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Os grandes reflexos da “marolinha”

22 de Dezembro de 2008 às 09:01
Artigo do deputado Daniel Goulart (PSDB) publicado no jornal "Diário da Manhã", edição de 10.12.2008.

* Daniel Goulart é deputado estadual e vice-presidente do PSDB goiano 

A produção e os empregos no Brasil já estão ameaçados pela crise financeira mundial. Isso porque a previsão era de que nosso País não deveria receber com tanta força os reflexos dessa crise. Algumas conseqüências já são notórias e começam a mostrar que ela não se trata apenas de uma “marolinha”. Na última semana, a mineradora Vale, maior exportadora brasileira, demitiu 1.300 funcionários. Outros 5.500 trabalhadores foram colocados em férias coletivas. A maioria dos cortes aconteceu em Minas Gerais.

Na segunda-feira, a empresa suspendeu o funcionamento de dois setores no Porto de Tubarão, no Espírito Santo. O motivo alegado pela Vale é que houve uma diminuição da demanda internacional pelo minério de ferro. Por conseqüência disso, algumas montadoras de automóveis também deram férias coletivas aos seus funcionários e o setor de fabricação de autopeças sofre com demissões.

Mas essa leva de desemprego significa mais. Em breve as estatísticas vão mostrar que a produção do País teve um corte profundo, gerando um processo recessivo. Em alguns lugares do mundo, como os Estados Unidos e a China, onde a recessão traz sinais mais evidentes, a importação foi suspensa.

Sem dúvida, este é um cenário que me preocupa muito. Afinal, a economia hoje é globalizada e a oscilação de uma bolsa de valores do outro lado do mundo influencia no nosso sistema financeiro.

Porém, Goiás ainda não demonstrou sofrer reflexos concretos evidentes da crise. Isso se deve à estrutura financeira que o Estado tem hoje. E essa estrutura vem de uma política que começou com o ex-governador Marconi Perillo e permitiu, através de apoio à cadeia produtiva e de incentivos fiscais, a vinda de muitas indústrias. Uma política perpetuada pelo atual governador Alcides Rodrigues.

Outro motivo é que Goiás tem uma economia baseada no setor agropecuário. Por mais que os países importadores dos nossos produtos estejam vivendo um momento de crise, dificilmente eles vão parar de comprar carne e grãos. Prova disso é que a Rússia voltou a comercializar carne e embutidos do Brasil e de Goiás.

Recentemente, uma enquete realizada num canal de TV aberta mostrou que as pessoas ainda vêem a crise como algo muito distante delas. O comércio está na expectativa de manter as vendas e se mostra aquecido por causa das vendas do Natal. O problema deve se apresentar com mais clareza após este período de final de ano. Nós não sabemos como a crise vai atingir o comércio.

O governo precisa também abaixar as taxas de juros. Esperamos que a próxima reunião do Copom nos traga boas notícias. A economia brasileira corre um sério risco de sofrer uma estagno-deflação. O termo não é bonito e a conseqüência dele também não.

Alguns líderes podem até dizer que aqui no Brasil vai chegar apenas uma “marolinha” da tsunami que assolou a economia global. Aliás, nem estão totalmente errados. Afinal, um estadista não pode causar um pânico na sociedade. Mas, por outro lado, quando um trabalhador recebe a notícia de que perdeu o emprego, ele sente, sim que a sua vida foi devassada por uma onda gigante. Apenas no caso da mineradora Vale, mais de mil famílias perderam a sua renda. E para os outros milhares que ficaram (e não sabem até quando) resta trabalhar num clima de tensão e com total insegurança do seu futuro.

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