Festas open bar e a preocupação das mães
* Padre Ferreira é deputado estadual e líder do PSDB na Assembleia
A propaganda está estampada nos outdoors, fôlderes, comerciais na TV e no rádio, além dos sites de relacionamentos da internet. Hoje, de longe, a diversão preferida dos jovens nos finais de semana são as chamadas festas “open bar”, que do inglês quer dizer “bar aberto”. Nestas festas, jovens podem ingerir bebidas à vontade, principalmente à base de álcool.
Promotores de festas cobram preços altos pela entrada nas festas “open bar”. O jovem tenta “compensar” o valor pago pelo ingresso com consumo exagerado de cerveja, uísques e batidas (misturas de vodca e suco de frutas). A ingestão é farta e facilitada. Resultado: jovens cada vez mais dependentes do álcool.
A juventude é, de longe, a melhor parte da vida. É nesta fase que se forma o caráter do cidadão, que se determina os princípios, o que é certo, errado. Também é a melhor oportunidade para se estudar, namorar, pensar no futuro. Começar a conhecer a vida, ter consciência de seu papel na sociedade.
Há poucas semanas, fui procurado por um grupo de mães preocupadas com a realização de festas “open bar”. Elas, inclusive, fizeram um abaixo-assinado sugerindo a audiência pública. Acatamos a ideia de imediato, e a Assembleia Legislativa realizou ontem o evento. Participaram representantes da sociedade para debater o assunto, como o promotor (Everaldo de Sousa) e o juiz (Maurício Porfírio) da Infância e Juventude.
Bebidas alcoólicas não podem ter relação direta com os jovens e adolescentes nesta fase da vida. É muito cedo para se criar dependência. As mães me disseram que até mesmo menores frequentavam essas festas e chegavam em casa embriagados.
Entendo a preocupação dessas mães, pois também sou pai, e acredito que seja preciso discutir melhor o assunto. Até mesmo na França, país de primeiro mundo, as festas estão em foco. Naquele país, o governo estuda proibir esse tipo de “diversão”. Segundo estatísticas francesas, o número de vítimas de excesso de bebida alcoólica no país aumentou nos últimos anos. Os atendimentos médicos entre jovens menores de 15 anos cresceram 50% entre 2004 e 2007.
Em Brasília, na Câmara Federal, um projeto de lei tenta colocar fim às festas “open bar”. Não sei se acabar com as festas seria a melhor saída. Em determinadas questões, ainda mais quando se envolve o álcool e jovens, proibição nem sempre é o caminho. Acredito na necessidade de se aumentar a fiscalização na portaria desses eventos, para ao menos inibir o acesso de menores.
Também poderia haver um limite para o consumo de álcool nas festas. Bebidas alcoólicas não fazem bem a ninguém, pelo contrário, causam dependência, mudam a personalidade da pessoa e aumentam as chances de se contrair doenças, aumentar a violência e a quantidade de acidentes de trânsito. Para piorar, nas saídas dessas festas, os jovens vão embora dirigindo os próprios carros, mesmo com embriaguez visível.
O álcool é um problema de saúde pública e precisa ser encarado de frente por toda a sociedade. Mesmo sendo uma droga lícita, vendida em supermercados, bares e lanchonetes, precisa ter maior controle sobre sua venda. Quanto mais cedo nossos jovens e adolescentes criarem dependência, pior será o futuro deles e de nossa sociedade. E nós, pais e legisladores, não podemos ficar de braços cruzados.