Encontro com cooperativas de catadores de materiais recicláveis é realizado na Alego
Ocorreu na manhã desta sexta-feira, 18, a reunião das cooperativas de catadores de recicláveis do Estado de Goiás, promovida pela deputada federal Adriana Accorsi (PT-GO). O encontro contou com a presença do secretário Nacional de Economia Popular e Solidária, Gilberto Carvalho, e diversas autoridades e representantes da categoria.
Ao iniciar os trabalhos, a deputada agradeceu a presença de todos na Casa e ressaltou que esse é o lugar de discutir soluções para o País. Além disso, considerou uma honra receber o secretário Nacional de Economia Popular e Solidária do Brasil. “Obrigado por ajudar esses trabalhadores e nosso Estado. Os catadores não tiveram, por muito tempo, visibilidade. Mas chegou a hora de tratar dessa classe, afinal são trabalhadores. É um novo momento de respeito e dignidade”.
O secretário Gilberto Carvalho afirmou que sua presença no evento seria, sobretudo, para ouvir as cobranças, os dilemas e as reivindicações do grupo. Ele informou que o governo federal irá elaborar um projeto que permita que os catadores tenham autonomia e vivam com dignidade, de modo a contribuir ainda mais para sociedade. “A minha vinda aqui faz parte de um processo, nós estamos visitando vários cantos do Brasil, colhendo sugestões, opiniões, e temos 30 dias para criar e apresentar esse projeto para o presidente [Lula]”, afirmou.
O secretário destacou que seu papel na secretaria é apoiar, buscar qualificação e fomento para as cooperativas dos catadores. “Meu intuito é ser a ponte entre vocês e o governo”, afirmou.
Apoio institucional
Depois, o secretário estadual da Retomada elencou as ações do governo de Goiás em prol da categoria e ações realizadas no estado com objetivo de promover a reciclagem. No mesmo sentido, o promotor de justiça Juliano de Araújo também observou que os catadores de materiais recicláveis enfrentam situações difíceis no dia a dia, porém ressaltou que os governos federal e estadual têm ciência das dificuldades atuais e têm trabalhado para contribuir em prol da classe. Ele citou como exemplo o programa de redução de resíduos e elencou algumas sugestões apontadas pela classe como simplificar o processo de licenciamento para os galpões de reciclagem e reduzir a tributação de materiais reciclados em relação aos produtos não reaproveitados. O promotor ainda chamou atenção para a importância de desenvolver ações sociais com os catadores.
Reconhecimento da classe
Ao falar em nome dos catadores, Dulce Helena observou que a maior dificuldade enfrentada pelo grupo é quanto à tributação. “Não estamos pedindo isenção, mas é preciso e possível reduzir a tributação. Ainda estamos atrasados em relação a isso. Precisamos de recursos federais para nos auxiliar”, disse. Dulce enfatizou que a classe precisa ser respeitada e reconhecida como trabalhadora e desestimular a imagem marginalizada.
Após a fala das autoridades e representantes, a palavra foi franqueada ao público para contribuições e esclarecimentos. Algo comum dito pelos que fizeram uso da palavra foi quanto à importância da educação ambiental. Também foi ressaltado que muitas famílias ainda não realizam a separação de resíduos e, desse modo, materiais recicláveis não são aproveitados.
O deputado Antônio Gomide (PT) também esteve no evento e declarou que o mais importante é a reunião de tantas pessoas em prol de uma mesma discussão, pensando coletivamente por soluções efetivas. Ele também mencionou a presença da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), no Parlamento goiano e os esforços conjuntos em defesa das questões ambientais. “Precisamos criar condições para que o governo federal possa ajudar nessas questões que proporcionam melhor qualidade de vida nas nossas cidades”, disse.
Depois de ouvir as reivindicações dos catadores presentes na reunião, o secretário nacional evidenciou que o enfoque não se trata apenas das demandas das corporativas. “Estamos tratando aqui sobre como vamos viver, o debate é amplo, é sobre como tratar o planeta”.
Gilberto afirmou que o projeto do governo em favor dos catadores deveria ser global e incorporar a questão tributária, de meio ambiente, ações sociais e trabalhistas, com ênfase nos financiamentos e qualificações. “Temos obrigação de fazer um programa de qualificação, as cooperativas têm que conhecer o mercado, só assim vamos conseguir se manter e prosperar a classe”. Ele concluiu que saiu da reunião levando consigo elementos importantes e que seu compromisso é construir um projeto completo “Vou levar todas as queixas de vocês ao governo federal”, finalizou.
Mesa dos trabalhos
Além de Accorsi e de Gilberto Carvalho, a mesa dos trabalhos foi composta por: Gilberto Carvalho, secretário nacional de economia popular e solidariedade; Ademildo Godoy, representando a Fecomércio; Sandra Cabral, representando a deputada estadual Bia de Lima (PT); Juliano de Araújo, da 15ª Promotoria de Justiça de Goiânia; César Augusto, secretário de Estado da Retomada; Dulce Helena do Vale, representando as cooperativas; professor Carlos Gustavo, representando a reitoria da Universidade Federal de Goiás; Calor Soares, superintendente de Patrimônio da União em Goiás; e Emanuel Lopes, representando a seccional goiana da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB-GO).