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O que temos e o que devemos para a Copa de 2014

05 de Maio de 2009 às 11:22
Artigo do deputado Ozair José (PP) publicado no jornal Diário da Manhã, edição de 05.05.2009.

* Ozair José é líder da Bancada do PP na Assembleia Legislativa

Goiânia vive um momento especial com a possibilidade de sediar jogos da Copa do Mundo de 2014. Nessa hora, a cidade é colocada em xeque, já que, para ser uma das escolhidas pelas instituições organizadoras do evento, tem que cumprir uma série de requisitos; afinal, em se tratando de um evento desse porte, a cidade e a população precisam estar preparadas. O pleito é legítimo e nossa Capital tem grandes chances de figurar entre as selecionadas.

Sobre os fatores que pesam para que isso aconteça, está a localização geográfica do Estado; sem dúvida, este é um de nossos pontos fortes, já que estando bem no centro do País, Goiás desfruta de uma posição estratégica, de convergência, democratizando a distância entre Goiânia e as demais cidades brasileiras. Outro ponto relevante é a estrutura oferecida pelo Serra Dourada, um grande estádio, à altura de um evento desse nível, mas que precisará se adequar para atender aos requisitos da Federação Internacional de Futebol.

As condições da rede hoteleira melhoraram muito nos últimos anos, mas o assunto merecerá atenção especial por parte dos empresários antenados no mercado, e do governo, para que haja investimentos no setor. A cidade precisa ser dotada de uma estrutura de serviços que atenda atletas e turistas que por aqui certamente passarão uma ou mais vezes, quem sabe...

Como nessa disputa se leva em conta também os aspectos negativos das cidades que pleiteiam os jogos, não podemos negar que eles existem e nos furtar de uma análise madura e séria a respeito. É o caso do transporte coletivo, que continua desafiando nossos gestores públicos. Há pouco ônibus para a quantidade de usuários do sistema, e a cidade não comporta mais veículos; a população reclama e a imprensa mostra, diariamente, a situação nos terminais, a superlotação, o tumulto em determinadas horas, a falta de segurança e o desrespeito. Essa situação é grave e precisa ser solucionada urgentemente, para que Goiânia não fique para trás no tempo, deixando de oferecer uma vida digna e melhor para sua gente.

Muitas pessoas já declararam que optariam por deixar o automóvel em casa se fosse possível pegar um ônibus decentemente. A criação do Citybus veio para atender esse segmento e está em fase de conhecimento e teste por parte do goianiense. Uma coisa, no entanto, parece ser unânime até o momento: o preço da tarifa, de R$ 4,50, considerado alto pelos pretensos usuários. Em prol de uma tarifa menor, há os que argumentam que os benefícios agregados ao Citybus encarecem o serviço e poderiam ser dispensados, a exemplo do acesso à internet, da televisão, e até do ar-condicionado. A reforma e construção de terminais, o corredor Norte-Sul, a integração eletrônica das linhas de ônibus, a instalação de centrais de controle de operação e ônibus 24 horas são projetos fundamentais para o desenvolvimento de nossa Capital e é imperativo que sejam executados. Nesse contexto, outras alternativas de transporte devem ser analisadas, caso dos metrôs, sejam eles subterrâneos ou de superfície. É importante lembrarmos que os metrôs são o meio de transporte predominante nas cidades mais desenvolvidas do planeta.

Outro problema que está ganhando proporções é o trânsito caótico de Goiânia. Além de receber as influências de um transporte coletivo com atendimento abaixo das necessidades e expectativas dos usuários, o trânsito traz outras variáveis e precisa de uma intervenção urgente do poder público. Os acidentes envolvendo automóveis, motocicletas, ônibus e pessoas são cada vez mais frequentes. Na pressa para chegar primeiro, os maus motoristas lançam mão de tudo: furam o sinal, entram na contramão, fazem ultrapassagem pela direita, estacionam em locais proibidos e causam atropelamentos, muitos com mortes.

O governo estadual vem promovendo uma campanha educativa nos veículos de comunicação, e é muito importante que continue fazendo, mas isso só não basta, é preciso que haja policiamento, e que a parcela da população infratora seja punida; lamentavelmente, quase não se vê policiais de trânsito nas ruas. Há locais de tamanho fluxo de pessoas que a presença de um policial orientando e multando eventuais infrações ajudaria muito a mudar esse quadro.

Na pauta do transporte tem ainda a reforma e ampliação do Aeroporto Santa Genoveva, cuja estrutura é bastante acanhada, principalmente se comparada às de outras capitais do País. Em recente entrevista à imprensa sobre as condições do Brasil para sediar os jogos da Copa de 2014, o tenente brigadeiro Cleonilson Nicácio Silva, presidente da Infraero, disse estar preocupado com o aeroporto de Goiânia, e fez menção à paralisação das obras por conta dos indícios de superfaturamento constatados pelo Tribunal de Contas da União.

Todas essas exigências são próprias de uma metrópole como a que Goiânia se transformou. Estado e município precisam enfrentar juntos esses desafios e os administradores da Capital, particularmente, têm que estar antenados ao conjunto de fatores que torna a cidade competitiva, em condições de concorrer com outros grandes centros na captação de eventos como o da Copa do Mundo.

 


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