A crise mundial e as suas incertezas
A crise financeira mundial tomou conta das manchetes na imprensa nos últimos dias. Não são apenas os economistas que estão fazendo especulações. Nas ruas o assunto não é outro. Na verdade, ninguém sabe ao certo como será o amanhã e quais serão os reflexos futuros. Alguns analistas financeiros alertam para grandes catástrofes. Já outros esperam que o Brasil não seja tão afetado. Mas o que vemos são acordos milionários entre bancos. É no bolso que o cidadão comum sente os efeitos dessa crise que parece envolver apenas quem tem contato direto com o sistema financeiro.
O dólar disparou e as bolsas de valores do mundo sobem e descem de uma hora para outra. A rotina do consumidor já está afetada. Produtos importados estão com preços maiores. Não é o melhor momento para viajar para o exterior. A alta do dólar dificulta o consumo de produtos importados. Também não é o momento de comprar no crediário. Além da alta nos juros, os prazos estão menores.
Apesar desta crise não ter a ver com Brasil, vivemos hoje uma economia globalizada, por isso tamanha preocupação com as conseqüências. Se a onda que nos atinge é um tsunami ou uma marola, não é possível saber agora. Para mim, o cenário é preocupante. Goiás poderá sentir os reflexos da crise de diversas formas. Por exemplo, o pólo farmoquímico de Anápolis para produzir necessita de matéria-prima que é basicamente importada. De modo geral, as indústrias e o comércio deverão desacelerar em relação ao primeiro semestre de 2008. Infelizmente, isso ficou claro diante das oscilações dos últimos dias. O Brasil perde o seu ritmo de crescimento.
Essencialmente agrícola, o nosso Estado deverá ter muitos problemas neste setor. Sem crédito, muitos produtores terão dificuldade em plantar. Aqueles que ainda não compraram insumos agrícolas estão inviabilizados ou terão que trabalhar com menor investimento tecnológico, o que não é recomendado no momento. Às vésperas do plantio da safra, a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás divulgou uma nota demonstrando a sua preocupação com a crise em relação ao campo brasileiro. A entidade observa que se por um lado a desvalorização do real poderá trazer um alívio para as exportações dos produtos do agronegócio, por outro causará impacto negativo aumentando o custo da produção. Problemas na agricultura e na pecuária atingem de forma ampla a economia goiana.
Nesses momentos de incerteza, devemos ter cautela nas atitudes, porém, não ficarmos omissos. A recomendação do Conselho Regional de Economia em Goiás é para que o País mantenha ações que demonstrem normalidade com devida sensatez, mantendo o nível de investimentos, produção e crescimento da economia. Afinal, toda crise tem um ciclo e após as dificuldades, ela passa. Devemos nos ancorar em experiências anteriores e aprendermos as lições.