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A política brasileira

13 de Abril de 2009 às 18:41
Artigo do deputado Fábio Sousa (PSDB) publicado no jornal Diário da Manhã, edição de 28.03.2009.

Fábio Sousa é deputado estadual, presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa, 1º secretário do PSDB goiano.

A classe política brasileira é desvalorizada. Em grande parte pela própria atuação de alguns políticos que fazem parte dela. Em países de primeiro mundo a classe política é bastante valorizada, tida como cargos honrosos ocupados por agentes da honra que representam bem os seus eleitores.

Nos Estados Unidos, ter um filho senador é o sonho da maioria das famílias americanas. Não é qualquer um que consegue ser um representante político. Obrigatoriamente deve ser uma pessoa bem informada e capacitada, com a ficha limpa e um grande histórico de ações em prol de suas comunidades. O exemplo disto é o próprio presidente norte-americano Barack Obama, que só se candidatou ao Senado estadual quando já era conhecido como um advogado que atuava gratuitamente em prol da população carente de Chicago

O que precisamos, então, fazer para termos uma representação política à altura dos políticos dos países desenvolvidos? O que precisamos fazer para que a classe política seja reconhecida e honrada? Aqui vão algumas sugestões.

Primeiro, realizar uma reforma política eficiente que combata os males eleitorais, como a compra de sufrágio e as contribuições “não contabilizadas”. Que preserve o político idealista e que extermine da vida pública os políticos oportunistas. Que impeça gananciosos de chegarem ao poder, fazendo dele uma forma rentável de ganhar dinheiro, e dê espaço para aqueles que querem estar na política por valores e crenças imutáveis. Pessoas que não estarão na política por dinheiro.

Proibir a candidatura de pessoas que tenham sido condenados pela Justiça, mesmo que estas tenham recorrido. Enquanto estiverem com “pendências” com a Justiça, que esperem suas situações serem regularizadas para voltarem a disputar um mandato. E que os políticos que tenham feito algo errado, que tenham feito de seus mandatos um instrumento da criminalidade, que sejam presos, condenados e expulsos definitivamente da vida pública. Que o Brasil diga um basta à impunidade e um viva à justiça.

Que a imprensa comece a divulgar os bons projetos e as boas ações de cada bom político nesta nação. Só a esperança renovada no coração da população brasileira poderá preservar o espírito público em cada brasileiro. Existem bons políticos e o povo precisa conhecê-los. Homens e mulheres assim devem ser preservados na vida pública.

Por último, que haja uma conscientização da população para que não trate o seu voto como instrumento de troca. Que não troque por dinheiro e nem por pequenos favores. Certa vez, pedindo voto para uma pessoa na rua, ela, talvez descrente com a situação ou mal-intencionada, me disse “Só voto em você se me der algo em troca. Não ajudo ninguém sem dinheiro.” Olhei para ela e disse sem hesitar: “Decore meu nome; vou ganhar a eleição sem o seu voto e nunca mais vote em mim, pois voto assim eu não quero!”

Não sou moralista, mas tenho moral. E quero, junto com outros homens e mulheres que podem até pensar sobre política diferente de mim, mas que tenham os mesmo princípios transformadores que a nossa nação precisa, construir uma política brasileira bem melhor.

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