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Respeito e dignidade aos trabalhadores ambulantes

17 de Março de 2009 às 12:08
Artigo do deputdo Valdir Bastos (PR) publicado no jornal "Diário da Manhã", edição de 12.03.2009.
* Valdir Bastos é médico, deputado estadual pelo PR e presidente da Comissão de Saúde e Promoção Social da Assembleia Legislativa de Goiás

Para onde vão os trabalhadores ambulantes que hoje atuam nos terminais de ônibus de Goiânia e dos municípios da região metropolitana? A única certeza que temos é de que eles serão despejados dos seus locais de trabalho ainda este mês de março por determinação da CMTC, sob alegação de reforma dos terminais, e que o comando dessas áreas passará para as empresas de ônibus que operam no sistema.


Essa determinação da CMTC – além de ser um equívoco muito grande, pois em todos os terminais existem espaços suficientes para comportar os vendedores e os usuários, bastando apenas fazer uma adequação física e moderna – é um absurdo sem precedentes, desumano, antissocial e politicamente incorreto, tendo em vista que estamos em plena crise econômica e financeira mundial que atinge nosso País e na qual milhares de pais de família ficarão desempregados e sem renda para sustentar seus filhos.

É preciso que as autoridades envolvidas nessa questão tenham mais sensibilidade, carinho e respeito para com os vendedores ambulantes. O momento agora é de geração de empregos para fortalecer a economia, dando possibilidades para que os trabalhadores possam ter renda e, assim, tendo o mínimo de poder aquisitivo, fazer compras, sustentar seus filhos, aquecer o comércio e a indústria, estabelecendo um círculo virtuoso de compra e venda e aumento da produção.

Temos que evitar que os vendedores ambulantes dos terminais venham aumentar e fazer parte do exército de desempregados da região metropolitana da Grande Goiânia. Caso realmente sejam despejados, a medida vai atingir direta e indiretamente cerca de três mil pais e mães de família, pois, além dos vendedores, ficam prejudicados os seus fornecedores, como pequenos confeccionistas, artesãos e confeiteiros, entre outros.

Antes do dia 21 de março, que é a data fática para a categoria, espero, sinceramente, que o presidente da CMTC, senhor Marcos Massad, encontre uma solução para que o problema não seja uma medida drástica de colocar os trabalhadores no olho da rua. Vendedores ambulantes existem em qualquer parte do mundo, até mesmo na sofisticada Nova York. O Ministério Público também tem que se manifestar para evitar um caos social.

Fico extremamente comovido com a situação desses trabalhadores. Estão travando uma luta desigual e sem nenhuma esperança. Em Aparecida de Goiânia, o problema dos comerciantes já é uma realidade, pois eles estão sofrendo as consequências da determinação da CMTC antes mesmo da data prevista para saírem do local de trabalho, vez que o terminal do Cruzeiro do Sul já está em reformas. Os ambulantes estão procurando todos os meios de se defenderem, por meio de manifestações pacíficas, debates e movimentos políticos junto às autoridades.

Na Assembleia Legislativa, contam com o meu apoio e de vários outros colegas deputados, onde realizamos, sob a minha iniciativa, uma audiência pública para encontrar uma saída para esses seres humanos que precisam de uma mão amiga.

Espero, sinceramente, que o prefeito de Goiânia, Iris Rezende – homem de grande sensibilidade política e humana, que sempre esteve ao lado do povo trabalhador, o único no País que construiu mil casas em único dia para dar aos pobres –, não deixe que esses trabalhadores fiquem na rua da amargura. Vamos todos juntos, CMTC, Setransp, prefeituras municipais da Capital e do Entorno, Assembleia Legislativa, Ministério Público e Poder Judiciário, encontrar uma saída para não deixar que milhares de pais de família fiquem desempregados.
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