Plebiscito seria o mais indicado para definir reforma política
O debate sobre uma reforma política que venha a unificar as eleições no Brasil, de vereador a presidente da República, a cada quatro anos, deveria passar por um plebiscito. Esse é o entendimento do deputado tucano Helder Valin, presidente eleito da Assembléia Legislativa, que defende um debate sobre o assunto com toda a sociedade.
Para Valin, acima do debate sobre unificação e prorrogação ou não de mandatos, deveria haver uma discussão profunda com a população sobre a reforma política. Há temas polêmicos como fidelidade partidária, voto em lista partidária e o financiamento público de campanha.
O deputado republicano Cláudio Meirelles também tem ressalvas. Segundo ele, o eleitor não aprovaria um mandato tampão, pois elegeu seus representantes para mandato de quatro anos.
Quem também vê inconvenientes em eleições gerais é Romilton Moraes (PMDB), que diz ter dúvidas se esse sistema seria o mais correto para o Brasil. Lembra que o País já teve eleições gerais no passado e, hoje, tem eleições intercaladas, o que evita contaminar os temas, os assuntos, locais, por isso entende que essa questão tem que ser debatida com profundidade.
“Não resta dúvida que eleições de dois em dois anos é pesado para a classe política e para os partidos, mas por outro lado você evita também a nacionalização de temas que são locais. E é bom lembrar eleições intercaladas são realizada em muitos lugares do mundo”, salientou Romilton.
Líder da bancada do PSDB, Padre Ferreira argumenta que a manutenção do atual sistema, com eleições de dois em dois anos, custa muito alto para o País, além do desgaste para a classe política. Já Luis Cesar Bueno (PT) argumenta que a população exerceu recentemente o direito de votar e que as eleições de 2008 serão a última dessa modalidade.
Alianças coerentes
Há também parlamentares que defendem a unificação das eleições com o argumento de que um sistema único reforçaria a proposta de financiamento público das campanhas e ainda proporcionaria uma maior coerência às alianças políticas. Por outro lado, evitaria a contaminação da gestão pública pelas campanhas eleitorais.
No Congresso Nacional tramitam propostas para modificar o sistema eleitoral e unificar as eleições no País, mas ainda há muitas divergências, o que evita consenso sobre o assunto.