Produtos orgânicos, o caminho certo para uma vida saudável
* Ozair José é líder da bancada do PP na Assembleia Legislativa
A produção de alimentos sem uso de tóxicos agrícolas e pecuários passou a ser alternativa sustentável e de melhoria econômica dos minifúndios e propicia o aumento da qualidade de vida dos consumidores. Mesmo com grande parte dos projetos ainda em fase de maturação, os agricultores de Goiás que optaram pela produção orgânica estão obtendo rentabilidade maior em suas propriedades do que os que seguem usando venenos. A pesquisa foi realizada em 40 propriedades que adotaram a produção sem produtos químicos e em outras 40 que mantiveram a tecnologia tradicional. O valor agregado – valor bruto menos os gastos intermediários para realizar a produção – obtido pelos agricultores orgânicos de hortifrutigranjeiros é, em média, 25,2% superior ao obtido pelos outros agricultores, em decorrência dos preços melhor remuneradores e dos custos menores da produção orgânica. Como a maioria das propriedades pesquisadas tem menos de 20 hectares, a produção orgânica é uma alternativa para melhorar a situação das pessoas que estão nos minifúndios. O estudo constatou que impressionantes 45% dos produtores que estão na agricultura tradicional pensam em aderir à orgânica.
A pesquisa confirma que a produção orgânica exige menos mão-de-obra na produção de hortifrutigranjeiros. A ocupação de menor quantidade de mão-de-obra na produção orgânica decorre da redução do tempo gasto na busca de receituário agronômico para a aquisição de venenos, preparação de caldas de alto risco, compra de vestimentas sofisticadas para proteção do operador nas inúmeras aplicações de venenos, compra, manutenção e limpeza de equipamentos utilizados na aplicação dos agrotóxicos, construção de depósitos especiais para a guarda dos agrotóxicos, procedimentos da tríplice lavagem das embalagens, transporte das embalagens lavadas para as centrais de recebimento, constantes idas aos centros de saúde para coleta de sangue para controle dos índices de colinesterase, coleta de águas de consumo para análise laboratorial para controle dos índices de contaminação do lençol freático.E ainda: participação de cursos quando novos agrotóxicos são lançados, lavação constante e em separado das outras roupas da família, de vestimentas utilizadas nas jornadas químicas venenosas, compra de medicamentos em casos de intoxicações, dias parados para cura de intoxicações agudas, compra de medicamentos para dores de cabeça, sudorese, perda de memória, entre outras despesas indiretas. Na produção química, a utilização de agrotóxicos é intensa (muitas vezes exagerada), onde o controle da qualidade nem sempre é a prática mais utilizada. Além da qualidade de vida, o agricultor orgânico é um grande promotor da mão-de-obra limpa, para realizar tarefas de produção da matéria orgânica, capinas, colheitas manuais, coleta manual de insetos predadores. Maiores volumes de substratos preparados são agregados ao solo, que desta forma passa a ter uma melhora químico-física e biológica contínua.
Os alimentos mais tóxicos: tomate, pimentão, maçã, morango, batata e papaia são alguns dos campeões de tempo submetidos à chuva envenenada promovida pela aplicação de agrotóxicos. Durante o crescimento vegetal, as pulverizações ocorrem a curtos espaços de tempo, dependendo das precipitações pluviométricas que lavam as aplicações anteriores.
As jornadas fitossanitárias causam a intoxicação do meio ambiente (águas – solos – biota); dos agricultores e dos alimentos. Exames laboratoriais do Instituto Biológico em São Paulo demonstram seguidamente que elevados índices de produtos químicos tóxicos contaminam, perigosamente, os alimentos oferecidos dentro de atraentes embalagens com os mais sugestivos rótulos, ao consumidor brasileiro, denunciando índices acima dos permitidos pela Organização Mundial da Saúde.