Ciúme político e reforma política
Já me falaram que ciúme de homem é pior que o ciúme de mulher. Inveja então, nem se fala. No meio político é ainda maior, algo muito feio, mas real. Na Assembleia Legislativa de Goiás, bem como em todas as casas legislativas deste País, este ciúme é aguçado pela desenvoltura de alguns políticos. Quando um se destaca pelo trabalho, os ciumentos e invejosos políticos logo agem tentando descredibilizar o destacado. Quando este é jovem, parece que a inveja atiça mais.
Certa vez, ouvi um político experiente dizer que deveria dar um jeito de calar um jovem vereador porque ele “estava aparecendo muito” e como ainda era, na concepção daquele vereador mais experiente, “um menino”, não deveria. Na Assembleia Legislativa encontrei alguns piores, que querem construir suas carreiras políticas não em cima de propostas, pois geralmente não apresentam ou apresentaram nenhum projeto relevante à sociedade, mas chamando as pessoas para o confronto pessoal. E o pior que em muitos casos conseguem votos para se manter no poder.
A maioria dos políticos mais experientes vê nos mais novos uma oportunidade de uma continuidade de seus trabalhos políticos. Estes agem como conselheiros, ajudadores e professores. Na Assembleia encontrei homens deste nível também. Homens com um espírito público maior do que seus interesses pessoais e que muito tem a ensinar a nós, políticos mais novos. Estou falando de Jardel Sebba, Helder Valin, Honor Cruvinel, Júlio da Retífica, Helio de Sousa, Daniel Goulart, Padre Ferreira, Wagner Guimarães, Mara Naves e tantos outros que não veem nos políticos mais novos ameaças e sim continuidade ao seu brilhantismo.
Mas também encontrei víboras travestidas de parlamentares que querem construir seus nomes em bravatas, discursos e na falta de ação, achando que o povo é besta. Com estes, não posso comungar, não posso sequer conviver, pois suas ações diferem muito do meu caráter.
Para minha surpresa, o governo federal enviou nesta semana algumas propostas para uma reforma política. Salvo uma ou outra proposta salutar e louvável, o governo patina nas mesmas intenções de não resolver os grandes problemas do processo político brasileiro.
Propôs o financiamento público de campanha, algo que sou totalmente contra porque não acredito que o dinheiro de nossos impostos devam ser usados para financiar candidaturas.
Propôs também o que considero um grande golpe velado a nossa democracia: a lista fechada partidária. Sou totalmente a favor da fidelidade partidária, mas radicalmente contra que os líderes partidários, os donos dos partidos, decidam os eleitos em uma lista fechada. Pergunte a qualquer brasileiro se ele vota no partido ou no candidato? Deixem que o povo decida!
Este sistema de lista fechada interessa apenas aos caciques políticos que veem nesta medida uma forma de se perpetuar no poder. Com este sistema os jovens que se interessarem por política e até mesmo aqueles que não são tão mais jovens mas querem e podem contribuir só poderiam ser candidatos se fizerem parte de uma dinastia política ou tiverem padrinho muito forte.
O que os donos de partido querem é que seus filhos assumam suas posições, inviabilizando a renovação política, o surgimento de novos líderes, tão importante para a construção de um país.
O que é pior: com a lista, estes ciumentos e invejosos políticos não precisarão mais “podar” os mais novos, pois estes não mais existirão na política.