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Preocupações com crescimento da incidência da dengue

25 de Fevereiro de 2009 às 10:44
O combate à dengue tem que passar pelo envolvimento de toda a sociedade. Um comitê de mobilização na região metropolitana será criado em breve. É o que relata, em artigo, o deputado Ozair José (PP). Diário da Manhã, edição de 24.02.2009.
* Ozair José é deputado estadual pelo PP

Cerco ao mosquito da dengue - Campanha intensifica combate à doença, mas Vigilância Epidemiológica alerta que a população também tem de fazer sua parte para o sucesso das ações. A gerente da Vigilância Epidemiológica, Magna de Carvalho, ressalta que o combate ao Aedes aegypti deve ser feito 365 dias por ano. Goiás tem uma estação bem definida no período seco, que vai de maio a setembro.

Com a redução drástica da chuva há diminuição também na proliferação do mosquito e no número de casos de dengue. Geralmente nesse período, diz ela, o que se observa é a descontinuidade das ações por parte do poder público e da população, prevalecendo o falso entendimento de que a doença está controlada. “Aí está o grande problema”, afirma.

Vai ser criado o Comitê de Mobilização contra a Dengue na Região Metropolitana, com a participação dos 17 municípios vizinhos de Goiânia. A iniciativa vai possibilitar que o problema seja discutido de forma articulada.

Além dos recursos do Estado e dos municípios, Goiás receberá para a próxima campanha de controle da dengue R$ 5,5 milhões do Ministério da Saúde, dinheiro que terá como destinatários 55 municípios considerados prioritários para o combate ao Aedes aegypti por terem maior número de problemas.

Ao contrário do que se pode pensar, em Goiânia, dados da Secretaria da Saúde revelam que os bairros considerados centrais, como o próprio Centro e setores adjacentes, são os que apresentam uma situação pior no tocante à dengue. Ao lado de situações já conhecidas, como a presença do Aedes aegypti em garrafas plásticas jogadas no quintal ou nas ruas, vasos de plantas, pneus com água parada, a fiscalização tem encontrado o mosquito atrás de árvores, em bueiros e até na água de aparelhos de ar-condicionado.

No Centro da Capial, o Aedes já se espalha também pelas calhas das casas ou pelo lixo que escoa para os bueiros. Bairros como Campinas e Jardim América também apresentam altos índices de proliferação do mosquito. Com a chegada do período chuvoso, ou pela manutenção de água parada nessas áreas, a situação tende a se agravar.

A babá Vânia Lúcia Lima dos Santos, 19 anos, mora no Setor Independência Mansões, em Aparecida de Goiânia, e considera importante as campanhas porque ajudam na conscientização. Vânia lembra que no ano passado perdeu uma vizinha que não resistiu à dengue. Segundo ela, sua família mantém tudo limpo no quintal. Contudo, na rua sem asfalto, “tem muita água parada” .

Uma situação diferente da relatada por dona Júlia Costa Aires, ex-síndica de um condomínio no Setor Oeste. Ela afirma que as campanhas de combate ao mosquito transmissor sempre tiveram o apoio dos moradores do prédio e lá as normas de combate são atendidas.

“É a gente que cuida do próprio quintal. Não vou ficar esperando o governo fazer isso porque a obrigação é minha.” A crítica a quem entende que a obrigação de cuidar do lixo nos quintais e nas ruas cabe ao governo é da dona de casa Maria Justina Neto, 63 anos, moradora do Setor Pedro Ludovico. Nesses termos ela reagiu à informação de que uma nova campanha de combate à dengue será deflagrada nos próximos dias. Dona Fia, como é chamada pelos íntimos, acredita que se cada um cuidasse de sua parte a proliferação do Aedes aegypti não seria tão grave como mostram as estatísticas da saúde.

Por causa do aumento de casos da doença, gestores dos 246 municípios goianos - entre eles prefeitos atuais e eleitos - e representantes de 40 instituições da sociedade civil organizada vão participar de seminário que está sendo convocado pela Secretaria da Saúde, com participação da Secretaria da Educação, que visa chamar todos para a co-responsabilidade no tocante às ações de controle da dengue.

A ideia, explica a gerente de Vigilância Epidemiológica, Magna de Carvalho, é que não haja interrupção no combate ao transmissor vez que novos prefeitos e secretários foram empossados. Infelizmente, afirma, as previsões não são as melhores para o verão.

Goiás já tem um quadro epidemiológico importante, com mais de 42 mil casos classificados da doença até a primeira semana de outubro do ano passado: mais de 200% de aumento em relação a 2007, que totalizou 15.698 casos. A classificação dos municípios com relação à dengue até 4 de outubro informa que 84 cidades têm coeficiente de incidência de alto risco e 218 localidades constam com notificação da doença. Soma-se a isso observação dos números da última década: os anos seguintes às eleições municipais em todo o País - Goiás não foge à regra - mostram um aumento na incidência da doença.

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