Ícone alego digital Ícone alego digital

Tem que suar, tem que correr...

06 de Abril de 2026 às 09:40
Tem que suar, tem que correr...

Data alerta sobre riscos do sedentarismo e incentiva hábitos mais ativos. A atividade física melhora o condicionamento, previne doenças e dá mais qualidade de vida, benefícios que também impactam a saúde mental.

Neste dia 6 de abril é celebrado o Dia Mundial da Atividade Física, data criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para alertar sobre os riscos do sedentarismo e incentivar hábitos mais ativos e incentivar políticas públicas na área. Os benefícios para o corpo já são conhecidos: melhora do condicionamento, prevenção de doenças e mais qualidade de vida. Mas o impacto do exercício vai além do físico, por que também transforma o funcionamento do cérebro, influencia emoções e pode ser um aliado importante na saúde mental.

Quando a pessoa se exercita, não é só o corpo que trabalha. O cérebro entra em ação e passa a produzir substâncias fundamentais para o equilíbrio emocional. Durante a prática, há aumento na liberação de endorfina, dopamina e serotonina, neurotransmissores ligados à sensação de prazer, motivação e bem-estar.

Ao mesmo tempo, ocorre a redução do cortisol, o hormônio do estresse. O resultado é melhora no humor, mais clareza mental e maior capacidade de lidar com emoções. Além disso, a atividade física estimula a neuroplasticidade, fortalecendo conexões cerebrais ligadas à memória, foco e controle emocional. Não é apenas uma sensação momentânea, é o cérebro sendo treinado para funcionar melhor.

Depois de um treino, a pessoa se sente mais leve, mais focada e com a mente mais organizada. Esse efeito não é coincidência. É o cérebro respondendo ao movimento. E quanto mais constante for esse hábito, mais estável tende a ser o estado emocional do praticante de atividade física.

Mais do que os efeitos químicos, a atividade física também constrói disciplina. Quando uma pessoa se exercita com regularidade, ela treina o cérebro a sair do automático, lidar com desconforto e cumprir o que promete para si mesmo.

Esse processo quebra padrões como procrastinação, autossabotagem e falta de constância. Com o tempo, o cérebro passa a associar esforço com recompensa, criando um ciclo positivo de confiança interna. E isso não fica restrito ao treino. A disciplina se reflete em outras áreas da vida. Não é só o corpo que muda, é a forma como a pessoa pensa, decide e se posiciona.

Transformação 

Essa transformação é percebida na prática por profissionais da área. Segundo a educadora física Nathalya Piwowarczyk Ferreira, professora de bike indoor da Studio 4, em Goiânia, os benefícios do exercício vão muito além da estética — o bike indoor é modalidade de ciclismo praticada em bicicletas estacionárias, geralmente em ambientes fechados (academias ou estúdios).

"No início, os alunos dependem muito da motivação do professor ou de algum fator externo. Mas, com o tempo, eles desenvolvem mais consciência e consistência, passando a enxergar o treino como parte da rotina. Isso impacta diretamente na autoestima, ajuda a reduzir a ansiedade e melhora a relação com o próprio corpo, tornando-a mais positiva e amigável”, diz Nathalya Ferreira.

A educadora física explica que os primeiros efeitos aparecem rapidamente. Em poucas semanas, já é possível perceber melhora no humor e na disposição. Já a disciplina e a constância levam um pouco mais de tempo para se consolidar, em torno de quatro semanas, dependendo da frequência e do envolvimento da pessoa. "Aos poucos, a atividade física deixa de ser apenas estética e passa a ser essencial para a saúde mental.”

 A professora orienta a quem tem dificuldade em manter a rotina não esperar se sentir motivado para começar. O ideal, diz ela, é iniciar com o que for possível e evoluir gradualmente. Também é importante evitar comparações e respeitar o próprio processo. "Com o tempo, a constância se constrói.”

Saúde e prevenção

Produtora de eventos e cerimonial, Virginia Salles tornou-se adepta da mobilidade de bike indoor após ser diagnosticada com depressão e ter muito clara a recomendação do psiquiatra: apenas a medicação não seria suficiente, era necessário incluir exercício na rotina. "Meu médico indicou fortemente que eu me dedicasse à prática de exercício físico. Foi aí que uma amiga me convidou para uma aula experimental de bike indoor”, relata.

