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Desafios do jornalismo

11 de Abril de 2026 às 17:00
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Desafios do jornalismo

9º Congresso Estadual dos Jornalistas de Goiás, na Assembleia Legislativa, reuniu profissionais e pesquisadores para debater o novo ambiente informacional e os impactos das transformações tecnológicas no exercício da profissão.

O Palácio Maguito Vilela, sede da Assembleia Legislativa do Estado de Goiás (Alego), recebeu na última sexta-feira e neste sábado, 10 e 11, o 9º Congresso Estadual dos Jornalistas de Goiás. Realizado no Auditório 1 da Casa, local que leva o nome do jornalista Altemar Santos, fundador do Portal Mais Goiás, o encontro reuniu profissionais, professores, pesquisadores e estudantes para discutir o tema “O jornalismo frente à economia da atenção”.

Articulado pelo presidente do Sindicato dos Jornalistas de Goiás (Sindjor-GO), Francisco Costa, o congresso teve como foco os impactos das transformações tecnológicas no exercício da profissão e os desafios do novo ambiente informacional.

Representando a categoria profissional, Francisco Costa ressaltou o caráter formativo e político do congresso. “Fico muito feliz em ver esse auditório com tantos colegas de profissão, colegas de sindicato e estudantes. Lutamos muito por esse importante encontro e por isso fico muito honrado em ter todos vocês aqui. Os jornalistas hoje vivem um momento de resistência diante de uma luta constante contra a desinformação. Por isso, é muito importante que se estude, que se aprenda e que não apenas ache. É importante saber e buscar a verdade. Esse congresso vem nesse sentido: contribuir com a formação e o conhecimento de todos”, afirmou.

Na abertura, o jornalista Vinícius Sassine, repórter especial da Folha de S.Paulo, destacou a importância da curadoria como elemento central do fazer jornalístico. “A primeira coisa que eu queria dizer é que eu entendo, como repórter, como jornalista, que o que a gente faz não está na mesma categoria que as big techs fazem. O jornalismo não é movido por algoritmos, o jornalismo é movido por curadoria. Eu acho que essa é uma palavra-chave para o jornalismo”, introduziu.

Com 23 anos de carreira e passagens por veículos como O Globo, Época, Correio Braziliense e O Popular, Sassine acumula 40 premiações, entre elas dois Prêmios Esso, o Prêmio Vladimir Herzog de Direitos Humanos, além de distinções internacionais como o Prêmio Rei da Espanha e o Prêmio Roche de Jornalismo de Saúde.

Durante a conferência, ele alertou para o risco de o jornalismo se deixar pautar pelas dinâmicas das redes sociais. “Ser pautado pelo que as redes estão dizendo é um pecado mortal [...]. Perdemos mão de obra, energia e dinheiro sendo pautados por algoritmos que não temos a menor ideia de como são construídos”, declarou Sassine. 

Para o jornalista, apesar da disputa por atenção no ambiente digital, a imprensa ainda tem a capacidade de conduzir o debate público. “Ainda tem essa capacidade de pautar o debate. O jornalista só consegue fazer isso quando ele dá uma peitada nos algoritmos e diz 'eu tenho as técnicas, as cabeças, a mão de obra, o investimento e o tempo necessário para apurar uma informação", completou Vinícius Sassine. 

Liberdade de imprensa

O ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Goiás, Cláudio Curado, também participou do encontro e aproveitou para ler a “Carta de Gaza”, um documento que denuncia violações contra jornalistas palestinos em meio ao conflito no Oriente Médio. Segundo o texto, "há violações contra jornalistas palestinos, pessoas que estão sendo mortas enquanto cumprem sua função humanitária de transmitir a verdade do coração da tragédia”.

A carta classifica os ataques como “um ataque direto à liberdade de imprensa” e afirma que “o crime de assassinar jornalistas dessa maneira sistemática é um crime de guerra completo”. O documento faz ainda um apelo à comunidade internacional, a entidades de direitos humanos e a organizações representativas da categoria para que adotem medidas de proteção aos profissionais que atuam em zonas de conflito. “Nossa luta hoje não é apenas uma luta para noticiar os fatos, é uma luta para proteger o próprio direito à verdade”, destaca o texto lido por Curado.

Programação

No sábado, 11, a programação foi retomada e teve início às 8h30 com o painel “Novos formatos e o sentido do jornalismo na atualidade”, reunindo Edson Spenthof, professor da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), e a jornalista Cileide Alves Cunha, mestre em História e colunista da Rádio CBN e do jornal O Popular.

O debate “Jornalismo de imagem vs extinção do real” discutiu os desafios impostos pelas mídias visuais emergentes e pela manipulação digital, com participação de Lisbeth Oliveira, professora da Universidade Federal de Goiás (UFG) e Celso Augusto Schröder, ex-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e da Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ). A mediação foi feita por Jota Lee, secretária de Sindicalização do Sindjor-GO.

No período da tarde, o painel “Impactos da IA no jornalismo e no mundo do trabalho” abordou os efeitos da inteligência artificial na produção de conteúdo e nas relações profissionais. Participaram Caio Antunes, professor da UFG, e Roseli Fígaro, professora titular da Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho.

O encerramento, às 15h45, foi marcado por um debate aberto sobre a regulamentação da profissão. A apresentação do histórico da regulação ficou a cargo de Maria José Braga, secretária-geral do Sindjor-GO e ex-presidente da Fenaj, que conduziu a discussão sobre os desafios e perspectivas para a categoria. 

Agência Assembleia de Notícias
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