Percepção feminina
* Vanuza Valadares é deputada estadual, líder do PSC na Assembleia Legislativa do Estado de Goiás e presidente da Comissão de Meio Ambiente e Recursos Hídricos
Tenho o dia 8 de março como um marco. Uso essa data como referência para saber o que mudou e quanto mudou a minha realidade.
Hoje lembrei que há um ano estava na Assembleia Legislativa, onde foram homenageadas 82 mulheres. Lembro-me que na época havia uma grande discussão sobre as pesquisas com embriões humanos. A questão aguardava um parecer do Supremo Tribunal Federal, que todos acreditávamos que passaria a ser a palavra final sobre esse assunto. Afinal o guardião da nossa Constituição Federal certamente seria competente para resolver essa complexa equação que envolve leis e valores morais e éticos.
No discurso proferido no ano passado pontuei que já se foi o tempo em que tínhamos a certeza de que somente a mulher poderia gerar vida humana e que somente Deus poderia mantê-la e decidir quando deveríamos morrer.
Os avanços da Ciência e da Medicina nos colocam a responsabilidade de decidir sobre a vida e a morte. Vemo-nos envoltos por uma grande variedade de entendimentos, que são tão respeitáveis quanto antagônicos, no que se refere à especificação do momento exato do surgimento do ser humano.
Um ano se passou e nesse meio-tempo muita coisa mudou. Vi nascer novas mulheres, e vislumbrei a nova geração que vai surgir. Ganhei e perdi amigas na luta contra o câncer. Presenciei a história de mulheres que tiveram que tirar e reconstruir a mama. E, graças a Deus, hoje estão bem. Mulheres que foram para a mesa de cirurgia para ficarem ainda mais belas. Enfim, mulheres que lutam para continuar vivas e mulheres que querem melhorar ainda mais a sua maneira de viver.
Neste um ano percebi o quanto a minha filha e suas amigas amadureceram. Percebi o quanto realizei como deputada e comemorei as diversas conquistas das mulheres com quem convivo.
Neste ano de 2009 participarei das comemorações ao Dia da Mulher na Câmara Municipal de Porangatu, onde será realizada uma sessão especial para homenagear as garis da cidade.
Todos nós sabemos que estas profissionais são imprescindíveis para a manutenção da limpeza das cidades e também que elas quase sempre passam despercebidas nas ruas.
É o que os sociólogos tentam explicar como “invisibilidade pública”, ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde se enxerga somente a função e não a pessoa.
A Câmara Municipal de Porangatu foi muito feliz em reconhecer essas mulheres, que, para mim, são admiráveis também pela função que exercem. Que este seja um dia para comemorarmos e confirmarmos o direito de ser mulher em toda a sua complexidade.