A profissional conta que a conexão com a modalidade foi imediata. A música, elemento central das aulas, teve papel decisivo nesse processo. “Sempre amei música. Já toquei piano e fiz aulas de dança, então a bike indoor com música me estimulou muito a continuar.”

A produtora de eventos afirmou que o impacto da prática física foi sentido logo nas primeiras aulas. “O bem-estar depois do treino é imediato. Mas no início, a maior dificuldade é vencer o desânimo de ir. Você não tem vontade. Essa é a primeira batalha. Depois que você supera, o próprio bem-estar se torna a motivação”, conta.

Virginia ressalta que encontrar uma atividade prazerosa foi um ponto de virada. “A bike me trouxe alegria e prazer, e isso mudou minha forma de encarar o exercício. Hoje me sinto aberta para experimentar outras práticas, como funcional e yoga. Encontrar algo que você goste no início é fundamental para se manter motivado.”

Quase seis anos depois, Virginia relata que percebeu mudanças profundas em sua rotina. “Minha saúde mental, minha disciplina e meu bem-estar físico melhoraram muito. Os resultados aparecem não só na mente e no corpo, mas também nas relações. A prática cria comunidade, fortalece amizades e permite conhecer novas pessoas.”

Para Virginia, o que começou como uma orientação médica se tornou um estilo de vida. “O primeiro passo não foi motivação, foi decisão. E isso transformou completamente a minha vida.”

Complemento

Do ponto de vista clínico, a ciência reforça essa percepção. A prática regular de atividade física tem sido associada à melhora de quadros de ansiedade e depressão, funcionando como um importante complemento no tratamento. O médico Lucas Nogueira Taveira Adorno, secretário de Serviços Médicos da Assembleia Legislativa de Goiás, afirma que diferente de bens materiais, o corpo é entendido como o principal patrimônio de cada pessoa, exigindo atenção e zelo contínuos.

Segundo essa visão, manter-se ativo está diretamente relacionado à qualidade de vida e à longevidade, já que problemas de saúde podem comprometer significativamente a capacidade de viver com autonomia.

 A orientação do médico é iniciar dentro dos próprios limites e, sempre que possível, escolher uma atividade que gere identificação. “O exercício precisa virar rotina, como comer ou dormir”, conclui.

 Políticas públicas

A soma desses benefícios individuais também se refletem no coletivo. Quando a prática de atividade física se torna mais presente na rotina da população, há impacto direto na redução de doenças, na melhora da qualidade de vida e, consequentemente, na diminuição da demanda por serviços de saúde. Nesse cenário, o incentivo ao exercício físico deixa de ser apenas uma escolha individual e passa a ser também uma estratégia de saúde pública.

Nesse contexto, o coordenador da Frente Parlamentar em Defesa do Esporte da Casa de Leis, deputado Ricardo Quirino (Republicanos), um ex-atleta, destaca a importância da atividade física como pauta de saúde pública. Segundo ele, grande parte da população ainda cuida pouco da própria saúde e busca atendimento médico apenas quando já apresenta problemas.

O parlamentar reforça que a prática regular de exercícios é um dos principais pilares do envelhecimento saudável e ativo. “A população está vivendo mais, mas precisamos garantir que essas pessoas vivam com qualidade de vida.”

Ele também chama atenção para o impacto social da atividade física. Além dos benefícios individuais, como melhora da saúde física e mental, o esporte promove integração entre pessoas de diferentes idades, sem distinções. “O esporte não separa, ele aproxima e socializa”, destaca.

Outro ponto abordado é o impacto econômico indireto, já que a prevenção por meio da atividade física pode reduzir custos com saúde ao longo do tempo. Ainda assim, Quirino reforça que o maior ganho está no aspecto social e na qualidade de vida da população.

Por fim, o deputado orienta que a prática de exercícios seja feita com acompanhamento profissional, respeitando os limites de cada pessoa. Segundo ele, a ciência já comprova que até pequenas atividades ao longo do dia trazem benefícios significativos, podendo evoluir de forma progressiva. “Atividade física é vida. É um elemento essencial para viver melhor, um investimento na própria saúde e na vida em comunidade”, conclui.

Agência Assembleia de Notícias - Reportagem Marcela Cabral de Pina Perillo
Compartilhar

Nós usamos cookies para melhorar sua experiência de navegação no portal. Ao utilizar você concorda com a política de monitoramento de cookies. Para ter mais informações sobre como isso é feito, acesse nossa política de privacidade. Se você concorda, clique em ESTOU CIENTE.