O ciclo dos abusos tem de acabar
* Betinha Tejota é deputada estadual e administradora de empresas. www.betinhatejota.net
O que antes só se ficava sabendo por conversas secretas entre as famílias, agora, vem à tona praticamente toda semana nos noticiários. Os abusos sexuais contra menores têm afligido a sociedade com os devaneios sórdidos de homens que parecem não ter controle de seus impulsos sexuais.
Por conta da inocência presumida garantida pela Justiça brasileira desde o fim da ditadura militar, todos os suspeitos têm a chance de provar que são inocentes com ajuda de advogados que, certamente, farão de tudo para afirmar que nada do que as crianças disseram é verdade, ou, caso o crime seja irrefutável, amenizar a pena de seus clientes.
Infelizmente, as histórias absurdas de violência sexual contra crianças remontam há muitas gerações. A diferença é que hoje as pessoas procuram a polícia para denunciar sem tanto medo dos constrangimentos dentro da família. Ainda bem que a consciência do que deve ser feito nesses casos tem sido mais frequente nesses dias.
É inadmissível acobertar o caso de um namorado, mesmo que envolvendo um engenheiro experiente, com um nome forte e de quase 60 anos de idade, que pode ter abusado de um enteado de 7 anos de idade, despistando a mãe da criança com chocolates cheios de remédio para dormir. Avaliações psicológicas comprovaram que o menino não mentiu, e exames de corpo de delito confirmaram a agressão. Agora, ele foi indiciado, mas, com os recursos previstos pela Justiça brasileira, o suspeito pode ser que nem sinta o peso criminal das ações de que é acusado. Se não fosse o bastante, na mesma semana que a polícia prende o referido engenheiro, um pai de família, que não tem formação superior, é preso na região metropolitana da Capital suspeito de molestar as três filhas, de 13, 11 e 7 anos de idade, e uma vizinha de 12. Segundo a polícia, o pai abusava das filhas há três anos. Um absurdo para a mente de qualquer um que tem filhos em casa. Nessa era da informação as próprias crianças têm acesso e ficam assombradas e confusas ao ver histórias como essa.
Para piorar, poucos dias depois, também na mesma semana, um padrasto é preso em Trindade acusado de atentado violento ao pudor contra a enteada de 9 anos. E assim como a criança no caso do engenheiro, a menina foi salva por uma professora. Mas quem vai salvar milhares de outras crianças que descobrem a vida sexual dessa forma tão abrupta, precoce e violenta, se a maioria das vítimas é violentada em casa?
E é claro, o problema não acontece só em Goiás. Um estudo do Hospital Pérola Byington em São Paulo, mostra que a maioria dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes é praticada por alguém do núcleo familiar. A pesquisa do hospital, feita com base nos atendimentos a vítimas em 2007, apontou ainda que 90% dos abusos acontecem repetitivamente e que 12% deles ocorrem num prazo maior de cinco anos. A opinião do ginecologista Jéferson Drezett, coordenador do Serviço de Violência Sexual do Hospital Pérola Byington, é o que podemos chamar, nesse momento, de clamor em favor dos menores abusados sexualmente: é preciso identificar estes casos de violência o mais rápido possível para que o “ciclo de violência” seja rompido.
O papel da família e dos amigos é fundamental para que esse tipo de crime não continue afligindo as nossas crianças. Acreditar que o trauma passa e cai no esquecimento com o tempo é um grande erro. As crianças jamais se esquecem dos abusos que sofreram. Elas aprendem a lidar com o passado, mas não o esquecem. Por isso, a tolerância ao abuso contra crianças e adolescentes precisa ser zero. A expectativa da sociedade é que a polícia continue prendendo esses criminosos que estão dando continuidade ao ciclo da violência sexual, talvez até porque já foram vítimas dela, mas isso cabe a profissionais da Psicologia descobrir e tratar. O importante e urgente agora é denunciar o mais cedo possível para evitar sofrimentos maiores a nossa futura geração.
