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Crime contra o bolso do trabalhador

04 de Maio de 2009 às 11:44
Artigo do deputado Wellington Valim (PTdoB) publicado no jornal "Diário da Manhã", edição de 04.05.2009.

* Wellington Valim é deputado estadual e líder do PTdoB na Assembleia


Pagar R$ 2,25 para andar de ônibus em Goiânia é um crime contra o bolso do trabalhador. Não existem veículos, pontos de ônibus ou terminais que justifiquem este valor. Também inexiste um serviço decente, com horários pré-determinados de atendimento ao cidadão. Falta respeito ao usuário e sobra desorganização do poder público municipal.

O que se vê pelas ruas são ônibus lotados, chegando atrasados aos pontos, atendendo com ineficiência quem precisa do transporte. Terminais bagunçados, pessoas se espremendo em filas. Talvez, por isso, a grande maioria da população chame os terminais de currais, pois as cenas vistas diariamente lembram o gado amontoado em um cercado esperando pelo abate. E tudo isso pela “bagatela” de R$ 2,25.

Quando o prefeito Iris Rezende (PMDB) assumiu a prefeitura, em 2005, prometeu mudar o transporte coletivo na Capital. A única alteração de fato, além de alguns novos ônibus, foi o reajuste de 50% na tarifa, de junho de 2005 até agora, o maior aumento registrado entre as capitais brasileiras.

R$ 2,25 é mais do que o preço de um litro de óleo diesel (R$ 1,99), que é o combustível que move os ônibus. E uma viagem de ida e volta custa praticamente o valor de meio quilo de carne (R$ 4,50), produto este que passa longe do prato de boa parte da classe trabalhadora.

E se não bastassem as mazelas do transporte coletivo na Grande Goiânia, a prefeitura da Capital resolveu autorizar a circulação do Citybus. Parece um acinte, pois são veículos novos, que andam em horários pré-determinados e circulam pelas regiões nobres da cidade. Janelas fechadas, ar-condicionado ligado e vidros escurecidos. São os “frescões”, que têm passagem ao preço de R$ 4,50.

E o povão, como é que fica! Literalmente, a ver navios. Citybus é uma espécie de miragem na paisagem da Capital. O povo o vê, chega perto, mas não pode ter acesso. As classes média e média alta veem, têm condições de pagar para usar, mas preferem tirar o carro da garagem a gastar R$ 9 para uma viagem de ida e volta.

Mas é fácil explicar por que não usar os “frescões”. Na ponta do lápis, com R$ 9 de combustível num veículo popular, em Goiânia, é possível rodar até 34 quilômetros (3,4 litros de gasolina, num carro que faz 10 km/l na cidade). É mais do que o perímetro urbano da cidade. Dificilmente um cidadão, para ir e voltar ao trabalho, percorre distância maior do que essa.

É por essas e outras que o transporte coletivo de Goiânia está entregue à própria sorte. O cidadão que precisa do serviço se acotovela nos ônibus e sofre para chegar ao trabalho. A classe que não precisa dos veículos faz vista grossa e prefere abarrotar o trânsito da Capital.

Goiânia, mais do que medidas populistas de construção de viadutos e aquisição de pseudos novos ônibus, precisa de uma política realista para o transporte coletivo urbano. Tema este que não é tratado com a devida seriedade pelo prefeito Iris Rezende e seus asseclas.

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