Trabalhadores
A Assembleia Legislativa sediou a audiência pública com o tema Negociações Coletivas em um Contexto de Crise promovida pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), por iniciativa do deputado Mauro Rubem (PT). A audiência é parte da II Jornada Nacional de Debates sobre Negociações Coletivas, que deve acontecer em todas as capitais brasileiras até o dia 02 de abril, com técnicos do Dieese e representantes das Centrais Sindicais.
Segundo a coordenadora da entidade, Bia de Lima, os líderes sindicais precisam adquirir um conhecimento profundo dos dados da instituição, incluindo as perspectivas futuras de mercado, para não perder a capacidade de negociação diante da crise financeira. “Os empresários e os Governos podem se valer da crise para justificar um reajuste menor do que seria o correto, aumentando assim seus lucros à custa dos trabalhadores. Nossa prioridade neste momento de crise é a manutenção dos empregos sem que os trabalhadores percam direitos”, argumentou.
Durante a audiência pública, também foram abordados aspectos da luta sindical que mais precisam de atenção, como: o fim do banco de horas; a redução de carga horária sem a redução de salário, com o objetivo de gerar novos postos de trabalho; a utilização da crise como pretexto para demitir; a desnacionalização de empresas no Brasil; e a flexibilização das leis trabalhistas.
O supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Clovis Scherer, encerrou a audiência ao lembrar da importância dos movimentos sindicais pressionarem o Congresso Nacional a não aprovarem leis que prejudiquem os trabalhadores. “Com a crise, os empresários irão pedir a flexibilização e a redução de nossos direitos. A agenda legislativa dependerá basicamente do posicionamento dos atores sociais”, afirmou.
“Não podemos permitir que os trabalhadores, que não tem culpa nenhuma desta crise, paguem por ela”, afirmou Mauro Rubem. Para o deputado, além de preparar os sindicatos, a audiência teve a função de discutir o funcionamento do sistema capitalista que, com a crise, demonstra a sua inviabilidade financeira, da mesma forma que já foi evidenciada sua inviabilidade social e ambiental.