O que antes só se ficava sabendo por conversas secretas entre as famílias, agora, vem à tona praticamente toda semana nos noticiários. Os abusos sexuais contra menores têm afligido a sociedade com os devaneios sórdidos de homens que parecem não ter controle de seus impulsos sexuais.
Por conta da inocência presumida garantida pela Justiça brasileira desde o fim da ditadura militar, todos os suspeitos têm a chance de provar que são inocentes com ajuda de advogados que, certamente, farão de tudo para afirmar que nada do que as crianças disseram é verdade, ou, caso o crime seja irrefutável, amenizar a pena de seus clientes.
Infelizmente, as histórias absurdas de violência sexual contra crianças remontam há muitas gerações. A diferença é que hoje as pessoas procuram a polícia para denunciar sem tanto medo dos constrangimentos dentro da família. Ainda bem que a consciência do que deve ser feito nesses casos tem sido mais frequente nesses dias.
É inadmissível acobertar o caso de um namorado, mesmo que envolvendo um engenheiro experiente, com um nome forte e de quase 60 anos de idade, que pode ter abusado de um enteado de 7 anos de idade, despistando a mãe da criança com chocolates cheios de remédio para dormir. Avaliações psicológicas comprovaram que o menino não mentiu, e exames de corpo de delito confirmaram a agressão. Agora, ele foi indiciado, mas, com os recursos previstos pela Justiça brasileira, o suspeito pode ser que nem sinta o peso criminal das ações de que é acusado. Se não fosse o bastante, na mesma semana que a polícia prende o referido engenheiro, um pai de família, que não tem formação superior, é preso na região metropolitana da Capital suspeito de molestar as três filhas, de 13, 11 e 7 anos de idade, e uma vizinha de 12. Segundo a polícia, o pai abusava das filhas há três anos. Um absurdo para a mente de qualquer um que tem filhos em casa. Nessa era da informação as próprias crianças têm acesso e ficam assombradas e confusas ao ver histórias como essa.
Para piorar, poucos dias depois, também na mesma semana, um padrasto é preso em Trindade acusado de atentado violento ao pudor contra a enteada de 9 anos. E assim como a criança no caso do engenheiro, a menina foi salva por uma professora. Mas quem vai salvar milhares de outras crianças que descobrem a vida sexual dessa forma tão abrupta, precoce e violenta, se a maioria das vítimas é violentada em casa?
E é claro, o problema não acontece só em Goiás. Um estudo do Hospital Pérola Byington em São Paulo, mostra que a maioria dos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes é praticada por alguém do núcleo familiar. A pesquisa do hospital, feita com base nos atendimentos a vítimas em 2007, apontou ainda que 90% dos abusos acontecem repetitivamente e que 12% deles ocorrem num prazo maior de cinco anos. A opinião do ginecologista Jéferson Drezett, coordenador do Serviço de Violência Sexual do Hospital Pérola Byington, é o que podemos chamar, nesse momento, de clamor em favor dos menores abusados sexualmente: é preciso identificar estes casos de violência o mais rápido possível para que o “ciclo de violência” seja rompido.
O papel da família e dos amigos é fundamental para que esse tipo de crime não continue afligindo as nossas crianças. Acreditar que o trauma passa e cai no esquecimento com o tempo é um grande erro. As crianças jamais se esquecem dos abusos que sofreram. Elas aprendem a lidar com o passado, mas não o esquecem. Por isso, a tolerância ao abuso contra crianças e adolescentes precisa ser zero. A expectativa da sociedade é que a polícia continue prendendo esses criminosos que estão dando continuidade ao ciclo da violência sexual, talvez até porque já foram vítimas dela, mas isso cabe a profissionais da Psicologia descobrir e tratar. O importante e urgente agora é denunciar o mais cedo possível para evitar sofrimentos maiores a nossa futura geração.