UEG, 10 anos de conquistas e desafios
* Frei Valdair é deputado estadual pelo PTB.
A educação é o maior patrimônio de uma sociedade. Todas as grandes nações do mundo principiaram por construir um grande sistema educacional; não poderia ser de outra maneira. Afinal, é por meio da educação que a humanidade cultiva os valores e virtudes que fazem a sociedade avançar de maneira contínua.
Nos últimos anos, o Estado de Goiás tem experimentado o efeito transformador que a educação traz, a partir da criação da Universidade Estadual de Goiás, em 1999. A UEG, nesses 10 anos, tem enfrentado desafios enormes, com uma vocação social sem par. A Universidade Estadual de Goiás, ao completar 10 anos, merece do povo de Goiás sinceros votos de agradecimento pelas conquistas e vitórias conseguidas nessa década.
A UEG está presente em todas as regiões do Estado, e mesmo não sendo a maior universidade goiana em estrutura física, tem sido a que mais faz a diferença. A capilaridade da UEG tem permitido que milhares de jovens goianos ingressem no ensino superior sem ter de sair de suas cidades de origem. Por meio de programas como o UTE (Universidade para os Trabalhadores da Educação - Parcelada) e dos cursos estruturantes, a UEG formou milhares de educadores goianos, que hoje atuam no ensino médio e fundamental, de maneira dedicada e qualificada. Esses milhares de professores que a UEG preparou são o melhor produto que essa instituição tem oferecido à nossa sociedade. Nesse sentido, a UEG é um grande celeiro de educadores.
Muitos criticam a UEG, percebendo apenas suas carências e dificuldades. Alguns dizem que ela cresceu demais, outros que não possui qualidade. Os problemas são expostos como se a universidade fosse feita de prédios vazios e salas ocas. É preciso mostrar que a UEG possui um patrimônio maior que as estruturas físicas (que são necessárias, sem dúvida) e esse patrimônio são as pessoas que fazem parte dela. Pessoas que, mesmo com as dificuldades vividas nesses 10 anos, têm desempenhado um importante papel na história do ensino superior em nosso Estado. É importante dizer que nos últimos anos a UEG parece ter encontrado seu caminho. Em diversas ocasiões, a reitoria, os diretores das unidades, os professores, os servidores e os acadêmicos têm demonstrado que a universidade possui maturidade para enfrentar os desafios da construção de um projeto tão grandioso quanto esse.
É por esses fatores que se faz necessário defender a UEG, essa universidade que é patrimônio dos goianos e que não pode deixar de existir. Nos últimos dias, a proposta que alterava a dotação orçamentária da UEG havia sido motivo de polêmica na Assembleia Legislativa. De um lado, os que pretendiam reduzir o percentual e, de outro, aqueles que queriam manter os valores atuais. Por fim, o governador Alcides Rodrigues mostrou que tem compromisso com a universidade e retirou a proposta de pauta, mantendo o percentual da UEG e garantindo as condições de seu funcionamento. Contudo, o debate foi produtivo na medida em que a universidade passou a fazer parte da pauta política de nosso Estado. Essa discussão é um sinal de que é o momento de planejarmos o futuro dessa instituição e de que precisamos solidificá-la indissociavelmente como caminho de nosso desenvolvimento.
O desafio para os próximos 10 anos é o de consolidar a universidade e não é possível imaginar essa consolidação sem garantirmos seu orçamento. É por essa razão que defendi a manutenção dos 2% da receita estadual para o financiamento da UEG. Nesse momento, quando os investimentos em educação têm sido maciços em todos os lugares do mundo, em nosso Estado ainda há muito o que fazer, mas os primeiros passos foram dados e cabe a nós manter o ritmo da caminhada para que as gerações futuras possam colher os frutos do conhecimento, produzidos pelos homens e mulheres que constroem essa universidade.
Em outros Estados, como São Paulo, por exemplo, o investimento no ensino superior tem sido significativo (a USP recebeu, ano passado, 2 bilhões e 600 milhões de reais do governo paulista) e em Goiás é chegada a hora de discutirmos caminhos de financiamento da universidade. Penso que o papel primordial na manutenção da UEG deve ser desempenhado pelo governo estadual, contudo, uma instituição com a dimensão e a importância da UEG deve ser entendida como patrimônio de todos e nesse sentido deve ser mantida pelo conjunto da sociedade.
Tendo isso em mente é que estarei encaminhando à assembleia, nos próximos dias, um projeto de lei objetivando permitir que as empresas goianas que queiram investir na UEG possam descontar parte desse investimento dos impostos estaduais, nos moldes do que existe hoje em relação ao investimento em cultura. Para encaminhar esse projeto, vamos realizar audiências públicas com a comunidade da UEG ouvindo seus segmentos e construindo uma proposta que coloque a universidade em primeiro plano e que sirva ao interesse maior do povo goiano, o desenvolvimento econômico conjugado ao desenvolvimento social.
A Universidade Estadual de Goiás é um patrimônio do povo goiano e todos os cidadãos devem ter o direito de poder investir em seu crescimento e manutenção. Para muitos pode parecer estranho dizer direito, contudo, quando se trata de investir em educação, todo cidadão deve entender que a educação é a base de nossa estrutura social e, portanto, a base de todos os nossos direitos. Assim, é um direito na medida em que garante e fundamenta todos os outros direitos.
Nessa perspectiva é que poderemos manter as conquistas da UEG e avançar ainda mais. Precisamos continuar com os 2% da arrecadação estadual para a manutenção da universidade e permitir que a sociedade civil, os empresários e os cidadãos interessados em uma universidade de qualidade, na perspectiva de uma sociedade mais justa e em um mundo melhor, possam contribuir com a sua construção. Os próximos 10 anos serão de desafios crescentes, mas com a sabedoria, a coragem e a dedicação dos homens e mulheres que constroem a UEG, as conquistas serão ainda maiores.