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Cada um com seus problemas

23 de Março de 2009 às 12:37
Artigo do deputado Fábio Sousa (PSDB) publicado no jornal "Diário da Manhã", edição de 21.03.2009.

* Fábio Sousa é deputado estadual, presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa e primeiro-secretário do PSDB goiano (www.fabiosousa.com.br)



Há muitos preocupados com a crise nos Estados Unidos. Eu me preocupo com a crise no Brasil. Até porque os Estados Unidos, no decorrer da sua história, provam que possuem talento especial para se reerguer de crises, sobretudo de crises econômicas. Já o Brasil vive uma estabilidade econômica muito recente e, como qualquer paciente com imunidade baixa, pode sofrer com uma simples doença. Temo que o Brasil não tenha remédio necessário para enfrentar a crise, que está apenas começando.

A marola prometida pelo presidente Lula já provou ser uma verdadeira tempestade. Os índices de desemprego estão aumentando e cada vez mais o brasileiro está percebendo que está com menos dinheiro no bolso. Os erros do governo começaram na tentativa de maquiar a crise, chamando-a de “marolinha” e não convocando os brasileiros à responsabilidade que tempos difíceis como estes necessitam.

Cabe agora ao governo federal não só alertar a população das turbulências econômicas que iremos enfrentar, mas também tomar atitudes que venham, no mínimo, aliviar a crise para o setor produtivo brasileiro, para os trabalhadores e, principalmente, para as famílias brasileiras.

É necessário que o governo desatole as obras do PAC, sobretudo as de infraestrutura. Só com um investimento maciço, sério e com resultados claros em infraestrutura, o Brasil se protegerá da crise.

Outra medida importante que o governo deve tomar é criar linhas de crédito para a população financiar seus projetos de vida e créditos especiais para o setor produtivo a fim de que a produção não diminua, impedindo as demissões em massa como tem ocorrido nos Estados Unidos e na Europa.

Entretanto, o mais importante e emergencial de todas as atitudes é não permitir que o brasileiro responsável fique endividado e sem recursos ao ponto de não conseguir honrar seus compromissos financeiros, sobretudo os financiamentos bancários. Só através de uma redução satisfatória da taxa anual dos juros pelo Banco Central, e que esta redução seja repassada obrigatoriamente pelos bancos e financiadoras à população, é que vamos conseguir.

O governo precisa estimular a economia para que não venhamos sofrer com o recuo da mesma. Só o governo possui os mecanismos necessários para este estímulo. Em visita ao presidente Barack Obama, o nosso presidente disse estar “rezando mais pelo Obama do que por ele mesmo”. Claro que todas as orações abençoadoras destinadas ao presidente americano são bem-vindas, mas o presidente precisa estar mais atento à nossa economia e deixar os americanos cuidar da deles.

Com isto, lembro-me de dois ensinamentos que aprendi com dois amigos distintos. O primeiro: os Estados Unidos, antes de se quebrar, quebra o mundo inteiro. Não precisamos nos preocupar com a economia deles porque eles já possuem milhares de mentes pensando nisso, temos que nos preocupar com a nossa economia. Aí, entra o outro ensinamento que aprendi com um outro amigo meu: cada um com os seus problemas.

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