Aparecida 87 anos - temos muito o que celebrar
Marlúcio Pereira é deputado estadual pelo PTB
Poderia falar das muitas opções que Aparecida de Goiânia possui como atrativos para investimentos, que não me faltariam elementos para homenagear o município na passagem dos seus 87 anos. A cidade se preparou para ser atrativa nesse sentido. As gestões de Ademir Menezes e José Macedo dotaram Aparecida de Goiânia de cinco modernos polos empresariais, com infraestrutura completa para funcionamentos das empresas e está localizada em um ponto estratégico, na saída da Capital para a região Sudeste do País, praticamente ligada a São Paulo, principal cidade do País, por pista dupla. A isso soma-se a fartura da mão-de-obra e a própria vizinhança com Goiânia, principal centro consumidor de Goiás. E se buscasse mais elementos, eles apareceriam para provar que Aparecida é o melhor local para investimento em meios produtivos e consequentemente isso a faz o melhor local para investimento em imóvel também. Mas vou deixar esse assunto para uma outra oportunidade.
Poderia falar também das belezas naturais do lugar e a homenagem também seria justa. Basta mencionar a Serra das Areias, com riquezas da fauna e flora que pouca gente sabe que existem ali. Animais raros, como o tamanduá-bandeira, o tatu-peba, o tatu-bandeira, a coruja-branca, a coruja-caburé, o gavião carcará, a cobra jibóia, a cascavel, a coral e urutu, o bicudo, o canário- da-terra, a jaguatirica, a arara-azul, o periquito-do-reino podem ser encontrados por lá. Os ipês de todas as cores florescem na primavera, dando um colorido visto em poucos lugares numa só gleba. Tem ainda os pés de ingás, mamacadela, cagaita, araticum, marmelo preto, gabiroba, cajuzinho, murici e muitos outros. Se o foco fosse esse, não poderia deixar de registrar a beleza do Ribeirão Santo Antônio, que, visto por cima, parece uma cobra serpenteando, já que as águas correm em alta velocidade e as margens que circulam o leito são cheias de curvas. Teria que registrar a beleza do Córrego Tamanduá, com suas águas calmas e os espraiadas ao longo do leito. Mas vou deixar esse tema que ainda possui vários outros elementos dignos de registro para uma outra oportunidade também.
Quero falar, nesses 87 anos de Aparecida de Goiânia, da sua maior riqueza: seu povo. É uma gente diferente, com diversidade de espécies. Brancos, muito brancos, negros muito negros se misturam. Como se misturam estrangeiros de todas as raças. O resultado é um povo belo e de belezas diferentes. A história da ocupação das terras aparecidenses gerou um povo com essas características. Primeiro vieram os paulistas, já trazendo alguns negros. Esse grupo chegou praticamente com a chegada de Bartolomeu Bueno da Silva, o Anhanguera, e veio em busca do ouro. Suspeitavam que no Ribeirão Santo Antônio houvesse ouro e que na Serra das Areias também. Se existe ouro nesse lugares, felizmente ninguém nunca encontrou. Tanto que o Ribeirão continua lá, inteirinho, e a Serra das Areias também. Depois vieram os mineiros, também em busca do ouro. Como eram especializados na lida do garimpo, imaginaram que os paulistas não fizeram a pesquisa direito. Não descobriram o ouro, mas descobriram uma região plana, de terras férteis e farta de água.
Foram as terras, o clima e a água que mantiveram os mineiros por aqui. Capitaneados por José Cândido de Queiroz, eles fundaram um vilarejo, onde viviam próximos uns dos outros e onde faziam negócios. Logo o lugar se transformou em um pouso de tropeiros, que vinham negociar com os moradores do lugar. Vários desses tropeiros trouxeram suas famílias, quando José Cândido doou as terras para que a Congregação Redentorista, da Igreja Católica, construísse uma igreja no lugar. Foi erguida a Matriz que ainda hoje pode ser vista com sua arquitetura original preservada, na Praça Matriz da cidade. Surgia de fato Aparecida, que originou a imponente Aparecida de Goiânia, segunda maior cidade de Goiás, ficando atrás apenas da Capital, Goiânia. Vivem em Aparecida de Goiânia mais de 500 mil pessoas. Após a chegada dos paulistas e dos mineiros, parece que nunca mais parou de chegar gente na cidade. Os excluídos por Goiânia, que vieram das cidades do interior do Estado ou de outros Estados brasileiros e não deram conta de pagar o aluguel, acabaram adquirindo um lote no município, já que ali podiam pagar pelo imóvel. Isso gerou uma cidade com setores esparramados, distantes uns dos outros e alguns problemas estruturais e sociais. Eles têm sido enfrentados pelo poder público e já minimizaram muito, embora ainda existam.
Com gente chegando todos os dias, foi se formando o povo aparecidense. Gente fruto do cruzamento de pessoas e culturas diferentes. As pesquisas genéticas provam que o cruzamento de genes diferentes gera seres fortes. O aparecidense é forte por natureza. Enfrenta as adversidades com resistência. Luta como ninguém pela sobrevivência e contra as adversidades sociais. Batalhar é lugar-comum na vida do povo aparecidense. Assim, além da beleza que já mencionei, ainda há de se valorizar a força desse povo. O aparecidense é também determinado e leal. A determinação lhe dá a capacidade de coroar e destronar quem quer que seja. Merecendo a consideração, a coroa é mantida na cabeça; não merecendo, há a exclusão. A lealdade aparece no pacto que faz com aqueles que se mantêm ao seu lado. Conheço bem essa lealdade e posso afirmar que ela dá a quem tem o privilégio de desfrutar dela a mais rígida auto confiança. A essa gente bonita, forte, leal e determinada, me dirijo e com ela homenageio Aparecida de Goiânia pelos 87 anos. Uma cidade é, acima de tudo, as pessoas que nela residem.