Crise global e os pobres mortais
* Fábio Sousa é deputado estadual, presidente da Comissão de Constituição e Justiça e Redação da Assembléia Legislativa
Se dependesse do presidente do Brasil a crise não passaria de uma “marola”. A verdade é que a previsão de sua excelência não se concretizou, é certo que não passaremos pelo “olho do furacão”, mas sofreremos ventanias e trovoadas bem fortes.
Primeiro, porque não existe economia forte o bastante, no mundo inteiro, que suporte um ataque à economia americana. O Brasil não foge à regra, já que suas exportações e importações são feitas baseadas no preço do dólar. Ao faltar dinheiro nos bolsos dos ricos barões de Wall Street, nos Estados Unidos, eles vão querer buscar seus dólares em outros lugares, de preferência em economias que ganharam muitos dólares nos últimos anos, como o Brasil.
Isto nos afeta porque as indústrias vão ter de rever seus planos de investimentos e expansão, suas previsões de compras e faturamento. Isso pode representar demissões, não contratações ou no mínimo não haver aumento de salários, inclusive recuperação de perdas salariais.
Quando isto acontecer: bumba! O Brasil pára de crescer, o comércio pára de crescer, pois teremos menos recursos para comprar, o que vai obrigar o setor comercial a rever seus planos de investimentos e expansão. É um ciclo que termina em nós, pobres mortais brasileiros. O setor comercial afetado representará a volta da inflação; para controlar a inflação, o governo terá de fazer uso das políticas de juros altos, que representa aos brasileiros, valores mais altos em suas prestações.
E olha que ainda não analisei o nosso setor mais produtivo e competitivo, o agronegócio. Parece-me que, com a alta do dólar, os grandes fazendeiros poderão até ganhar dinheiro, pois a sua exportação é feita em dólar. Mas os grandes e pequenos produtores, que mais dependem dos empréstimos bancários do que das sementes e dos tratores, devem se preocupar.
Não havendo dinheiro para os industriais e comerciantes que serão obrigados a rever seus custos, não haverá dinheiro no banco para emprestar. Aqueles que conseguirem um empréstimo terão de fazer “das tripas coração” para conseguir pagar suas parcelas desesperadamente abusivas, devido aos juros.
Não havendo dinheiro para estes pequenos e médios produtores, faltará plantações. Não havendo plantações, o preço do pãozinho da padaria (que precisa de trigo), do arroz e feijão e do iorgute (derivado de leite) vai ficar mais caro. Quem sai no prejuízo: os pobres mortais brasileiros.
Parece-me que a “marola” presidencial será por nós interpretada como um tufão.
Fica então um conselho aos pobres mortais, para não ficarem mais pobres com a crise. Um conselho bíblico. José, governador do Egito, foi avisado por Deus sobre uma grande crise mundial que atingiria toda terra, isto há mais de quatro mil anos. Sabendo disso, José tomou uma decisão: ordenou que, em todo Egito, provisões fossem guardadas durante os anos de abundância. Quando a crise veio, o Egito tinha provisões de sobra para seu povo e para vender a outras nações, fazendo de Faraó o homem mais poderoso da Terra.
Se quisermos passar bem pelo meio desta tormenta econômica mundial precisamos começar a guardar dinheiro. Apertar um pouco o cinto e ajuntar provisões para um 2009/2010 incertos.
Certamente, os Estados Unidos vão dar a volta por cima. Antes de quebrar, o Tio Sam quebra todo o mundo. Ao passar das eleições americanas e com o novo presidente, a economia americana tende a voltar a crescer. Resta saber se o resto do mundo, inclusive o Brasil, saberá se reerguer em meio a esta “marola”.