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A “marolinha” virou tempestade

20 de Março de 2009 às 12:52
Artigo do deputado Padre Ferreira (PSDB) publicado no jornal Diário da Manhã, edição de 20.03.2009.
* Padre Ferreira é deputado estadual e líder do PSDB na Assembleia (www.padreferreira.com.br)


A queda de 3,6% no Produto Interno Bruto (PIB) no País, registrada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no último trimestre de 2008, mostra números preocupantes sobre a crise econômica mundial. A queda é histórica, pois foi a maior da série iniciada pelo IBGE em 1996, mas enquanto isso o governo federal se comporta como se nada estivesse acontecendo.

Segundo economistas, o Brasil registrou no último trimestre de 2008 um declínio maior que toda a queda acumulada pelos Estados Unidos desde dezembro de 2007, de 1,7%. Ou seja, a crise no País está longe de ser uma marolinha, como o presidente Lula sugeriu ano passado. Está mais para uma tempestade, que não tem data para ir embora.

A indústria caiu 7,4% (segundo pior resultado desde 1996) e os investimentos tiveram uma retração de 9,8% (pior resultado da série). A agropecuária e os serviços, principais motores da economia goiana, caíram 0,5% e 0,4%. O consumo das famílias, maior componente do PIB, recuou 2% no último trimestre, o primeiro resultado negativo desde o segundo trimestre de 2003.

São números preocupantes. Em Estados mais ricos da Federação, como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná, os efeitos da crise são mais sensíveis, com demissões em massa, principalmente nos setores de metalurgia e extração de minérios. Só a Embraer, maior fabricante de aviões da América do Sul, com sede no interior de São Paulo, demitiu recentemente quatro mil funcionários.

E o pior são as medidas paliativas do governo Lula: baixa tardia dos juros da Selic, que continuam sendo um dos mais altos do planeta; redução apenas temporária do IPI de carros novos; e mais dinheiro disponível para empréstimo no BNDES, o qual só tem acesso grandes empresas.

Reduzir a carga tributária (basta fazer a reforma tributária) e estimular o consumo com juros reduzidos, mudanças que realmente dariam fôlego à economia, são assuntos que o governo federal evita comentar. Para ele, é melhor um curativo mal remendado do que a cirurgia para resolver o problema.

Em Goiás, no entanto, a crise chegou com menor força. E não foi graças aos “esforços” do governo federal. O governo do Estado já havia se preparado para enfrentar a tempestade, tanto é que tivemos o melhor desempenho de todos os Estados na geração de vagas de emprego no mês de fevereiro – saldo positivo de 8.058 vagas formais. As empresas goianas também trabalham de maneira enxuta e austera, sem precisar demitir em massa para continuar funcionando.

Mas o setor agropecuário sofre devido à baixa das exportações, principalmente quem negocia carne bovina com países da Europa e os EUA. Este é um setor que merece atenção especial da União, pois só o mercado interno, que voltou a se aquecer neste início de ano, não é garantia de que frigoríficos possam permanecer na ativa.

Tenho esperança de que o governo federal possa governar de verdade e, principalmente, governar para a população, pois em nosso País toda crise é sinônimo de que vem conta mais cara para os mais pobres.
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