Liberdade de Imprensa
O Brasil celebra hoje, dia 7 de junho, o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa. Mais do que comemorar essa data, o País, tem muito o que refletir sobre a importância do acesso à informação de qualidade.
O bom jornalismo é, e sempre será sobretudo, livre. No bom jornalismo, não há amarras políticas, ideológicas ou econômicas. O bom jornalismo precisa ser estimulado, apoiado, encorajado, o que vai na contramão do que se tem praticado nos últimos anos em solo brasileiro. Os números provam isso.
Segundo o relatório anual da violência contra jornalistas e liberdade de imprensa no Brasil, ano de 2022, divulgado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o Brasil passa por um crescimento dos indicadores de violência contra a categoria.
No ano passado, mostra o relatório, o número de agressões a jornalistas manteve-se nas alturas. As agressões diretas a jornalistas tiveram aumento em todas as regiões do País, frise-se: todas. O relatório revelou que a descredibilização da imprensa voltou a ser a violência mais frequente. Houve um crescimento superior a 130% nas ocorrências de ameaças, hostilizações e intimidações.
A censura também figura como destaque negativo. Apesar de registrar um recuo em relação ao número de ocorrências — foi o maior indicador em 2021 e caiu para a terceira posição no balanço de 2022 —, a Fenaj diz no documento que a oscilação se deve, muito provavelmente, pela diminuição das denúncias e não pelo número de episódios propriamente ditos.
Centro-Oeste
Outro fator que chama atenção passa pelas regiões onde a violência é mais recorrente. O Centro-Oeste é, segundo os mesmos números, o local mais violento e concentra mais de 34% das denúncias. A região é seguida do Sudeste (28%), Norte (13%), Nordeste (12%) e Sul (12%).
Goiás, em si, não está entre os mais violentos. O estado soma menos de 1% do total de casos. O fator responsável por colocar o Centro-Oeste no protagonismo passa pelo Distrito Federal que, sozinho, registra mais de 30% dos casos de todo Brasil — Brasília, vale lembrar, é o palanque da política brasileira e, consequentemente, reúne o maior número de repressões aos profissionais da imprensa.
Isso, porém, não faz de Goiás um lugar de paz. Em 1° de novembro, a jornalista Lorena Gomes, repórter da Record TV de Goiás, foi agredida por manifestantes que bloqueavam a BR-060, em protesto contra o resultado da eleição presidencial. Um dos manifestantes tentou tomar dela o microfone e outro lançou em sua direção uma bomba de gás lacrimogênio, jogada pela polícia para fazer a dispersão. A bomba atingiu a profissional.
A Fenaj ressalta que, sem imprensa livre e sem jornalistas exercendo a profissão com segurança e condições dignas de trabalho, não há verdadeira democracia. O entendimento vai na esteira do que pensa o vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Goiás, Francisco Costa.
“O dia 7 é simbólico, mas não deve ser o único”, argumenta o profissional. E continua: “A liberdade de imprensa é fundamental para a manutenção da democracia. Hoje, o jornalismo enfrenta perseguições, especialmente de quem 'ganha' com a propagação de mentiras”.
Na interpretação do jornalista, para essas pessoas, “calar o jornalismo profissional é garantir o sustento por meio de fake news”. “Nesse sentido, cada vez mais é preciso uma imprensa livre e com autonomia para apurar, denunciar e contar histórias”, observa.
Dom Phillips
O assassinato de Dom Phillips foi o único ataque fatal a jornalista registrado em 2022, mas a repercussão internacional mostrou ao mundo a gravidade da situação brasileira no quesito violência contra profissionais da imprensa e outros defensores dos direitos humanos.
Ele e o indigenista brasileiro Bruno Pereira foram mortos em uma emboscada no Vale do Javari, no estado do Amazonas. O caso completou seu primeiro ano no último dia 5 de junho. A categoria ainda aguarda uma resposta satisfatória por parte das autoridades brasileiras.