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Assembleia entrega comendas Berenice Artiaga a 74 mulheres

09 de Março de 2009 às 21:15
Deputados entregam a Comenda Berenice Artiaga a mulheres que se destacam, no Estado de Goiás, em suas áreas de atuação. A homenagem pelo Dia Internacional da Mulher é de autoria de Isaura Lemos. Berenice Artiaga foi a primeira mulher a se eleger deputada estadual no País e participou da solenidade.

A sessão especial do plenário da Assembleia Legislativa prestou homenagem ao Dia Internacional da Mulher na noite desta segunda-feira, 9. Ao todo, 74 mulheres de destaque em suas áreas de atuação da sociedade goiana receberam a Comenda Berenice Artiaga. A solenidade foi proposta pela deputada Isaura Lemos (PDT). Cada parlamentar indicou duas mulheres para receber a honraria no evento.

A deputada Isaura Lemos (PDT) disse em seu discurso que é preciso homenagear as mulheres anônimas e às que estão à frente de seu tempo. "Hoje é um dia internacional; então, o mundo todo comemora conquistas e reflete sobre o que está para ser conquistado", afirmou.

Isaura também fez questão de homenagear a primeira deputada estadual eleita em Goiás, Berenice Artiaga, que dá o nome à comenda da Assembleia e que compareceu à sessão solene. Depois, Isaura relembrou a origem do Dia Internacional da Mulher, quando 126 mulheres foram queimadas vivas, em uma fábrica americana, nos anos 60.

Para a pedetista, só o sistema socialista vai dar à mulher a dignidade que ela merece. "Um sistema econômico mais justo é que vai estabelecer a igualdade de oportunidades para homens e mulheres", afirmou. "Já tivemos muitos avanços, mas ainda dá pra avançar muito mais."

"Mulher ganhou espaço"

A deputada Cilene Guimarães (PR) disse na tribuna que a convivência entre homens e mulheres tem sido diferente de uns anos para cá. "A mulher ganhou espaço, graças à sua força e determinação", afirmou. A parlamentar também fez um agradecimento especial às deputadas que são suas colegas no legislativo. "Vocês representam o nosso povo e têm feito um bom trabalho."

A deputada Betinha Tejota (PSB) destacou em sua fala que as mulheres cumprem jornada dupla e até tripla de trabalho. "Não poderia também deixar de parabenizar aquelas que romperam fronteiras e conseguiram se destacar em profissões que antes eram predominantemente masculinas", afirmou.

Já a líder do PMDB na Assembleia, deputada Mara Naves (PMDB), disse que, sem mulheres no mundo, o planeta seria desarmônico. "O valor de uma mulher virtuosa é maior do que de muitas jóias, como já dizia a bíblia", afirmou. "A mulher de antigamente era apenas procriativa; hoje é provedora e competitiva, porque o mercado de trabalho exige isso dela."

A advogada Darlene Liberato, que discursou em nome das homenageadas, agradeceu a oportunidade de representar as mulheres na solenidade. De acordo com ela, é preciso resgatar o histórico de resistência das mulheres às imposições do patriarcado, as milhares de vitimas da exploração sexual, do abandono, as mulheres fatalmente atingidas pela violência doméstica.

"O machismo não pode ser assimilado naturalmente como única forma de construção das relações. Há que se defender cada vez mais a alteridade, o compartilhamento, a solidariedade, relações que somem para a construção de uma cultura de paz e para a vivencia integral dos direitos humanos", disse Darlene Liberato.

Quem foi Berenice Artiaga
Berenice Teixeira Artiaga foi a primeira mulher a se eleger deputada estadual no Brasil, em 1950. Por conta da tradição política que fez dela a primeira parlamentar estadual do País, Berenice Artiaga é hoje nome de uma homenagem concedida anualmente pela Assembleia Legislativa a mulheres que se destacam no Estado.

Em 1950, a política em Goiás dividia-se entre PSD e UDN. De um lado, os Ludovicos; de outro, os Caiados. Seu marido, o militar e político Getulino Artiaga, era muito ligado a Pedro Ludovico e disputava a reeleição como deputado estadual pelo PSD. Porém, num comício, em Nova Aurora, foi assassinado a 20 dias das eleições.

Então, o PSD decidiu lançar sua candidatura em lugar do marido morto. E Berenice Artiaga, natural de Santa Cruz de Goiás, foi eleita. Seu pai foi ligado à política e um de seus irmãos, Osires Teixeira, foi vice-governador de Goiás, no governo Otávio Lage, além de ser senador da República.

Em 1982, Osires Teixeira disputou sua última eleição, como candidato a vice-governador na chapa de Otávio Lage contra Iris Rezende. O legado política da família foi herdado pelo filho mais velho de Berenice e Getulino, Índio do Brasil Artiaga, que foi prefeito de Goiânia, de 1979 a 1982, eleito pelo colégio eleitoral.

Dona Berenice reelegeu-se deputada em 1954, permanecendo na Assembleia Legislativa até 1958. Casou-se novamente, mudou-se para Brasília, viveu 11 anos com o novo marido e ficou de novo viúva aos 50 anos. Não teve filhos no segundo casamento. Com Getulino Artiaga teve três: Índio, Indiara e Ibirá.

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