre as falhas no serviço de religação de urgência e o comandante da Enel declarou que a situação ainda está sendo avaliada pela direção.
Sobre a insatisfação no atendimento ao produtor rural, José Nunes disse que a empresa conta com vários canais e que o objetivo é expandi-los para melhor atender e que essa melhoria no acesso é importantíssima para a empresa. “Quando falta energia numa propriedade o produtor por vezes presume que o vizinho já reclamou. É imprescindível para nós que todos registrem interrupções no fornecimento para que possamos ter um maior controle”, contou.
A equipe técnica que acompanhou o presidente da Enel abordou a questão do ressarcimento de danos. De acordo com a explanação, existe uma área que cuida do assunto e que é um processo complexo e fiscalizado. Segundo o time da Enel, todos os pedidos de ressarcimento estão sendo avaliados 100% dentro do prazo. Existe toda uma documentação necessária a ser avaliada, não só no ponto de vista técnico, e averiguação sobre o nexo causal, se houve correlação com algum evento no sistema da distribuidora. De acordo com eles, esse processo muitas vezes deixa a impressão que prazos não estão sendo cumpridos.
José Nunes também falou sobre uma suposta dificuldade de interlocução entre o Parlamento estadual e empresa distribuidora de energia elétrica em Goiás. Ele informou que há três interlocutores destacados para atender os deputados e frisou que a Enel é uma empresa que zela pela transparência, não dificultando de forma nenhuma o diálogo.
Entre as perguntas respondidas pelo chefe da Enel, uma esteve relacionada com os indicadores de qualidade da companhia e sua colocação ruim no ranking de distribuidoras estabelecido pela ANEEL. “Existe um patamar de comparação estabelecido como meta pela agência reguladora para as distribuidoras. Temos, em termos absolutos, em São Paulo, os melhores indicadores do Brasil, mas quando são comparados com as metas estabelecidas pela ANEEL não ficamos entre os melhores”, explicou e informou que ele mesmo já esteve na agência reguladora recebendo, pela Enel do Ceará, o prêmio de melhor distribuidora do Brasil. O presidente acrescentou que, em Goiás, com todo o investimento que tem sido feito, o serviço de prestação de energia elétrica vai alcançar o mesmo patamar.
Por fim, a equipe técnica falou mais sobre as falhas no fornecimento de energia elétrica, admitindo que muitas melhorias ainda não chegaram a todas as pontas, mas que a empresa tem até 2022 para estabilizar e manter o limite regulatório de 12 horas.